LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




1 de dezembro de 2009

SEGUIR EM FRENTE (Bel Cesar - adaptado)

O objetivo da vida consiste em simplesmente ir em frente e fazer da vida um modo de despertar, mais do que de adormecer. A capacidade de continuar nos ajuda a perceber que nenhum problema é sem saída. Seguir adiante significa não nos deixarmos estagnar pela inércia, pelo medo ou pela irritação.
A melhor maneira de nos libertarmos do passado é fazer as pazes conosco mesmos no momento presente. Fazer as pazes com quaisquer lembranças ou sentimentos que possam surgir. De forma que, aos poucos, não seremos mais “aprisionados” por essas recordações.
Passamos a permitir que antigas imagens sobre nós mesmos vão embora. Continuamos simplesmente a seguir em frente. Nada mais nos faz parar. Sabemos continuar positivamente, pois estamos conectados com nossa confiança básica, com nossa bondade fundamental.
Coragem é a habilidade de mover-se para o futuro, sem olhar para trás: desapegar-se do passado. Quando encontramos uma caixa fechada remanescente da mudança. Não tenha dúvidas: coloque fogo na caixa sem abri-la. “Assim, não despertará a mente do apego”. Uma vez que passamos tantos anos sem precisar das coisas que estavam naquela caixa, não era necessário abri-la para saber que o que ela contém, é carga extra. Isso muitas vezes me inspira a não remexer em histórias passadas que já esgotaram seus enredos. Em muitos momentos, é preciso saber conter a curiosidade e colocar fogo nas nossas “caixas”, antes que não possamos mais controlar o impulso de abri-las.
Há, porém, também momentos em que ir ao sótão, remexer em caixas do passado pode ser muito terapêutico.
Como diz John Welwood: “Já que toda a auto-imagem é sustentada por velhas histórias - crenças que nós mesmos nos contamos sobre ‘como é a realidade’ - trazê-las à luz é um passo essencial para afrouxar a sujeição a uma identidade”.
Quando a separação de uma pessoa querida é inevitável, corremos o risco de nos abandonar e partir junto com ela. Como resultado, nos sentiremos vazios e melancólicos, porque não temos a nós mesmos para nos fazer companhia. É preciso aprender a manter o fogo de nossa casa interior aceso, para que encontremos o aconchego do calor interno quando retornarmos “para casa” contando apenas com nós mesmos. Assim como teremos que saber “voltar para casa” no momento de nossa morte.
Nos encontramos na Terra Pura.

A Terra Pura não existe por si só, como um lugar “lá no céu”. Ela é o resultado de um estado mental extremamente sutil e puro.
A mente de lua cheia iluminada amanhece,
compreendemos que a Terra Pura está e sempre esteve em nosso próprio coração, mas que devido ao véu do apego a si mesmo e da ignorância,
visões comuns e pensamentos comuns, ou simplesmente não conseguíamos vê-la, ou estávamos procurando-a no lugar errado!
Aprendi a superar a dor das saudades: “Quando uma pessoa sente que recebeu tudo que gostaria de ter recebido de alguém, deixa-o ir”. Ou seja, a satisfação é um antídoto natural do apego.
Coragem para seguir em frente e realizar nossa vocação. Ao descobrir nossa vocação, surge em nós, simultaneamente, um profundo sentimento de coragem. Sentimo-nos muito próximos de nós mesmos quando compreendemos uma verdade interna que não pode mais ser negada. Conseqüentemente, nós nos comprometemos com a idéia de abandonar tudo aquilo que nos impedia de ir na direção de nosso destino.
“Ir de encontro ao destino é realizar plenamente o potencial que está desde sempre em nós. É como ouvir um chamado e responder a ele. Ou desabrochar todas as nossas potencialidades e seguir uma vocação. E estranhamente, o mundo costuma nos corresponder quando fazemos assim. Uma das formas de saber que se está no bom caminho e que estamos fazendo aquilo para o qual nascemos é que o mundo nos abre as portas".

Joseph Campbell nos dá uma ótima dica de como descobrir nossa vocação em seu livro Reflexões sobre a Arte de Viver “Quando Jung decidiu tentar descobrir o mito segundo o qual estava vivendo, ele se perguntou, ‘De que brincadeiras eu gostava quando era criança?’ Sua resposta foi: fazer pequenas cidades e ruas com pedras. Assim, ele comprou um terreno e, à guisa de distração, começou a construir uma casa. Deu um trabalho imenso, absolutamente desnecessário, pois ele já possuía uma casa, mas foi um modo apropriado de criar um espaço sagrado. Foi pura diversão. O que você fez, quando criança, que criasse a sensação de atemporalidade, que fizesse com que você se esquecesse do tempo? É aí que está o mito pelo qual você deve viver".
Todos nós precisamos conhecer nossa vocação: o que temos de particular para oferecer ao mundo. Não seguir nossa vocação representa um problema tanto para nós quanto para os outros, pois, quando nos entregamos à inércia da vida, nos tornamos também um peso para aqueles que estão à nossa volta.
Aquele que se recusa a conhecer a si mesmo e não segue os seus desejos mais profundos, acarreta problemas para os outros!
“Há momentos que não podemos mais nos mentir, nos contarmos estórias. Nós somos obrigados a sermos autênticos, não podemos mais fugir.
Se decidirmos nos tornar alguém que se dedica com todo o coração a utilizar a vida para despertar, temos que superar a dificuldade de lidar com o desconforto das mudanças.
Quando nos conscientizamos de que estamos resistentes em aceitar uma mudança iminente, é útil nos perguntar: “O que é preciso morrer agora dentro de mim, para nascer nesta nova fase com força e confiança?” Uma resposta é certa: nossas mágoas.
Carregar mágoas nos faz sentir cansados e sem vontade de iniciar novos projetos. Elas revelam o quanto estamos estagnados por limitações internas e externas. Ficar presos a elas consome nossa energia vital.
Cada vez que formos capazes de interiorizar e escutar nosso medo estaremos amadurecendo nosso potencial de coragem. Ao reconhecer o medo, diga a si mesmo: “Eu já te conheço, sei para onde você me leva, não quero mais te seguir”. Concentre-se, então, na sua intenção de expressar sua vocação. E finalmente lembre-se: nem tudo que é aflitivo acontece - noventa por cento de nossos medos são hábitos, idéias pré-concebidas. Mova-se para o futuro, confie nele!
(Bel Cesar é psicóloga clínica com formação em Musicoterapia no Instituto Orff em Salzburgo, Áustria)

Um comentário:

Andrea Mari disse...

Nossa Cacau este texto caiu como uma luva para mim, estava precisando ler isto!!!muito obrigada!tu és uma pessoa muito iluminada!
bjosss no coracao!