LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

Seguidores

REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




29 de novembro de 2009

SER FORTE (Paulo Queiroz)


O homem fraco teme e treme diante da doença e da morte; o homem forte vê a doença e a morte como naturais e inevitáveis; e as lamenta quando violentas ou precoces;
O homem fraco recua ou foge diante do perigo; o homem forte o enfrenta sempre que necessário;
O homem fraco julga, quase sempre, que o melhor da vida e do mundo já passou; o homem forte crê que o melhor está por vir e que o melhor da vida se realiza a cada momento;
O homem fraco busca a religião por medo ou desespero e interesseiramente; o homem forte, sem temor e serenamente; ou não a tem;
O homem fraco adora bajular e dissimular; o homem forte tem horror à bajulação e à dissimulação;
O homem fraco é presunçoso e pretende que o tomem como exemplo de correção; o homem forte não quer ser exemplo para ninguém; luta por ser fiel a si mesmo, porque quem é fiel a si mesmo não trai a ninguém (Hamlet); por isso, não cria falsas expectativas, nem ilusões;
O homem fraco adora espíritos servis e a moral de rebanho; o homem forte os ignora e luta para que os homens se tornem quem realmente são (Nietzsche);
O homem fraco tem horror à crítica; o homem forte não vê muito sentido no elogio e o tem sob permanente suspeita;
O homem fraco adora atribuir seus erros e responsabilidades aos outros (homens e demônios); o homem forte assume seus erros e aprende com eles;
O homem fraco ama palavras de ordem e exalta a obediência; o homem forte desconfia de todas as palavras e do que está por trás delas;
O homem fraco sente prazer na dor do inimigo; o homem forte a lamenta ou lhe é indiferente;
O homem fraco busca desesperadamente popularidade e reconhecimento; o homem forte é discreto e confiante;
O homem fraco é preconceituoso; o homem forte, tolerante;
O homem fraco é rancoroso; e o homem forte sabe que esquecer é essencial à saúde (física e mental) e à afirmação da vida.

28 de novembro de 2009

OUTONOS E PRIMAVERAS... (Pe Fábio de Melo)

Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.
A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.
A primavera só pode ser o que é porque o outono a embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assovios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas, que, mais tarde, serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.
São as estações do tempo. São as estações da vida.
Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos fazem abraçar o silêncio das sombras...
Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que, depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras...

Floresçamos.

27 de novembro de 2009

O QUE VOCÊ BUSCA NA VIDA? (Luis Gasparetto)

Seja lá o que for, você se busca. Poucas pessoas se dão conta de que estão se procurando. Temos a imperiosa necessidade de nos realizarmos, de nos sentirmos preenchidos de nós mesmos. Queremos ficar cheios de nós.
Para tal, necessitamos de nosso apoio e de nossa aceitação. Temos que usar toda a nossa auto-atenção, nosso auto-respeito e confiarmos integralmente em nós mesmos.
Seria simples, se não fosse a mania que temos de nos pendurar nos outros. Nascemos dependentes e crescemos nos recusando a nos tornarmos independentes. Queremos sempre usar as capacidades dos outros, queremos a consideração das pessoas recusando a usar as nossas: estas nós só usamos para os outros.
Queremos o apoio daqueles que estão à nossa volta e recusamos nosso próprio apoio. Pagamos caro para ter “alguém” para nós, enquanto nos rejeitamos para ser como esta pessoa quer que sejamos. Somos prisioneiros de obrigações para que o mundo nos aplauda e nos crucificamos para que os outros nos aplaudam, enquanto nos recusamos a nos reconhecer como pessoas maravilhosas. Queremos ser especiais para nossos amigos enquanto nos tornamos escravos das expectativas, fazendo nossas míseras existências vazias e insatisfeitas.
O nome disso é egoísmo.
Quem disse que egoísta é alguém que só faz o que quer está muito enganado. Egoísta é aquele que faz tudo para os outros na esperança de que eles cuidem de suas carências. Qualquer carência é auto-abandono. Só somos impotentes quando somos pretensiosos, e só somos pretensiosos quando estamos cegos aos nossos limites e necessidades e queremos bancar os gostosões para explorar os aplausos e favores dos outros. Acabamos por nos mimar e nos tornamos fracos e derrotados.
Buscar o apoio nas pessoas nos liquida. Esperar aprovação da torcida empata nossa vida. Contar com o amor dos outros nos torna mendigos de afeto. Olhar-se com os olhos dos outros cria sempre uma falsa auto-imagem e uma baixa auto-estima. Querer agradar sempre faz de nós uns chatos. Esperar valorização das pessoas nos deixa à margem da vida. E, finalmente, mordomia atrofia nossos potenciais.
A auto-responsabilidade nos torna independentes e capazes de nos realizar. Você, na verdade, só precisa da sua ajuda e nada mais.
Vá em frente e conte apenas com você mesmo.

26 de novembro de 2009

FOTOS... FOTOS...

[Música Para Teu Amor de Juanes]

Para teu amor, eu tenho tudo
desde meu sangue até a essência de meu ser
e para teu amor que é meu tesouro
tenho minha vida toda inteira em teus pés
tenho também um coração que morre por dar amor
e que não conhece o fim
um coração que bate por você

para teu amor, não há despedidas
para teu amor eu só tenho eternidade
e para teu amor que me ilumina,
tenho uma lua, um arco-iris e um cravo
e tenho também
um coração que morre por dar amor
e que não conhece o fim
um coração que bate por você
por isso
eu te quero, tanto que não sei como explicar
o que sinto
eu te quero, porque sua dor, é a minha dor
e não há duvidas
eu te quero com a alma e com o coração,
te venero
hoje e sempre, obrigado eu te dou meu amor,
por existir

para teu amor eu tenho tudo
eu tenho tudo e o que não tenho também
conseguirei
para teu amor, que é meu tesouro
tenho a minha vida toda inteira a seus pés
e tenho também...

SEM FRONTEIRAS (Cacau Loureiro)


Ninguém almeja a dor, embora, ela doa e pronto,
Contudo, é também na dor que nos reconhecemos
no outro.
O mistério da vida é cabalmente igual ao mistério
do amor... São mente, corpo e espírito em altos planos
astrais edificando para além da eternidade.
Também quero a unidade dos eternos laços, plasmados
no burilamento interior daqueles que pleiteiam a trégua,
daqueles que se alforriam do exclusivismo, das tolas vaidades
de tudo isto que nos prende ao mundo vil e material.
Nesta existência em que estamos em um só barco,
não existem superiores ao qual devamos sucumbir
às vontades, pois preciso é que haja o desejo
indissolúvel do caminharmos juntos, e partilharmos
a concórdia dos que se entendem pelo olhar.
Necessário é remar as galés da ética para não sucumbirmos
a caprichos e vislumbres dos ventos da intolerância,
do amor-próprio, das vãs filosofias e das psicologias
baratas que adentram o mar do desprezo.
E que saibamos tocar o outro para que possamos
elevar além do horizonte uma nova alvorada sem
a presunção dos que acham que já sabem demais.
Eu quero sim, a paz que liberta e emancipa o espírito
dos cônscios na responsabilidade para com outro.
Nas mãos que se tocam sem palavras, no silêncio
que explode no infinito das essências belas.
Não quero o medo dos que não abrem as asas de
seus corações para viverem um grande amor, e planarem
no céu das emoções extremas, angelicais e, no entanto
cheia de tribulações, pois que só se chega ao cume
depois de longas invernadas, só se mata a sede depois
de longas jornadas.
Desejo também que as avalanches de pedras sirvam-me
para apurar o espírito, porque não podemos ter medo
da vida, posto que é dádiva e honraria do supremo criador.
Eu quero espinhos, flores, o manto, o frio e o calor,
o sal e a água alçados na lança, que lancinante eleva-me
também ao céu.
Quem não aspira a afeição maior, não respira a
vivacidade dos que têm a divindade como promessa...
Eu quero sim, a terra prometida, evangelizadora na
luz que restaura e nutre somente através do amor!

GNOSE (Cacau Loureiro)


Nesta viagem cibernética, internética, espacial,
eu sobrevôo teu singular universo, visito o
teu espaço factível e virtual.
Em ficção, teclas e poesia eu vislumbro,
compartilho e edifico toda a tua ideologia.
A tua cósmica mensagem unida a minha
abre as portas de difusas nebulosas;
Plasmando nas caudas luminosas dos cometas
todas as nossas aspirações deveras utópicas.
Via Láctea apontando para o caminho que me
levará ao teu flamejante sol... ao recôndito mais
silente do teu planeta.
Nas minhas constantes explosões dantescas, as
que originam o meu inferno astral, és chuva
abundante e meteórica encharcando minha alma
nesta minha aventura insólita e colossal.
A tua ciência iluminada, a minha ciência colorida
instituindo conjuntamente uma nova filosofia espiritual...
Amor e paz, luz e poesia eis aí a fórmula para uma
nova consciência universal!...

CULTIVANDO UM MUNDO MELHOR (Cacau Loureiro)


Como cultivar neste solo seco que é o espírito humano? Como semear nesta terra que sabemos, há muito, não está arada? Os seres fecharam suas mãos para as sementes da bondade, os seus corações para a voz silenciosa de suas consciências. A demência do orgulho, o desatino do egoísmo, a busca desenfreada por nossas ambições turvaram nossas vistas para o horizonte de luz que o Criador nos preparou; nós como criaturas não somos dignas para com o verdadeiro presente que é a nossa existência neste planeta. Há conflitos por toda parte, a começar pelo seio de nossas famílias, a falta de diálogo, de compreensão, a falta de limites na educação que damos aos nossos jovens. Somos pais e não atentamos para as necessidades de nossos filhos, não as necessidades materiais, mas sim, as necessidades psicológicas, sociais e espirituais.

Cada um de nós tem uma fração da divindade, e, para descobrirmos o caminho do bem-estar, não precisamos professar religiões, a própria reflexão diante de nossas atitudes pode nos direcionar para o caminho do bem, da fraternidade e do respeito mútuos. Basta que olhemos ao nosso redor para sabermos o quanto o nosso próximo precisa de nós. Basta que percebamos como nos tratam os nossos vizinhos para nos conscientizar que precisamos ter uma outra postura diante do cosmo e do microcosmo. Que não é correto apontarmos os defeitos dos outros quando os nossos são tão evidentes e não queremos corrigir. Somos como ratos disputando palmo a palmo o esgoto em que transformamos o mundo.

A Terra precisa de cuidados, nossas casas precisam de cuidados, nossas crianças precisam de cuidados, nossos idosos precisam de cuidados, nossos espíritos precisam de cuidados, senão, nos perderemos no caminho e estaremos presos eternamente nesse vácuo que criamos dentro e ao redor de nós, continuaremos estacionados, estáticos diante da violência que impera em todos os âmbitos da sociedade, perplexos prosseguiremos diante dos escândalos políticos e acostumados seguiremos o chavão de que a justiça é para os pobres.

O mundo continua a sua marcha e o Criador com os seus desígnios; nos que somos Cristãos ainda podemos acreditar na justiça divina, contudo, temos que arregaçar as mangas e começar o trabalho da transformação interior, e, a partir daí, fazer a regeneração exterior. Não podemos continuar a passos de tartaruga, fleumáticos diante do estado caótico de nossos hospitais, de nossas escolas, de nosso país. Não é somente nas instituições educacionais ou corretivas que podemos aprender como ter retidão de caráter, clareza de espírito, a globalização cada vez mais nos traz outras realidades e perspectivas, a cada instante a vida nos chama à evolução, a raça humana foi feita para isto, para a evolução permanente. Pousemos sobre o mundo os nossos olhares, de esperança sim, mas também de idéias criativas e realmente voltadas para o trabalho de mudança, fitemos uma vez mais os nossos semelhantes colocando-nos em seus lugares seja de júbilo ou de sofrimento, assim conseguiremos ser mais humanos, mais atentos, mais solícitos para com as pessoas e para com este mundo que habitamos. Que possamos fazer jus à vida que nos foi presenteada com o objetivo de alcançarmos algo mais precioso, podemos deixar de lado a mania de perfeição, pois que algumas atitudes são tão simples, mas que procuremos sempre sermos dignos, justos, amigos, honestos e bondosos, estas são as grandes e largas estradas para alcançarmos o caminho do verdadeiro amor ao próximo.

25 de novembro de 2009

ÁSSANA (Cacau Loureiro)


Quero estar contigo, nisto mobilizo
toda a minha energia.
Como dizem por aí: na dor e na alegria...
Sonho coisas distantes, mas, para isto
dirijo todos os meus pensamentos,
exercito toda a minha sintonia.
Tua imagem vai comigo, porque
comigo estás todos os dias...
O que quero? Deixo ao seu dispor
amigo.
Sei que o que te digo muitas vezes
cortam, são farpas, lâminas que afio
contigo, e, nesse tênue fio, fino, no qual
equilibramos o que sentimos às vezes
saímos feridos. Mas, não tenho medo da
vida, de viver...
O que sinto, o que tenho por você
desajusta minha prana, contudo,
gosto de estar assim, insana, perdida
no teu ser. Então, que deixemos rolar
toda emoção, abramos, pois nossas
sashumnas e centralizemos dentro
de nós essa energia, todo esse fluxo,
esse fluido. Assim, eu sei, tocarei
seu ajnacakra.
Quero elevar meu espírito em êxtase,
quero acordar, vivificar, harmonizar os
centros vitais, quero ajustar todos os
processos pelo meu corpo somatizados.

VERNAL (Cacau Loureiro)


Deito aos teus pés as sementes benéficas
da primavera que se principia em mim.
A nebulosidade, a brisa melancólica da
mudança de equinócio não me entristece,
porque o sol desta nova era a minha alma
matiza e aquece, transmudando-a em novo
e jubiloso jardim.
Cores diversas serpenteadas em me peito
libertam-me do frio da solidão, ensinam-me
com ardor a seguir as veredas da afeição.
Deponho os espinhos há muito entranhados em
meu despetalado coração... és sol a aquecer com
afeto os meus longos dias umbrosos, os meus
caminhos sombrios.
Nada se equipara à tua temperada estação, à
colorida paz que encontro em teu sorriso...
Em amenos versos de saudade a noite prefacio,
aconchego é a tua lembrança em meu travesseiro.
Ponteio de dourado minhas ceráceas asas, voarei
contigo aonde tu quiseres levar-me... por montanhas,
mares, verdes campos, torrão delíaco, pois que será
sempre primavera enquanto eu estiver contigo.

23 de novembro de 2009

A TERRÍVEL PRAGA DO EGOÍSMO (Pe Antonio Heggendorn)


Já faz algum tempo que se defendia, com muita propriedade, a necessidade de cada pessoa aprender a cultivar a sua individualidade. Afinal cada um "é ele mesmo e suas circunstâncias", cada pessoa é uma obra-prima saída das mãos do Dinvino Criador. Mas da busca de reforçar a individualidade rapidamente passou-se a um perigoso individualismo e egoísmo. O egoísmo fecha a pessoa em si mesma, e leva a colocar o próprio "eu" como o centro de tudo é o verdadeiro egocentrismo. Esta atitude é radicalmente mentirosa e perniciosa, pois o centro de tudo verdadeiramente é o próprio Deus! E assim esta verdadeira idolatria de si Mesmo vai causando terríveis estragos por ai. É sem dúvida uma praga daninha que estraga a vida pessoal e os relacionamentos sociais. O horizonte do egoísta é tão pequeno, pois ele só olha para si mesmo e nada mais. Não é egoísmo pleitear o direito de ser feliz pisando e sacrificando os outros ou usando das mais variadas maneiras as pessoas para obter a qualquer custo seus próprios objetivos?
Quando o critério maior da vida é o próprio "eu" tudo tem mesmo que girar a sua volta e adorar os seus caprichos, tudo, todos é até o mundo. Assim os valores maiores da vida são sacrificados ao míope horizonte egocêntrico. Não há lugar para a verdade, a felicidade, a responsabilidade, o sacrifício, a partilha, a solidariedade, a ética... e a lista seria muito longa de continuar.
Cabe a cada um de nós como seguidores de Jesus, o Cristo, lutarmos para vencer as tensões desta praga que é o egoísmo dentro de cada um de nós. Vez por outra faz bem a gente fazer um "exame de consciência" sobre que atitude nossas são egoístas e lutar para transformá-las. Afinal nossa meta é amar como o Senhor amou. Para isto sabemos que temos que aprender a morrer a nós mesmos, como o pequeno grão de trigo que precisa cair na terra para nascer!"
(Fonte: Pe. Antonio Heggendorn)

PESSOAS FRIAS (Paulo Sternick)


Conviver com pessoas que não demonstram afeto e carinho pode se converter em experiência frustrante para quem espera as naturais e espontâneas expressões da calorosa intimidade do casal. Frios ou inibidos, secos ou distantes, narcisistas ou introvertidos - enfim, são vários os tipos psicológicos e múltiplas as razões que se escondem por trás de suas atitudes. Com freqüência, ele ou ela podem ser atraentes, inteligentes e carismáticos; às vezes, chegam a ser fascinantes e até dotados de misteriosa magia diante dos ingênuos e atônitos olhares de seus parceiros. Quanto mais qualidades têm, maior parece o tamanho e o efeito de sua frieza e distanciamento emocional, mais comuns a decepção e o sentimento de solidão que provocam no outro.
É verdade que a aridez afetiva por vezes é compensada por outras qualidades. Algumas pessoas mais secas, por exemplo, conseguem se soltar na hora do sexo e até satisfazem o par. Logo depois retornam ao seu enigmático fechamento, ou às suas ocupações egoístas, deixando o outro a ver navios. Mas não é preciso muita sofisticação para sentir que nenhuma cama, por si só, garante um casal por muito tempo sem outros ingredientes. Acontece que a personalidade humana é diversa e complexa, permitindo a posse de atributos e qualidades, e carência de outras. Ele ou ela podem ser ótimos na cama, brilhantes no papo, mas, ainda assim, têm algo que não rola na afetividade, deixando um sentimento de insatisfação no ar.
É claro que não é possível encontrar alguém e afirmar "bingo!" Sempre falta alguma coisa no outro. Se não falta, é porque quem não vê a falta está sonhando e alucinando seu par. Tudo bem que no início de uma paixão possa se sentir uma espécie de completude, mas com o tempo... Porém, até para suportar a inevitável falta deve haver um limite. O fato é que a frieza dele ou dela levanta angústias no par e testa sua capacidade de entender a relação sem misturar os próprios fantasmas. Tal como não se achar atraente ou bacana o suficiente para tirar o outro de sua toca e dar um pouco de si. Ou até confundi-lo com relações passadas, quando a mãe ou o pai não lhe davam atenção ou eram pessoas distantes - não por causa de serem introvertidas ou ocupadas, mas porque, na imaginação da criança, ela não teria qualidades para despertar amor.
Vejam que o foco pode se deslocar da pessoa fria para o par que sofre por causa disso. Vitimar-se é uma das conseqüências quando alguém carente se junta com um par que parece insensível. Utilizo "parece" porque muitas vezes o sujeito não demonstra, mas o afeto surge embutido no cuidado que tem com o par, na atenção a certos detalhes, na lealdade e na correção de atitudes. Digo isso porque, de forma inversa, muitos se iludem com demonstrações entusiásticas de "afeto". É importante lembrar que, levada ao limite extremo do espectro político, a emoção é um dos instrumentos de manipulação das massas, por abater o discernimento do indivíduo e sua capacidade de pensar com clareza.
Quantas pessoas não são enganadas por demonstrações falsas de afeto e dedicação que juravam "autênticas", mas, uma vez caindo a máscara, revelaram ser uma adulação para fins suspeitos ou ilícitos? Ou até para ocultar um desamor? São só exemplos que ocorrem entre o frio e o quente, e o que cada uma destas temperaturas amorosas, embora nada disso seja regra, esconde de seu sentimento contrário.
(Paulo Sternick é psicanalista no Rio de Janeiro e em Teresópolis (RJ). E-mail: psternick@rjnet.com.br)

HOMEM NU (Cacau Loureiro)



Há lamentos ecoando no infinito
de uma alma triste...
Sonhos desfeitos, desviados caminhos,
orações suprimidas, dissimulados sentimentos.
Há dores que não tem medida, há males que
não tem remédio...
Não se mede a mediocridade dos seres, apenas,
constata-se.
Palavras soltas ao vento contaminando o
verbo sagrado, o sopro divino.
Conjecturas que não tem consistência
professam a volubilidade dos seres, os
seus caracteres dúbios, as suas têmperas
fleumáticas, as suas atitudes covardes.
O desvalor da criatura está em não se arriscar a “ser”.
Não se dimensiona os outros à nossa medida, porque
podemos ser pequenos demais diante de
virtuosos sentimentos.
Como pedir a quem não tem para dar?
Como fazer crescer as profícuas sementes
em terra que jamais recebeu cultivo?
E o meu pranto segue o seu trajeto universal...
O orgulho se disfarça em calma aparente, em
interesseira bondade.
Como esperar ética de quem contaminou a
essência da vida como se esta fosse política?
Como esperar indulgência de quem deu com
uma mão e tirou com a outra?
A arte da poesia foi massacrada pela
frieza mascarada de equilíbrio.
Um ser vivo pulsa e é divinamente colorido.
Os interesses escusos não proliferam em espíritos
mansos, modestos... E mãos vazias é sinônimo de
coração oco...
Na minha pouca fé eu oro, não vou a templos
porquanto sei que o meu corpo é sagrado e o
meu caráter transparente...
Eu sigo os caminhos dos homens nus, nem cruéis,
nem santificados... Eu faço o trajeto dos homens
simples que amam e esperam ser amados.

22 de novembro de 2009

CARÊNCIA DE AMOR (Antônio Roberto)


A dificuldade de amar vem da carência de amor. O ser humano se faz em sua própria existência. “Num mundo cada vez mais frio, é até uma ousadia estimular o amor. Contudo, esse é o único meio de que podemos nos valer para ajudar a derrubar os muros que construímos para nos afastar uns dos outros.” Precisamos trabalhar constantemente o medo que temos de correr riscos.
Para amar é necessário que tenhamos consciência do nosso medo de perder. A saída para as dificuldades no relacionamento são doses de compreensão, tolerância e humildade. A comunicação é imprescindível para resolver as pequenas diferenças e evitar ressentimentos. Tentar mudar o outro não resolve. A pessoa não muda somente por que a outra quer. O ser humano muda e evolui quando ele deseja. A imposição e a cobrança trazem desgaste para o relacionamento.
Trabalhe sua autoestima. Precisamos antes de tudo confiar em nós mesmos para superar os dias difíceis. Uma personalidade sempre insegura atrairá relacionamentos frágeis ou dominadores. É preciso cuidar de si mesmo, sempre. Não se anular para agradar o outro. Quando o tempo passar, você não saberá mais resgatar sua individualidade. A insegurança emocional responde pelo medo de amar.
O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas por meio de exigências que sempre resultam em fracasso. Neste caso, o amor não passa de um recurso para satisfações imediatas, não percebendo que aquele outro que o elogia e o bajula, demonstrando-lhe afetividade, é o que também se utiliza da ocasião para se firmar aos que denominam de um lugar ao sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia.
Na dificuldade de encarar a vida, é sempre fácil responsabilizar os outros. Na dificuldade de se relacionar com os outros, é sempre fácil olhar os defeitos. Na dificuldade de amar o próximo, é sempre fácil escolher a indiferença. “Outro aspecto importante nas relações é a reciprocidade e foi ela que estruturou a sociedade, portanto é algo fundamental para o homem”.
Na atual realidade, poucas pessoas dão valor ao ato de retribuir e por incrível que pareça também têm dificuldade de receber, mas é preciso aprender que receber exige humildade. Não posso deixar de pontuar que estas pessoas que têm dificuldade de amar provavelmente foram pouco amadas ou assim se sentiram. Quem não recebeu não pode dar, pois ninguém dá o que não tem. Nossas relações afetivas são o resultado dos afetos que recebemos. Por fim, a flexibilidade é também importante para melhorar a competição nas relações. O amor se dobra para não se romper. Quem tem dificuldade para amar é quem mais precisa de amor!
(Parte do texto de Antônio Roberto - Jornal Aqui – BH, 28/04/2009).

18 de novembro de 2009

ABRAÇO-TE (Cacau Loureiro)


Abraço-te nas intermináveis horas
dos meus dias... pois que o teu
abraço desvanece todas as minhas
noites de angústia.
Abraço-te no amargor de toda esta
espera... pois que o teu abraço é
sempre recomeço na minha chegada.
Abraço-te na lágrima salgada que
brota dos meus olhos... pois que o
teu abraço é estanque de pranto e
germinar de sorriso.
Abraço-te quando não refreio as
palavras rudes que me laceram o
peito... pois que o teu abraço é mel
dulcificando os meus lábios.
Abraço-te nos mil invernos de minha
alma triste... pois que o teu abraço é
florescimento de alegria retomando-me
em nova primavera.
Abraço-te no duro entorpecimento do
meu coração... pois que o teu abraço
é fogo forjando o seu burilamento.
Abraço-te no desejo ardoroso de
devolver teu abraço... pois que o
teu abraço é faísca reacendendo as
minhas emoções.
Abraço-te na esperança distante de
reencontrar a alegria... pois que o
teu abraço encurta o caminho, oferta-me
o encanto e a magia.
Abraço-te na vontade infinita de voar
em teu espaço, abarcar o teu mundo,
prender-te no meu... pois que o teu
abraço é pira queimando minhas
dores, fazendo renascer das cinzas
a fênix que sou.

A MENTIRA (Renê Dalton)


Quem nunca viveu uma grande paixão ou amor, quem nunca teve atribulações e conflitos com amigos ou mesmo parentes, por que na maioria das vezes, mesmo parecendo tão simples, o relacionamento humano é algo tão complicado? Se partirmos do princípio, que somos observadores do mundo, que buscamos no externo, nossas motivações, compensações e rumos, entenderemos um pouco da psiquê humana.
Uma criança recém nascida é um potencial infinito, um ser pequenino que precisa de cuidados e direcionamento, ele não tem regras definidas, ele não tem noção de valores, nada além das atividades e necessidades físicas.
Para a criança recém nascida, tudo é novo, experiências físicas e emocionais vão sendo acumuladas e gravadas na memória, dando início ao processo de formação de valores, valores emocionais, laços de afetividade, experiências sensoriais, vão se desenvolvendo no decorrer dos dias, de acordo com a forma que esses cuidados e direcionamentos são aplicados.
Dessa forma, esse senso de observação se torna o ponto referencial de todas as atividades humanas, agimos e reagimos de acordo com o que vemos e vivenciamos, nossa observação do externo nos alimenta com informações e sensações e essas mesmas informações e sensações, vão criando durante nossa experiência de vida, regras e valores, definindo assim nosso caráter e a maneira que agimos e reagimos perante tudo na vida.
Assim, de acordo com a nossa observação, buscamos na infância, na adolescência e na fase adulta os grupos que mais estejam de acordo com nossos valores, credos e gostos. Buscamos nesses grupos a constante aceitação e a afirmação de nós mesmos.
Tão simples, tão fácil de compreender e reconhecer como verdadeiro, essa diretriz de observação nos leva a uma necessidade quase que doentia, da aprovação refletida nos outros, para que possamos assim nos reconhecer como pessoas. A nossa dependência dessa aprovação externa, para que possamos nos conhecer melhor, saber quem somos, o que somos ou devemos ser, nos leva ao maior dos enganos culturais da raça humana, a MENTIRA.
A mentira se tornou parte da cultura humana, mentimos por medo, mentimos por valores morais distorcidos, mas mentimos. A mentira está tão presente e com a ironia da palavra, tão VERDADEIRA em nossas vidas, que se tivermos a capacidade de observa-lá, sem nenhum envolvimento emocional, perceberemos que a mentira está presente em nossa vestimenta, em nossa alimentação e na maioria dos nossos relacionamentos.
Por isso que a maioria dos relacionamentos, quanto mais estreitos em laços afetivos, mais complicados se tornam, se "maquiarmos" traços de nosso caráter, opiniões, postura e gostos apenas para não desapontar o outro dos nossos relacionamentos. Essa opção pela MENTIRA pode parecer a mais fácil como solução, mas as consequências que ela pode causar tem a capacidade de destruir os relacionamentos mais sólidos, a confiança e a opinião que o outro do nosso relacionamento possa nutrir por nós.
Porque Mentimos
Mentimos por medo, mentimos por valores morais distorcidos, mentimos por que é mais fácil e cômodo mentir. Mentimos por que achamos que essa aprovação externa é a única forma de sabermos quem somos, o que somos e sermos aceitos e respeitados.
Nossa imaturidade, nos faz temer e evitar qualquer situação em que a necessidade de expor ou impor nossas idéias nos coloque em conflito com nossos relacionamentos. Mentimos para quem amamos por medo do desentendimento, mentimos para nossos amigos para evitar constrangimento, mentimos aos nossos superiores por medo da retaliação.
Assim, a MENTIRA se fortaleceu em nossa cultura, disfarçada de "mãe acolhedora", oferecendo sempre a solução mais confortante e simples ela nos escravizou. Somos na VERDADE uma grande nação de mentirosos, de escravos, de dependentes físicos e emocionais da ilusão, adormecidos, entorpecidos na busca frenética de compensar o grande vazio de nossas almas.
Nossa alma está faminta, faminta de valores edificantes, faminta de ações positivas, faminta de VERDADE, nosso maior engano é tentar compensar essa carência, nos orientando apenas pelos valores aceitos como padrão perante a sociedade e o mundo.
Buscamos compensar, compensamos na comida, compensamos nos bens materiais, compensamos nos prazeres passageiros, compensamos em nossos semelhantes, projetando sobre eles tudo aquilo que julgamos ser o que deve ser, projetando sobre eles o que não somos e gostaríamos de ser, projetando sobre eles, de forma negativa, aquilo que realmente somos e não queremos ser.
A MENTIRA está para a humanidade assim como está o diabo para aqueles que acreditam nele.
A MENTIRA é a mãe dos ladrões, é a prostituta da alma, é o câncer da essência humana. Ela te rouba pouco a pouco a razão, o caráter, distorce teus valores, aborta teu espírito e transforma teu corpo em uma carcaça vazia, um humanóide repetidor, sem escolhas, sem vida, apenas um morto, que acredita estar vivo.
Repetição
A vivência constante na MENTIRA nos adoece, nos distancia de nossa essência e do que na VERDADE somos. Dessa forma, desorientados e perdidos, voltamos a repetir aquilo que vimos e comprovamos nos ser conveniente ou necessário, criando assim uma maior dependência da MENTIRA.
Essa repetição, vai então se tornando a forma mais segura para agirmos, e assim, repetimos aos nossos filhos a educação que nos foi dada, repetimos nos relacionamentos atuais o que vivenciamos nos relacionamentos passados, repetimos em nossos empregos o que fizemos nos empregos anteriores, repetimos em nossas vidas tudo aquilo que em algum momento funcionou, ficando eternamente aprisionados a esse círculo vicioso.
Enquanto mantivermos essa postura de observação egoísta, ação em função da aceitação em benefício próprio, comprovação de êxito pessoal, a repetição se fortalecerá, alimentando cada vez mais a MENTIRA.
Confundimos diariamente o ter com o ser, o poder com o direito, o favor com o dever, a obrigação com a gentileza, e o maior de todos os enganos e confusões, o possuir com o amor.
Se assim continuarmos, viveremos eternamente nesse círculo, feito cegos na escuridão, onde o ver de nada adiantaria, nossa única solução é o ser, os poucos que são e que foram, que acordaram para viver na VERDADE foram por nós tidos como loucos, como anormais e infelizmente muitas vezes como inimigos. Nos tratamos logo de os calar, de nos livrar deles, porque sabemos que esses poucos, lá em nosso íntimo mais profundo, são e foram os portadores da VERDADE, a verdade coletiva, a verdade absoluta, uma dentre tantas leis do universo.

AMAI TEU CRIADOR E TODAS AS CRIATURAS COMO DEVERIAS AMAR A SI PRÓPRIO.
Se avaliarmos essa VERDADE de forma simples, sem nenhuma conotação religiosa, iremos entender que nossa vida está intimamente ligada a vida de todos os nossos semelhantes e ao local em que vivemos, nosso planeta nos dá o suporte necessário a nossa vida e a vida e escolha de nossos semelhantes tem influência em nossas vidas de forma direta e indireta.
A humanidade necessita parar, reavaliar conceitos, postura, valores e amadurecer, devemos tomar a nós, a responsabilidade de nossas escolhas, escolher com consciência edificadora, exercer nosso livre arbítrio, independente das sansões. Somente assim estaremos livres, somente assim viveremos a VERDADE.
A necessidade do Renascimento
Não tenhas medo de renascer, afinal, já nasceste uma vez, teu choro, teu protesto por ter sido violentamente tirado do conforto do útero de sua mãe, na VERDADE foi a oportunidade do teu respirar, do início de apenas mais uma etapa de sua vida.
Não se acomodes na inércia, você não foi dado a isso, não é da natureza humana o adormecimento, a você foi dado a capacidade de observar, concluir e agir, então faça uso do seu livre arbítrio, orientado pela paz e pela justiça, buscando sempre o bem comum.
Não confudas altruísmo com a aniquilação da sua vontade, entenda por altruísmo uma das formas de manifestar de maneira positiva a tua vontade, as tuas idéias e os teus ideais.
Questione-se diariamente, avalie e reavalie suas atitudes, busque nesse questionamento o amadurecimento da sua alma, medite constantemente na paz e na verdade.
Se você assim o fizer, jamais o medo e a dúvida te impedirão de agir quando sua ação se fizer necessária.
Buscai diariamente vivenciar sua religiosidade, fortaleça teu elo com teu Criador e respeite teu ambiente, teus semelhantes e o teu ritmo pessoal.
Não questione nada além das suas escolhas, não se norteie pelo passado e viva o teu presente com toda a força da tua alma, como se esse fosse teu último dia de vida.
Quando essa consciência de todas as coisas iluminar tua mente e espírito, saberás em teu mais profundo ser, que estás no caminho da verdade e da vida.
Busque a verdade, viva a verdade e ela te libertará. Pois sob a luz da verdade, não existe mentira que faça sombra.

17 de novembro de 2009

SILENCIAR (Vera Godoy)


O silêncio, muitas vezes, tem um poder muito maior de trazer resultados numa relação do que falar e expor os fatos que a todos incomodam. Saber a hora de calar é compreender a necessidade de reflexão, mas identificar a hora certa de falar ou calar é que trará luz aos fatos. Sem dúvida podemos afirmar que quando ignoramos esse "momentum" podemos interferir inadequadamente na vida e também nas condições físicas, emocionais e psicológicas de todos os envolvidos. Sempre existe uma causa para um comportamento inadequado e errar é inerente à toda natureza humana, é inclusive necessário para nosso aprendizado na vida; só evoluimos através dele.
A decadência de um relacionamento começa quando não conseguimos mais enxergar nada de positivo no outro, quando não há mais respeito mas, principalmente, "quando não existe intenção e boa vontade de um dos parceiros em relevar os aspectos negativos do outro, considerando somente as qualidades positivas e atrativas". Permanecer nessa situação de "total falta de comunicação” leva as pessoas à depressão e a atitudes de desespero.
Qualquer forma de expressão é mais saudável que a tortura de conviver com o silêncio do outro. Diz a canção: “dói mais teu silêncio do que tua agressão".
Somos todos muito diferentes e nos iludimos achando que existe a "tampa da nossa panela", mas bastam alguns segundos de conversa entre duas pessoas para constatarmos que a percepção da realidade de uma é diferente da outra. Cada um de nós tem uma verdade e se a considerarmos sob uma “percepção rígida e inflexível" ofuscaremos qualquer possibilidade de compreender a do outro. Para muitos "tentar essa compreensão" significa perder sua identidade, se anular, se diminuir.
Um grande filósofo já disse: "Você quer ter razão ou prefere ser feliz?" Evitaríamos muita coisa nos calando, silenciando, mas muita coisa também seria evitada se falássemos, se nos comunicássemos, se tivéssemos diálogo e consideração pelo outro.
Esse silêncio inoportuno, na hora errada, é também uma forma de violência. É uma situação velada que não causa tanto impacto na sociedade quanto a violência física, por não existir manifestação explícita e aparente de agressão, porém é uma realidade tão cruel quanto a outra; a diferença é que a segunda deixa marcas visíveis, contudo na primeira, as feridas podem ser mais profundas e perigosas, porque se trata de uma violência emocional. A violência emocional destrói a auto-estima do outro. A agressão verbal é uma violência também, mas é real, concreta, deixa para o outro uma oportunidade de "concluir algo e de ter uma referência". O silêncio indiferente ou a simples ausência de diálogo, é a omissão de um comentário ou argumento esperado para o momento e, portanto, machuca muito mais.
Nesse tipo de violência também acontecem a depreciação da família e do trabalho do outro. Esclarecer e aceitar as diferenças é aceitar a verdade do outro, é admitir o nosso equívoco diante de uma realidade: "as diferenças não atrapalham a convivência"! Elas, em certos momentos, nos aproximam justamente porque nos afastam da rotina. É o que geralmente acontece quando se inicia uma nova relação. Quando os relacionamentos começam, são essas diferenças que "fascinam" os parceiros. A novidade e a surpresa provocam uma vibração que motiva e colore a relação, porém, quando é necessário conviver com elas rotineiramente, não resistimos e calamos, silenciamos.
Amor se demonstra em atitudes concretas. Mesmo com todas as dificuldades da vida, quando ainda existe respeito, perseverança e disposição de compreender, alegria em compartilhar, vemos os dias seguirem com o fortalecimento dos laços que unem um casal. É no dia-a-dia que se solidificam os relacionamentos. Sentimentos que não são traduzidos em atos não alcançam o outro e quando nossas atitudes demonstram mais ressentimento e indiferença que afeição ficamos atordoados, sem chão.
Lembre-se: amor, atenção, carinho e amizade não se pedem. Apenas se recebem. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro e que ouve isso do outro.
O silêncio é plenitude de comunicação. Evitar o silêncio negativo do mau-humor, da agressividade, do desgosto, da raiva e, principalmente, da “ausência”, é demonstrar sensibilidade, afetividade e respeito. O silêncio quando é amor, fala e quando é desamor, agride. O ato de falar e o de calar precisam um do outro, pois quem fala quer ser ouvido e para ouvir é preciso calar. Vamos aprender a arte de silenciar só por amor!

16 de novembro de 2009

CÉU LARANJA (Cacau Loureiro)


Em aspirações recorrentes avisto
os campos prometidos...
Em tua seara provei de mais nobre fruto,
gosto ímpar que jamais experimentarei
de novo.
Vastidão tremenda de despetalados
malmequeres, mas, onde ainda há
sementes germinando em profusão...
Constato que o colorido de outrora
permanece incólume, novedio.
Há a viração das noites solitárias que
envolve o buquê dos amores confiados
ao vento.
Nas esferas que me foram lume de
estrelas eu enfeito ainda o meu tempo
presente; longas e padecidas horas que
esvoaçam lembranças...
Há tanto pesar a permear a florada em
que me abraço, pois que a dor é para
os simples de afeto... também para os
gigantes de alma.
A brisa do vazio que me cerca traz canções
várias, tristes árias a ecoarem na escuridão
primaveril em que me peito arde.
Caminho a esmo através do verdejante da
esperança que renasce em mim como pôr de sol...
Há no céu laranja que me mostraste nalgum dia
feixes da pequenina flor que hei de chamar para
sempre... a margarida do amor!...


ABRINDO O CORAÇÃO (Tarthang Tulku)


A vida parece vazia quando nossos corações estão fechados.
Podemos ler livros, pedir conselhos a amigos e amantes,
ou buscar refúgio em objetos materiais,
e continuar ainda, ansiosos e insatisfeitos.
Há rochas no oceano que vêm sendo cobertas
de água há milhares de anos;
em seu interior, todavia, elas continuam secas.
Da mesma forma, podemos tentar compreender-nos
mergulhando em idéias e filosofias, mas se nossos corações
estiverem fechados, secos e frios,
o verdadeiro significado não nos tocará.
Onde quer que estejamos e seja o que for que fizermos,
se não estivermos abertos, ninguém, nem mesmo o maior dos mestres poderá chegar até nós.
Se nossos corações estão abertos,
toda existência parece naturalmente bela e harmoniosa
É possível ver ou sentir dessa maneira, essa é a essência
dos ensinamentos de Jesus.
A criação nos revela todos os sentimentos.
Por que o coração e não a mente?
por que o nosso ego controla a cabeça,
e os nossos corações são mais livres.
Reparemos o que está acontecendo em nossos corações.
Esta é uma preparação essencial para aprender
a verdade de nossas próprias vidas.

13 de novembro de 2009

A CADA QUAL O SEU QUINHÃO (Cacau Loureiro)


A vida parece-nos em alguns momentos, mais simples do que julgamos, no entanto precisamos saber que nas nossas inter-relações somos cobrados diariamente e assumimos responsabilidades a cada sim e a cada não que proferimos ao outro. Quando já vivemos algumas etapas da existência, temos um complexo e dinâmico cabedal de experiências que nos fazem ter mais ou menos jogo de cintura para resolvermos os problemas do dia a dia. Precisamos saber que na vida que vamos construindo necessitamos e devemos mudar , agregar, transformar, apostar, redirecionar, partilhar, compartilhar vários outros conceitos que possam ser inseridos no nosso crescimento como criaturas. Ouvi dizer muitas vezes que tudo em demasia faz mal, desde manga com leite ao egoísmo extremo. Num mundo tão amplo de informações e que cada vez mais vamos exercitando nossa “liberdade”, e grifo aqui esta palavra, pois que a liberdade do outro termina onde começa a minha e vice versa, onde se discute até onde se pode ou não invadir a privacidade alheia, onde discursamos sobre a caridade e onde somos chamados comungar idéias e ideais, aí sim é onde estaremos sempre atravessando sobre uma corda bamba, porque exercer plenamente nossos direitos não determina que possamos sobrepor ao direito do outro, para isto mesmo temos códigos de conduta, as leis, decretos, a ética. Faço aqui esta explanação, pois que penso que em nossa jornada humana temos que assumir de fato todas as responsabilidades por nossos atos ou omissões. Parto do princípio que a partir do momento que assumo meus defeitos, qualidades e erros, pressuponho que o meu semelhante, o meu próximo possa também da mesma forma assumir os seus, até porque se eu tive uma boa formação educacional, afetiva, com valores morais relevantes para viver, estar em sociedade posso pensar com toda propriedade que os meus companheiros de caminhada o farão também. Portanto, quando me determino a trabalhar, estudar, namorar, casar, ter filhos, divorciar e tantas outras decisões que se nos apresentam pela vida temos diante de nós o que se chama “escolha”. E quando neste contexto processamos o que advirá do que escolhermos, isto se chama reflexão. Sim, era neste ponto que eu queria chegar, o da responsabilidade para com aqueles que caminham conosco, sejam eles amigos, filhos, companheiros, até mesmo os agregados que acabam fazendo parte da caminhada da gente, pais, sogros, cunhados, madrastas, padrastos e etc. Cada um deles tem, irremediavelmente um valor para nós, em escala de necessidades afetivas e outras mais. Acredito que não viemos à vida a passeio, embora não seja uma assídua da Bíblia Sagrada, tenho dentro de mim a consciência e a convicção de que fomos feitos para um objetivo maior, acreditemos ou não em dogmas e doutrinas. Você assim como eu temos o direito de parar, estacionar, retroceder, seguir adiante, recomeçar em nossos sonhos e aspirações, nunca nos esquecendo de que cada escolha é um compromisso que assumimos perante a vida.
A vida é risco, também determinação, perseverança, compromisso, sorrisos, lágrimas, satisfações e insatisfações, glórias e decepções, e em algum momento podemos até mudar sua direção, mas sempre com consciência e senso de responsabilidade.

"Não há ganhos sem perdas, nem perdas sem ganhos."

Assim caros amigos que me leem, acreditem, sempre assumirei as minhas responsabilidades, sejam quais forem as conseqüências dos meus atos, mas assim também espero que o meu companheiro de jornada as suas assuma. Não ponham as suas escolhas na minha conta, pois em algum momento sei que serei solidária, ajudarei em suas dificuldades, apoiarei nos momentos difíceis, abdicarei por amor, por respeito, por direito, por reciprocidade, por ética, por vários motivos, e sempre estarei a postos quando os meus valores forem chamados ao trabalho da edificação humana, mas que cada um carregue a sua cruz porque a minha também é pesada.

REVESES DA COMUNICAÇÃO (Angelina Garcia)


Reclamamos, muitas vezes, da dificuldade em se entabular um diálogo com determinadas pessoas, pois tudo o que dizemos é mal compreendido, podendo desencadear ásperas discussões ou até rompimentos. Quanto mais tentamos nos explicar, maior a confusão.

A comunicação não ocorre de modo direto, como às vezes se supõe; ou seja, de um lado um emissor, de outro um receptor, bastando uma língua comum para que a mensagem seja decodificada. Além da língua, várias outras condições estão implicadas na produção de sentidos entre interlocutores.

Assim sendo, recebo e interpreto a fala do outro a partir não só de conhecimentos partilhados, ou da minha posição ideológica, ou da memória racional de outros sentidos despertados daquele dizer. Entram também as sensações guardadas, relativas às condições psíquicas e emocionais do indivíduo, que são mobilizadas pelo que o outro diz.

Algumas pessoas tomam, com frequência, como crítica pessoal, aspectos do comportamento humano rejeitados pelo senso comum, os quais, em conversa descontraída, alguém levanta simplesmente a título de observação ou de questionamento próprio. O que levaria uma pessoa a se sentir alvo constante do olhar alheio? O que a faz pensar que tudo o que o outro diz de negativo quer se referir ela?

Se por um lado encontramos a insegurança; por outro, ou pelo mesmo, observa-se certo egocentrismo nesse comportamento.

A insegurança resulte talvez de uma história do sujeito marcada por rejeições do seu ciclo familiar e outros, pautadas na idéia de certo e errado e, consequentemente, pelo pecado e culpa, os quais contribuíram para minar sua autoestima. Desse modo, ele espera sempre que pessoas à sua volta continuem observando o que, a seu ver, ele tem de pior. Mesmo quando a fala do outro não lhe é dirigida diretamente, ele produz sentidos dentro dessa sua condição de inseguro.

É pela insegurança, também, que esse sujeito se encontra centrado em si, como se precisasse, o tempo todo, defender-se de alguma acusação. Dentro desse quadro, ele oferece poucas possibilidades de troca; a comunicação fica truncada, pois cada vez que se sente atingido durante o diálogo, ele o interrompe para se defender, justificar-se, ou, no mínimo, certificar-se se o outro está ou não se referindo a ele. E, assim, não é possível aprofundar ou ampliar a conversa.

(Angelina Garcia é especialista em Linguagem, com cursos em Processo Criativo e Psicologia Profunda; Análise do Discurso e Neurolingüística)

12 de novembro de 2009

SEARA (Cacau Loureiro)


Em vôo libertador eu pego em tuas mãos,
Somos como grãos de areia na montanha
Das promessas...
O altíssimo olha do cume as sementes que
Disseminamos, pois o chão recebe em graça,
Sequioso, os sonhos que engendramos.
Somos, entre muitos, os escolhidos na seara
Da bondade, talvez não sejamos dignos
Da responsabilidade que arcamos.
Nutrimos o entusiasmo, que é benção e
Dom supremo; rebrilha como auréola sobre
Nossas cabeças ilustradas.
Todavia, a força que vem do alto é soberana
E santíssima, está em nossa fronte como
Escudo e broquel.
Carregamos o destemor em nossos âmagos
Consagrados, não tememos o inimigo, pois
Que a fé nos abjugou...
Abjuramos os vãos sofismas, pois a eqüidade
É quem liberta, arrebenta os grilhões da
Falsa e torpe caridade.
Nossos olhos vêem as cenas tristes, nossos
Lábios calam muitos lamentos!...
Mas o impulso do Criador renova suas criaturas,
Fortalece eternos laços na seara da virtude.
Apascentamos nossos espíritos na força do
Supremo, circundando nossos chacras e
Criando novos mantras... Somos uno no
Princípio eterno, fluido batismal energizando
nossos corpos em policromas formas; em dons,
Em luz, em verdade que liberta!...