LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




25 de novembro de 2016

FLOR DO SOL (Cacau Loureiro)


Se só me enxergas através dos outros nunca
seremos nós...
O teu universo fascinante abarcou muitas
dimensões, e já não temos mais como nos
olharmos em face do microcosmo que sustenta
tantas esferas.
Lembranças... as músicas, as frases, os poemas,
nos exercícios diários de manter o sentimento...
São reminiscências...
Ainda cultivo o achado da paixão, ainda vivo
a descoberta do amor... Pois que suas nascentes
realmente vivem em mim! ...
Constato que podemos desejar tudo de melhor
aos outros, mas, se não o desejamos a nós mesmos
a vida torna-se vazia... tornamo-nos evasivos.
E desatentos à vida morremos vagarosamente,
e destemidos ante a morte, de fato não vivemos.
Se não tememos as perdas nos transformamos
em robôs resignados aos comandos do mundo.
Eu preciso da envergadura dos girassóis em que
o único lugar a que se dirigem forçosamente
é para o sol! ... 

30 de junho de 2016

BASTA!? (Cacau Loureiro)


 
Nem sempre o que aspiramos na vida

quando aparece a nossa frente, e não é

a melhor hora para decidir, nós nos

defrontamos... Por que nós não topamos

a parada?!

Pois que decidir o tanto, o quanto, o tudo que

queremos (na hora que diria, seria a errada)

é "feito" para as têmperas corajosas.

Nossos conceitos tão arraigados, esfacelam-se

ante as incertezas, e nós melindrados pelas

dúvidas recuamos, queremos a dilação do

tempo que não espera; e o bonito, a poesia que

deveria ser consonância para a transformação

do nós, vira dissonância, pois que se perdeu

a época e a hora.

Não creio no Homem ante suas próprias mazelas! ...

Ele se acovarda para continuar no marasmo que

já conhece porque o desconhecido lhe apavora.

Sair-se de dentro de si, é um ato de abandono,

mas também de reencontro consigo mesmo, e

isto é para as intrépidas almas.

Temos que estar amarrados como quando

Primitivos como o cachorro à linguiça?!

Prisioneiros de nós mesmos não nos deixamos florir,

nem para a vida, nem para o outro e nem para si.

Nem mesmo para a palavra que liberta que

seja a do não ou do sim.

Não queira agradecer-se por não ter se

empenhado em nada, nem no fio do bigode

e nem no fio da navalha.

A vida ela não apenas deve ser bonita, mas deve

me convencer de que o mundo para uma jornada

só, não basta!? ...

23 de junho de 2016

NANO (Cacau Loureiro)

















Transito entre homens e máquinas...
Confundo-me quem é quem!...
Paro para pensar o que fez com que
nós nos perdêssemos no caminho
da civilidade.
Na ditadura das cidades somos nós
nos transformando em cimento e pedra.
Paralelos de paralelepípedos, somos
bípedes arqueados no nano cérebro em
que nos transmudamos todos os dias.
Encapsulados em nossos egoísmos e vaidades
somos robôs que “não ficamos felizes em
servir”. Mas, servis prosseguimos nesta
sociedade de comandos silenciosos,
ardilosos, incivilizados, corruptos.
Poder e bondade nunca antes num país
como o nosso caminharam tão distantes.
E nos sentimos distintos, equidistantes do
céu. E nos potencializamos cultos por
manejarmos tecnologias tão diferenciadas.
A que jornada nos propomos?!
Que objetivos perseguimos?!
Apenas sobreviver não basta, embora as
balas nos rondem as cabeças e o peito
outrora tão aberto esfacelado está pelas
violências, injustiças, perseguições, e
soluçam por quem partiu tão cedo e
percebemos tão tarde.
Conheça-te, conheça-me, predisposição
que só o amor constrói!

23 de março de 2016

EUCARÍSTICO (Cacau Loureiro)












Elevo meu cálice ao Teu Santo Nome...
Miragem no infinito que me inflama em fé.
Rememoro os tempos idos... e no entanto, tão
presentes em mim ainda hoje nesta humanidade
em desencanto.
Em teu semblante de paz, destituído de ódios,
o perdão é tua face mais bonita.
Em libações o teu poder me enche de esperança
e entusiasmo.
Abro-te meus braços, pois exercito receber-te
todos os dias e para sempre em sangue
santo, em suor bendito, transfigurados
em salvação em teus dolosos tormentos.
Mas a tua vitória estava de todos os tempos
escrita, patenteada pelo Altíssimo.
Somos diante de ti o grão de mostarda,
a árvore infértil buscando tocar em
teu manto de acolhimento e benignidade.
E quando nós tão bárbaros e pequeninos diante da
cruz, tu derramaste sobre nossas cabeças tanto amor.
Removam-se, pois as montanhas...
Removam-se, pois os pecados...
Removam-se, pois as potestades do mal
que habitam toda a face da terra...
Volta-nos Senhor teu semblante misericordioso
porque clamamos o teu perdão ante a desesperança
que habita nossos atuais dias.
Derrama sobre nós tua sabedoria imensa, tua
irmandade que nos fez teus filhos e também
teus irmãos.
Conta-nos suas parábolas para que possamos
renascer do ímpio trilhar de nossos pés, porquanto
não somos nada sem tuas inspirações benditas.
Elevo o meu cálice ao teu santo nome em memória
da tua eucaristia quando da divisão do pão e do vinho
jamais me abandonaste!...