LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




13 de fevereiro de 2014

CHAMADO (Cacau Loureiro)





















Estive me debruçando sobre o tempo...
Entre as idas e vindas da eternidade
ainda o chamado material nos convida
ao esquecimento!
Mas, estaremos de pé pela fé que nos
firma e nos finca também os pés no chão.
Há música e poesia nos ventos que nos
movem ao futuro, tão perto do ontem,
tão surpresa do hoje.
Retenho as emoções em minha caixa de
cena, teatro da vida onde tantas histórias
se repetem...
Não aprendemos a lidar com a dor, com a
perda, com o não poderio humano sobre as
coisas celestes.
Escassez e bonança habitam o meu peito,
arca dos tempos onde arranco melodias de
minha triste pandora.
Aparo as arestas da alma para caber todos
os meus pesares...
Há no coração um silencioso hino, oração
para suprimir do âmago a dor, abrir nos portais
do tempo mais um dia de cânticos ao Pai Criador.

8 de fevereiro de 2014

MOINHOS DE VENTO (Cacau Loureiro)














Quem dera a vida a dois fosse o mais belo
poema... onde a pena deslizasse sutil sobre
a página em branco, dossel acetinado,
tecendo as cifras de melodias suaves...
Coloridos versos do amanhã!
Ah... Virginais encantos, sensuais enleios!
Um mundo singular onde repousar os
teus enlevos, os meus desejos...
Haverá um espaço só nosso neste desmedido
universo das estrelas, das palavras?
Crer no que vejo também é alucinação! ...
Não mais quero ouvir teorias banais sobre
o futuro e a sorte, quem de nós é o mais
profético, débil dos impulsos, louco dos
sentimentos?! Ah! Cata-ventos sem direção!
Ao lado teu quero beber das águas dos oásis
mais bonitos, ver miragens de dunas brilhantes,
vislumbrar caminhos para os céus! ...

6 de fevereiro de 2014

EM HD (Cacau Loureiro)













Caminhado tenho pela descrença que penso
serem os homens ocos, ou loucos... como for.
Ordenam-me conceituação quando levam
vida superficial e pragmática nos escaninhos
que dissimulam uma vida perfeita. Mas, sou
contraste, imagem com definição! ...
Avaliam o que sou por associação ou
corporativismo, pois hoje em dia, ter
amigos é ter partido, é congregação onde
se reza na mesma cartilha, onde se come a
carne alheia, onde se quebra o outro ao meio.
Os irracionais que me perdoem, vejo-os
animalescos e eventuais.
Mas, ainda o meu salmo é forte e o meu
tom enérgico e o meu canto alegre; ser
franco, é ser honesto, é ser inteiro e não
prisioneiro dos meandros e dos rodeios...
porque assim eu creio, um dia eu terei paz! ...
Doravante eu sigo com minhas meias vermelhas
pela estrada de tijolos amarelos...

CÂNTICO NEGRO (José Régio)


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

30 de janeiro de 2014

DESNATURAR (Cacau Loureiro)



















Somente nós nos pertencemos, posto que

ninguém nos pertence. A viagem do encanto


é imediatista, só o amor é duradouro, obra de

arte edificada a quatro mãos...

O império decaído do homem ruirá se não

olhar para dentro de si mesmo e admitir que

não tem sido generoso, e cairemos um a um.

A turba exalta a materialidade e a beleza

efêmeras conquanto vivamos no mundo

material faz-se mister reagir a opressão que

nos apressa e nos arrasta ao primitivismo.

Trago um compêndio de desnaturezas...

desejos, paixões, mágoas, expectativas.

A vida é a troca do essencial... e ela fala, e

reage e nos bate de volta.

Não te vejo mais em mim... há uma palavra

que diz das distâncias... de estrelas que se

apagaram, preciso refulgir do amor para o amor.

Danço em baladas passadas, mas quero voltar...

Pego em tuas mãos para que não partas, já que

partiste o meu coração, pois que a dinâmica

da vida tem que ser mão e contramão, nunca

desencontro.

Guardo-te em afeição para não matar o amor...

Ternura que se refugiou na escuridão do não sei,

talvez lá onde eu ouça meu próprio grito! ... 

27 de janeiro de 2014

SER INTEIRO (Cacau Loureiro)

















A caridade começa conosco, sem egoísmos torpes...
Jamais sairemos da vida que temos que viver porque
mergulhados estamos na missão da fraternidade.
Sejamos presentes em corpo e alma e coração, pois
que sem isto nos acovardamos para a vida que há
de se plenificar em eterna claridade.
Há uma só direção para o ser... SER INTEIRO!...
Os indignados são chamados perturbadores da
paz, agitadores da ordem... sem consciência
seremos pedras buriladas por mãos indignas.
Não nos entreguemos aos usurpadores do
espírito porque assim a missão estará abortada.
Quantas vidas ainda haveremos de viver para
reconhecermos um ao outro? !
Em meu caminho florido ainda há muitos espinhos,
mas, um viajor de coragem não cultua o medo, um
transformador de têmperas não se entrega a
afeições baratas, um indignado não se entrega
às torturas do ferro e do fogo, não depõe pela
força contra o seu próprio caráter!... 

22 de janeiro de 2014

DADOR (Cacau Loureiro)

Não sei se algum dia ouvirás minhas palavras...
Nunca haverá o fim para o incondicional amor.
Será que algum dia ouvirás o que te digo de
todo o coração? Há um lamento que ecoa
pelos poros, por que fechas teus ouvidos no
momento mais crítico, na hora em que tens
que aguçar todos os sentidos?!
O que ainda terei de provar para acreditares
no profundo que nutro, no eterno que tenho?
Será que tens que ir sem colocar as cartas na
mesa, por que ao menos não dizes o que vai
em teu coração?!
Por que ao menos não dizes porque te digo?
Todos temos que seguir os nossos rumos...
E pelos caminhos do mundo não seremos
todo o tempo perfeitos!...
Não há ferida que não deixe cicatriz quando
não cuidamos de quem amamos.
Não espero que cuides de mim, espero estar
sempre por ti.
Acorda em ânimo pois que nunca te deixarei só,
acorda em maturidade porque nunca deixei de
te amar.
Há um chamamento de sangue, mas acima de
tudo há o chamamento do amor.
Para um doador de vida a distância jamais será
o fim!...

16 de janeiro de 2014

CONSONÂNCIA (Cacau Loureiro)


















Na paisagem ignota dos meus quereres

a tua voz é cântico a preencher meus 


vazios de sons.


Deixa-me ir por tua várzea cultivada de


flores, deixa-me em tua barga semear 


minha boa vontade.


Ao sabor dos ventos primaveris deixa que 


eu afaste todas as tempestades...


Em primitivo ritual divino deixa-me suprimir


todas as tuas dores, abraçar tuas dadivosidades...


Eu abro os meus ouvidos, o meu coração às


tuas odes encantadas de afeto, às tuas cifras 


de beleza sem par, à tua melodia suave.


Permita-me os teus madrigais de carinho em 


sonoras ondas de paz e amor.


Por sobre tuas verdejantes colinas, deixa-me


ouvir tua música extasiante, deixa-me planar


em teu azulíneo céu, deixa-me avistar teus


campos abertos em sinfonia grandiosa em 


que se deleita o meu espírito viajor!



15 de janeiro de 2014

VIDA PERFEITA (Cacau Loureiro)















Urge arrumar as malas para a viagem
dentro de nós mesmos...
Caminho curto de poucos lugares no
trem da existência onde só se é permitido
levar o necessário.
O que nós e necessário de fato?!
Chega de andanças, seres descartáveis,
a rota agora é do imprescindível, do
preenchimento.
Quero fartar a alma do essencial, de
saciar a fome de uma vida inteira
com apenas um maná.
Quero o sal da vida que me reaviva
para respirar mais fundo e olhar mais
alto...  e sentir mais dentro.
Depois da mesmice infeliz por que
não a felicidade, a realização?!
A chave da alegria é a mudança,
a coragem de escolher o que nos
entusiasma e nos faz seguir em uma
só direção.
Pelo amor eu faço jus a vida, pelo amor
eu engendro sonhos, e só pelo amor haverá
transformação!...