LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




26 de dezembro de 2012

DEZEMBROS (Cacau Loureiro)

 
Sinto o meu espírito alquebrado...
Queria fazer fluir a minha vida assim
como o sol se espalha sobre toda cidade.
Há dezembros intermináveis dentro de mim...
A força sobre humana que me movia adormecida
está nos atalhos tênues dos humanos afetos...
Revolvo pedaços de coragem como se incitasse
animal dos mais ferozes.
A rima cala-se e não há pranto, recolhe-se o verso
e não existe esperança.
A folha branca está morta, imóvel com a inanição
dos ventos que movem meus caminhos.
Os anos passam atropelados como quando aprendi
a contar em velha infância; há desordem na
memória que não revive os momentos há muito
desfalecidos de senso.
Busco razões que me façam transbordar as letras...
Em um coração que pulsa estrofes mortas!...


18 de dezembro de 2012

PULSÃO (Cacau Loureiro)



Verão que em mim não cessa,
intermináveis noites!...
Vãos do tempo a impor o
descompasso do mundo.
Quando se dará o encontro
permanente?!
Explosão de estrelas, miríade
a avançar sob a pele extraindo
gostos, cheiros, profanando as
horas...
Ainda o grito permanece preso,
o nós a mais represa vontades,
apreende a poesia; o desejo só
pode ser inteiro, completo e cabal
ao compasso de quatro mãos, e
não mais.
A música de nossas vozes ainda se
expande no universo como promessa
a ser cumprida.
Longos os dias em que deixo de te
viver!...
Hoje não mais vivo... esperas...
Hoje não mais sonho... lembranças...
Hoje não mais falo... silêncios...
Hoje não mais concebo... entregas...  

4 de dezembro de 2012

SAZÃO (Cacau Loureiro)



Há canções de liberdade nos ventos que
me abraçam...
Até quando esperarei pelo pleno verão?!
As rimas do novo tempo já se prenunciam,
mas, ainda não chegou a chuva que
purifica o que é mais do que sagrado.
Dores, lágrimas e júbilo nesta tempestade
oculta em meu peito prestes a irromper.
Até quando esperarei pelo pleno verão?!
Promessas represadas nas mãos de ardilosos...
incautos crucificados sem perdão.
Não sei esperar pelo tempo que não vem
porque chronos e kairós não se compreendem,
não se acertam em meu relógio que não para!...
A poesia adormece silenciosa em ritmo
monossílábico de lamentos, sacrifícios vãos...
Estradas me apontam belíssimos caminhos
mas, os trilhos dos sonhos empilhados compõem
agudo acorde para os meus ouvidos.
Não aprendi a esperar pelo tempo que não vem,
pois preciso alimentar a minha alma e
necessito ser a música duradoura...
Até quando esperarei pelo pleno verão?!...

29 de outubro de 2012

ADVENTÍCIO (Cacau Loureiro)
























Sinto-me um estrangeiro...

Na própria terra em que solidifiquei minhas
raízes, sinto-me um renegado.
Olho nas faces dos meus irmãos e não
os reconheço, olho nos olhos dos que
são sangue do meu sangue e não os
reconduzo a mim.
Profetas proliferam-se na terra que hoje
é de ninguém, e quem irá profetizar a paz,
professar a concórdia?!
Desertos homens desertores de si mesmos...
Alimento-me da renúncia, porque ser consciente
é abdicar do próprio solo que me consagrou.
Não venho de lugar algum, não sei para onde
irei... pois que ser humano é acreditar, é ter fé de
que a centelha divina habita em nós, e já
não importa para onde vou, dado que não será
pior do que de onde advim.
Portanto, eu sigo o curso dos ventos, o curso
dos rios, sem batismo ou salvação.
Minhas palavras são as parábolas do tempo,
o verbo que um dia há de ser sacrossanto porque
não levantou bandeiras de remissões.
Guardo o grito de um espírito livre, um forasteiro
das eras que sabe que o seu resgate está em
suas próprias mãos.

21 de agosto de 2012

HUMANA NATUREZA (Cacau Loureiro)


Grande Pai...

Tu sabes dos sentimentos que regem o meu

espírito. Apartai, pois, de mim qualquer mágoa,

ressentimento ou resquício do desejo de vingança.

Que aqueles que me acercam possam ver além dos

meus olhos que choram, algo de limpo em meu coração,

e também, a clareza de minha alma agora triste.

Que Tu possas amenizar o azedume e o amargor do

passado, porque hoje só quero seguir adiante.

Prosseguir através da tua mão.

E diante de ti ó Pai coloco o meu coração combalido,

cansado das contendas inglórias onde eu lutei pela paz,

e que o meu peito seja imune à discórdia, conquanto

não saibamos de perdão.

Amado Pai, esgotada estou pela solidão acompanhada

dos dias atuais, nós que olhamos e não enxergamos,

nós que sensibilizados pelos apelos do mundo, não

nos sensibilizamos. Que sejamos Pai, humanos com

humanidade, que sejamos próximos com proximidade

de corações.

Quando elevarmos a Ti nossas orações, saibamos

reconhecer o pouco que somos em nossa humana

natureza e o muito que temos que evoluir para o

engrandecimento da tua obra.

Que a cruz que Te elevou no calvário indelével,

aponte-nos verdadeiramente o céu dentro de nós.

Assim seja!...

14 de agosto de 2012

EXTINGUÍVEL (Cacau Loureiro)

Ousei ser andarilho e caminhar mil anos,
pois sem conta combati em solidão...
As vias do coração são marginais,
somente os loucos as saberão.
Ousei ser poeta e narrar mil epopeias,
mas, jamais escrevi uma canção.
As rotas do mundo são desiguais,
somente os bardos as saberão.
Ousei ser profeta e secar mil prantos,
e mil vezes o meu choro cultivou o chão.
As jornadas de uma alma são míticas,
somente os filósofos as saberão.
Ousei ser peregrino e encontrar a paz,
desbravar montanhas em meio à multidão
e quebrar pedras com o coração...
E descobri perplexa que somente os
bravos perecerão...

19 de julho de 2012

ILUMINADA (Cacau Loureiro)

Comungo a taça que me consagras... e que
Deus me afaste o cálice da indiferença.
Pobres filhos deste mundo órfão!...
Que descortinemos a alma dos véus da
superficialidade. Abramos nossos chacras
para a energia vital da vida, amor!...
A luz que vem de ti reveste-me o espírito,
prata luz que me doira os dias... dias
endoidecidos de nós.
E que os nós desatem na aura perfumada
do teu colo, na maciez de tuas mãos de
dádivas, no teu berço esplêndido de benesses.
E que a prece que balbucio entre os lábios
secos nas noites mal dormidas em que o
teu amor me falta, os anjos sejam a guarda
desta estima, as sentinelas divinas refaçam-me
sempre, e tanto e quanto baste diante do teu apreço,
 pois que ao teu lado eu fico Iluminada!..

12 de junho de 2012

SINTAGMA (Cacau Loureiro)

O amor é o ritmo dos sentidos, portanto, jamais
haveremos de esquecer o que somos...
Em ser...
No sentido do amor estejamos vivos, em instante
de paz contigo eu liberto, compreendo, vivifico.
Como dantes escrevo hoje, pois o amor que sempre
foi e tem sido... farol de minha alma porque tudo eu
tenho contigo! Posto que também há verdade na
coragem que rege o coração, mãos que juntas seguem,
pés que tecem caminhos.
Esculpo-te em poesia, canção que alimenta o mundo!
Delineio-te cinzelando mansamente a eternidade e
coloco-te no mundo sobre um pedestal de sabedoria,
já que saber é amar.
Sem ti não sei sobre vida, sobre vida sempre é amar
e sobretudo nos mover no amor; sobre o amor, doravante
ele permanecerá contigo, comigo, conosco, será nós...
Também que teremos que desatar.
Pois que a vida sem ti, não sei, não saberei o que
é amar!...

30 de maio de 2012

GEOIDE (Cacau Loureiro)

Vislumbro os quadrantes do mundo e
sei que rondam as nossas tendas os
que buscam nos roubar a paz...
Não há silêncio algum em mim, embora
tantas vezes me cale.
Quando ouvirei as respostas da Terra,
quando acolherei os ecos dos homens?!
Meu universo diminuto e resoluto como
infinito quebra-cabeças não me deixa
fazer parte deste jogo; por isto eu choro
e também ouso.
Quanto mais eu penso, mais eu ponho-me
a pensar, assim também me desconheço.
Descobri de repente que a minha verdade
está em ser eu mesma, e, eu mesma sou...
Quando descobrirem o que vejo com os
meus olhos e o que sente o meu coração,
a dinâmica até hoje vivida será desconhecida.
A força dos meus braços é um milésimo da
força que promana do meu espírito, porque
palavras em fúria também o sou.
Tudo isto, isto tudo... é porque descobri
estupefata que a minha indignação é a
pulsão que me faz sobreviver...

22 de maio de 2012

MILÊNIO (Cacau Loureiro)


Preciso entender a dureza dos que me acercam...

A insensatez dos egoístas, a cegueira ensaiada

no espelho das vaidades, vazios discursos.

Homens... humanoides na terra de ninguém?!

Quantos séculos precisaremos para aprendermos

a fazer os votos da sabedoria!...

Fé encubada nas torres dos templos profanados

pela soberba guiam os trilhos da modernidade.

Sigamos, pois, então velozes às estações de

lugar algum.

Haverão sinos para nos acordar?!

Tateio em derredor, entre os destroços os meus

dedos dedilham as notas pelas quais se vendem

os homens de Deus.

Vozes que nada me dizem ecoam em meus

ouvidos como zumbidos escarnecedores.

Desejoso meu espírito suplica pelos cânticos dos

dedicados guardiães das perdidas almas.

Eu quero entender...

O que me dói e me demora no peito não

sei dizer... pesa-me a vida em tantas vidas,

pesares. A vida presente eu sei, esta me dói...

26 de abril de 2012

DO TANTO QUE TE AMO (Cacau Loureiro)

Do tanto que te amo eu tenho dormido em
estrelas, eu tenho sorvido o sol...
Na dinâmica do mundo veloz, só em ti há o
sossego, só a tua voz é vibração pulsante em mim.
Aprazível são teus braços a convidarem-me para os
deleites da alma, para os instintos do corpo, porque
em teu dorso nu eu inalo o cheiro dos afetos, aspiro
o aroma dos sonhos.
Todos os sons da tua lira movem meu universo,
posto que a tua paz são meus versos vigorosos,
rimas preciosas que dedilho em ti...
Em energia vital refaz-se o nosso encontro,
puro encanto de quem descobriu as minas das
raridades, olhos de diamante...
Valioso é o teu amor, minha visão primeira
nas belíssimas alvoradas; percepção única
dos meus sentidos ao fim do dia.
Não há fim para os tempos em que nos permitimos,
recomeços sem fim!...
Nada morre mais em mim quando contigo, pois que
revigorante é a tua afeição amante, amiga.
Do tanto que te amo... em ti eu sou!...

18 de abril de 2012

METAFÍSICO (Cacau Loureiro)

Eu sei que ainda as flores permeiam nossos
caminhos e suas cores ainda ressuscitam almas
semimortas...
O Deus que habita em mim sempre saudará o
Deus que existe em ti.
Supremo é o teu amor que através de tuas mãos
aquece o meu coração para uma nova vida.
Eu quero viver o inarrável contigo...
As pedras de hoje serão velhas lembranças no
amanhã porque acredito no que nos move...
coração, palavra e pensamento.
Assim como as águas dos generosos rios da terra
o amor correrá em nós para sempre e em suas
variáveis mutações, eu sei que caminhará
para o fértil.
A natureza é primorosa, e assim como ela é
transformadora, também nós nos reformaremos.
A promessa está feita, pois que, pelo amor que
transita entre os homens ela estará cumprida,
no verbo e na carne, no material e no astral.
A tua história belíssima nos diz de misericórdia,
ensina-me o maior dos afetos, por isto repouso
contigo em teu leito de carinho e de lenidade.
A escolha foi feita, como a melhor das colheitas
nos campos da humana mansidão.
Não desisti de sonhar, meus olhos físicos podem
não ver, mas com os olhos do espírito eu
descerro bela morada posto que o teu lar será
meu lar, tua luz será a minha luz.
Sementes de paz espargem-se nos jardins onde
encontro descanso, onde o colorido da vida
vive e perpetua-se no teu meigo olhar...

POR SEGUNDOS... (Cacau Loureiro)

Preciso de tempo para assimilar
todos os golpes, para aguentar
todos os assaltos...
O suor inunda os meus olhos, o
seu sal me queima a alma;
no sufoco eu reprimo a ira.
O inimigo diante das vistas, os
meus braços ao longo do corpo.
Os meus punhos doloridos, o meu
espírito exausto.
Em síndrome apoplética desfigura-se
minha postura atlética... estática,
atônita eu ainda golpeio a minha
face mais oculta. Recosto-me uma
vez mais nas cordas poéticas, pois
quadrilátero é o ringue da vida!...
Teus lábios, lona fina fantasmagórica...
Não sei se desfaleço ou morro por
segundos... tecnicamente não me
entreguei ao nocaute.
Eu sei sobre o peso do mundo em
minhas costas, tuas mãos como
luvas não me libertam os dedos
da dor torturante, meus gemidos
não têm respostas, o meu rosto
no piso ondulante, ao longe o soar
do gongo; o ar, a água é como gole
abrasivo que a minha garganta resseca.
No último instante, ao derradeiro golpe
eu desperto, um filete de esperança
subsiste, reveste-me.
Hauro o fio de vida que me resta, penso
no tênue laço que a esta terra nos prende...
levanto os olhos, alço para os céus minhas
mãos como asas...
Transponho as grossas cordas do medo,
vislumbro a multidão que grita...
Algo em meu peito se agita... estou de pé,
refeita, pronta novamente pra luta.

16 de abril de 2012

ENDRÔMINA (Cacau Loureiro)

Há diamantes raríssimos incrustados nos
subterrâneos dos homens, contudo, muitos
são mineiros de uma só jornada... Posto que
há patrões da prata e do ouro, mesmo os ladrões
companheiros de príncipes.
Somente nos corredores escuros onde
amealhamos tesouros é que damos valor ao sol.
As pedras raras ora estão escondidas sob o véu
das alheias vaidades ora sob os mantos dos
pseudo-santos bandidos.
Não faço aqui a apologia dos desencantados, mas,
na ciranda dos desafortunados espirituais nós é que
somos carrascos, nós é que pagamos o pato.
Ouso dizer que não há escravos na Terra, há
senhores de si mesmo porque onde depositas
o seu coração lá está o seu tesouro.
Na modernidade sem chibatas as vozes do
poder nos é açoite, pois no solo dos grilhões
a seara da labuta será sempre evolução.
Muitos há a usurparem as riquezas do mundo e
a mendigarem óbolos aos céus...
Quem de vós tem o poder, quem de vós tem
a verdade?
Eis que, verão os que têm olhos de ver, ouvirão
os que têm ouvidos de ouvir!

27 de março de 2012

ROSICLER (Cacau Loureiro)

Tenho visto o tempo correr como um trem expresso,
dias, rostos, rotas, trilhos notórios... onde o pensamento
é relampejo de saudade...
Há nostalgia e compaixão pelos que se foram, pelo que
se foi num adeus que não se conjugou.
Caminhos retos, eternos e divisos cruzando-se com as
curvas do tempo que constroem tantos atalhos no
itinerário dos homens.
Diante dos meus olhos um álbum datado de pessoas...
encontros onde queiramos ou não a solidão impera.
Em algum lugar do hemisfério as cerejeiras florescem
em tons que alegram e enobrecem os recônditos da
terra, em semitons que nos preparam para as mudanças
alvissareiras.
A natureza renova-se... e como coabitantes do mundo,
cresçamos buscando a luz que vem do átomo divino.
O tempo voa e no entanto não existe pretérito, pois
que o passado e tarjado em nosso espírito como a joia
legítima do vivido momento, e eu digo que conheci raridades.
Ainda jogo as sementes pelo solo árido dos homens e desnudo
meu mundo oniricamente empírico.
Experimento a dor de ter sobrevivido às mudanças, posto que
primaveras vivem em mim como rosicler de esperança.

14 de fevereiro de 2012

SONDA-ME (Cacau Loureiro)

Sonda-me a alma Senhor, porquanto a seta
dos ímpios corta minhas sendas.
Coloca, pois, tuas sentinelas ante minhas
janelas e portas para que eu preserve teu
santo nome perante os dissimulados, porque
eles não têm misericórdia.
Prepara ó Pai o meu banquete.
Faça-me teu soldado, revista-me de força
e coragem para que eu não permita que eles
tomem o meu coração de assalto.
A ignorância dos covardes é tremenda, mas,
a minha hora não é esta, uma vez que ainda
verei a tua espada resplandecer na justiça.
Valha-me ò Deus nesta batalha que ora me
parece interminável... Quando virá teu refrigério?!
Cessa-me o pranto ó Senhor de benignidade,
esconda-me sob tuas asas quando me espreitam
os iníquos.
Lava-me no sangue do Teu Cordeiro para que
a minha alma não pereça, desanuvia minhas vistas.
Que os olhos de brandura do Mestre Amado cicatrizem
minhas chagas, que as suas mãos milagrosas guiem
meus passos na certeza e meus atos na sabedoria.
Que a sua infinita misericórdia restaure minha fé
na tribulação que antevejo.
Que os anjos do Senhor guiem-me, amparem-me
para que este humilde filho não sucumba ante
os escarnecedores.
Depositei minha alma nos braços do Grande Pai
porque somente Ele é amor e poder eternos.
Amém!...

9 de fevereiro de 2012

LAVRADIO (Cacau Loureiro)


Alguns duvidam pelo que veem, que Deus é conosco...

Ainda que angustiados os nossos corações, Suas
promessas movem-nos e o seu amor consola-nos.

Neste mundo visões do mal estão em toda parte,
porque não somos obedientes porque os que

trabalham para o bem são perseguidos.
Mas, a centelha do Criador vive em nós, e mesmo

na sombra que vivemos, nós reavivamos a Sua luz, e
 vivemos no redivivo Filho do Homem para que Ele

cinja-nos a fronte com sua benignidade e mansidão.

Ao Pai de misericórdia coloquemo-nos com humildade,
sabendo que o seu tempo não é nosso.

E assim confiemos, creiamos no impossível porque
o impossível não se vê.

Descansemos, pois, à sombra Daquele que é Excelsa Luz,
maior amor, onipotente espada.

Na amargura, renovemo-nos em Seu imaculado sangue,
no desespero, remocemo-nos em Suas boas novas,

na solidão, corrijamo-nos para o bom futuro.
Lábios francos e honestos não beijam a outra face

com traição, não há sabor mais amargo que o
da vingança. Esperemos no Senhor posto que

é estreita a sua porta e vastos são Seus campos
onde só germinam frutos bons.

2 de fevereiro de 2012

REVELAR (Cacau Loureiro)

As flores do teu caminho permanecem em mim...

Pois que não há nada que me faça confluir

à inspiração senão pelo que vem de ti.

Entorno pérolas aos teus pés porque sei
que há raridade em tua existência, vida

que é bem-vinda em mim.
Não há palavras quando o meu silêncio é

comoção de sentimentos, poema que não

descreve rimas, mas, traduz tuas benesses

em ternas orações, em dileções e preces.

O mundo é um privilégio, sortilégio é encontrar-te

e ter-te em íntimo trato... entrelaçadas mãos

de maior afeto, benfazejo toque.

Enigmas vários há neste universo, perguntas

sem respostas, segredos da Criação.

A Mãe Excelsa e a terra fértil te bendigam!...

Em teus olhos, em tuas mãos, em teu abraço,

não há incógnitas para maior e generoso amor...

1 de fevereiro de 2012

CONFIANÇA (Cacau Loureiro)

Colori meu coração com esperança...
Na dança do mundo onde a ilusão faz a
festa eu sigo acordes mais mansos.
Neste dia de sol, alísios elevam as aves ao
céu e enfeitam meu espírito com mansidão.
Volto-me ao passado, não mais as ladeiras
do pretérito comovem ou cansam-me o eixo.
Meu tempo é de alegria e de fôlego tranquilo.
Aprendi que a justiça dos homens falha, mas
que o Supremo Criador dá conta de tudo e de
todos, porque o tempo de Deus não nos pertence
e que homens em altares nada valem.
Movo-me no mundo pela fé, movo-me pelo
invisível, movo-me porque sei que a certeza
que possuo é indestrutível...

9 de janeiro de 2012

LAÇOS DE AFETO (Cacau Loureiro)

Belo amanhecer, pois há uma luz a brilhar
nalgum lugar...
Só olhando para o alto constatamos que o céu
é azul e que há pássaros que sobrevoam
nossas cabeças num ir e vir de renovação.
Há cânticos por todos os lados, bálsamos do
Criador a curar nossas feridas.
Eu enxergo, eu verdadeiramente vejo quão
pequenos grãos de areia somos neste imenso
mar de vida!...
Sentidos aguçados também trazem sofrimento,
porque a olhos vistos os homens se degeneram
na intolerância, no desprezo e na ambição.
Desmedido descaso extermina laços de afeto,
preciso é que cresçamos no outro em entendimento,
mas, onde há pedras não germinam boas sementes.
Para o bem só há um verbo, ação.
Somente os fortes sabem sobre amar...
Quisera eu poder entender, no entanto, choro.
Quisera eu poder entender, no entanto, oro.
Quisera eu poder entender, no entanto, vivo.
Quisera eu poder entender, no entanto, amo!...