LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,Tu que dormes das nuvens entre as gazas,Sacode as penas, Leviathan do espaço,Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas. (Castro Alves)

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REFLEXÃO

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada. Viajo sozinha com o meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada.Levo o meu rumo na minha mão.(Cecília Meireles)

1 de maio de 2020

PÃO NOSSO (Cacau Loureiro)















Há um ponto no universo para onde todos os seres 
convergem de onde toda energia celeste promana.
Onde o redivivo constantemente toma e
origina as almas e as toca com todo seu amor.
O sopro divino que existe desde o princípio
dos tempos é manancial criativo inesgotável.
Sua liberdade é soberana ante os podres
poderes constituídos no mundo, pois no
tempo eterno que só pertence a Ele a
História de todos nós vai sendo burilada com
o cinzel preciso que toca preciosa pedra, posto
que poder e glória são somente seus.
As aves do céu fazem seus vôos, mas somente
a união as faz chegar aos seus lares onde seus
ninhos acolhem os jovens filhos da verdadeira
transformação.
Na sinfonia do universo a música que embala
as constelações é a fé, luz incandescente que
rebrilha em todos os cantos da terra, como
farol para os designados navegantes.
Odes ao dono do mundo, pois sua misericórdia
toca nossos corações com verdade.
As feras que hoje promovem a mortandade,
a fome e a miséria serão estocadas em seus
instintos pelo cajado forte e implacável da justiça.
Porque aquele que tudo criou não descansa, sua
seara constante é zelar por nós em charrua
silenciosa de paz.
Inexiste a luta entre bem e mal, pois o Senhor dos
mundos não barganha poderes, o bem é como bilhões
e bilhões de estrelas que se espraiam pelos céu
iluminando todos os recantos do globo.
As hostes que intentam tomar o poder das nações
serão desnudas ante suas próprias veleidades, pois
o império dos homens é ilusão, será o pó sacudido
das sandálias do divino para a sarjeta do esquecimento.
Não haverá forcas, não haverá guilhotinas, não haverá
paredões, nem grades ou grilhões; 
Liberdade e consciência serão seus juízes e as lágrimas
limparão os seus olhos e a verdade sentenciará os seus 
crimes e véus e máscaras cairão como água para suas 
almas sedentas... E verdadeiramente o Pai nosso que está
nos céus será o pão nosso de cada dia alimentando nosso
espírito viajor!...


4 de abril de 2020

UMA PRECE (Cacau Loureiro)












Do velho ao novo mundo, do oriente ao ocidente,
dos confins do mundo todos nós elevamos uma prece...
Pai, não nos deixe perecer ante o inimigo invisível;
leva-nos para os montes onde tuas mãos benignas
recebem em graça os filhos teus.
Deitei-me em tua relva por toda a vida e ela foi doce
e perfumada, bálsamo para o meu corpo cansado.
Em todas as línguas também as nações louvaram-te,
pois que ainda bilhões de almas clamam e vivem por ti.
Olha teus filhos... procissões mórbidas ante as luzes do
progresso suscitam lágrimas que jamais serão esquecidas.
Eu confio em teus desígnios, eu entendo suas razões...
queria ser sobre-humano para sustentar e suster tantas dores.
O tempo se encurta do calvário aos dias de hoje, como
comparar uma humanidade em padecimento?!...
Quero cantar bem alto tantos hinos, quero recitar tão alto
tantos salmos... mas o coração soluça, sobressalta-se.
Ante nossos olhos que testemunham, governos
ambiciosos, hostes maléficas travestidas de gente
dando ordens sem poderio ante sua infinita justiça.
Por séculos e séculos sabemos o quanto pecamos,
por séculos sedentos buscamos-te... pois ainda
queremos Te encontrar, entender no profundo
suas parábolas... com humildade tocar tuas vestes.
Sob o sol poente do calvário elevamos-te uma
prece... Poderoso Deus tende piedade de nós!...

25 de março de 2020

EU CONFIO (Cacau Loureiro)


]













Eu confio no Senhor dos tempos...
Posto que Ele seja princípio, meio e fim.
Em Suas mãos coloco meu espírito quebrantado
porque seu sopro vivificou-me a alma e seus
desígnios também permeiam meus passos
porque sua criatura sou.
Ele está entre nós, nas crianças inocentes que sorriem
em cada lar, nas que choram... nas ruas e esquinas
desse louco mundo.
Está Ele entre nossos anciãos que perecem, mas que
estão sob seu cajado de misericórdia, em amor e em bondade.
Confio no Pai, não esqueci que o Seu amor zela por mim,
zela por nós.
Eu confio no Senhor dos tempos...
Posto que Ele seja alfa e ômega, também lagar
onde o seu supra-sumo permanece em nós,
está naqueles que vivem em sua glória
pela solidariedade entre os seres, pela
compaixão que aprendemos há mais de dois
mil anos com sua passagem na terra.
Nada se compara ao Gólgota, estamos como
soldados sob sua ordem e aguardamos
pelo teu manto de refrigério, pelo teu perdão,
pelo teu imenso amor...
E seguiremos Pai amoroso os teus ensinamentos
mesmo que nos últimos tempos os tenhamos
esquecido na correria do efêmero, nas lutas do dia a dia
sem saber que só se vence a luta sob sua égide
santificada, sob seu cajado poderoso, sob a força
do seu Verbo Criador. Amém!

1 de fevereiro de 2020

ESTRATIFICAÇÃO (Cacau Loureiro)















Há amargura nos dias que avançam...
A poesia estanque resseca consumida pelas
areias do tempo, lapso... tempo que não volta,
tempo que não vem.
Sinto música melancólica nos becos que
perscruto... nada escuto... nada ouço... nada
distingo.
Esforço-me para aguçar todos os sentidos, os
passos lentos são contraponto na pressa que
recorta o mundo, a vida que passa apressada
ante meus olhos assustadiços.
Lá no caos das estrelas desapontadas eu
busco um lampejo de luz, um feixe que
erga o meu corpo, levante meus sonhos.
Ah... minhas raízes buscam a seara de um
passado saudosista e neste intento elas
retorcem-se, curvam-se doloridas nos
meandros desta terra em que tenho
combatido.
Ah!... meu peito e minhas mãos precipitados 
não dão sossego ao meu espírito combalido.
Ouço cânticos aflitivos vindo de toda parte
e dentro de mim eles ecoam intentando
despertar-me para outra janela onde eu
encontre face a face o sol das palavras.
Preciso provar o sal dos frutos deste solo
há muito arado, batido, pedregoso, rascante.
Como Clarice quebro rochas... e é duro quebrar
pedras, assim dormito na esperança de que
voem faíscas e lascas como aços espelhados.

29 de setembro de 2019

PALAVRAS AO VENTO (Cacau Loureiro)













As letras se vão com o vento... Nas esquinas do mundo
não se encontram as palavras... o não dito maldito mata
ante os faróis acesos, pois que a noite caiu entre os homens.
A boa fé não cria as rimas sequer raízes, posto que as sílabas
estão mortas nas ruas desertas dos seres.
Palavras silenciadas nos guetos, o grito mudo e mordaz
corta as madrugadas que se estendem dias adentro.
Ante o fio da navalha a carne sangra... o peito cala.
Tento viver, sobreviver... choram as letras dos meus
versos perdidas nas esquinas deste mundo quase morto.
Todas as lágrimas não irrigam o solo seco dos desertos interiores,
pois no fosso dos malditos homens rotos nada nasce, nada cresce.
As feras estão soltas porque o discurso é de guerra nas arenas
febris do fanatismo, e doentes estamos, e seguimos em marcha
estendendo as bandeiras separatistas dos não humanos...
o que será que somos?!...
Os hinos de combate soam altos nas trombetas apocalípticas
dos senados e dos tribunais, os podres poderes silenciando a voz
da justiça que não existe e não se faz.

ANIMA MUNDI (Cacau Loureiro)















Maravilhoso é o mundo, o mundo que minha
alma conhece... o passado como vento forte
irrompe das minhas entranhas e vem dizer prossiga.
E como um cavalo indomável que com nervos e
músculos corre para Haras... para Éden prometido.
A lei impecável do destino, o martelo indomável
da justiça cintila como farol... fome que consome
toda a escuridão, lúmen que espanta meus olhos.
Sorrio fitando o horizonte porque sei que não há limites
para quem sonha. Meus pés no chão, poeira e pedras,
mas a estrada aponta para o infinito...
O meu espírito se abre para o sobrenatural!...
Ondas, calor, vozes que habitam o meu âmago falam
sobre os desertos e seus manás, a caravana invisível
que percorre toda a esfera vivente. E eu sei, eu tenho
a certeza, esta fé me impulsiona.
Invisível percorro dimensões, minha alma aberta, 
o meu corpo fechado... espírito liberto em ascensão!...