LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"À força de tanto ler e imaginar, fui me distanciando da realidade ao ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivo" (Dom Quixote)

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REFLEXÃO

“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.” (Simone de Beauvoir)





13 de abril de 2019

MEMÓRIAS (Cacau Loureiro)












Eu acredito ainda ouvir a tua música!...

Empenho-me numa forma de reencontrar nossas origens.
Por que há um pesar nesta aproximação com nossas raízes?
Nos subúrbios de minhas vontades, há os labirintos que temo,
há os subterrâneos que encaro.
E eu te olho através do espelho... há o expirar do tempo, há o
correr das horas, há o padecer das vontades...
Tento resguardar nossas memórias no ápice de momentos
que não vem, já não mais se repetem.
Eu quero os segundos que nos preservariam pela eternidade...
Espreito-te surpresa nesta jornada... porque ainda ocupas
meu universo ora sombrio?
Preparo com jasmim as águas do meu corpo. As flores ao teus
pés cultivadas com esmero desfalecem no desencontro
de nossas mãos, ante o distanciamento de nossos corpos.
Tento curar o meu espírito nos desejos que me consomem,
devaneios, loucura violentos apossam-me a verve...
convulsionam-me os pensamentos...
Erijo fortalezas, profiro preces, contudo elas não refazem
nossos antigos sons.
As tuas cifras ainda regem o meu peito, mas a tua música
dissonante impulsionam-me a alma à libertação!



5 de fevereiro de 2019

HIATO (Cacau Loureiro)




















Havia fadas, havia a aura luzente de promessas
infinitas... e minhas mãos, minhas mãos vazias
e o meu peito tão repleto... e eu agora ando a esmo
nas curvas do teu corpo e em tuas extremidades.
O supremo de minha alma desejando tudo o que
ficou para trás nas montanhas distantes onde
nascemos. Como éramos antes... eu preciso que
sejamos. Eu quero retornar ao meu verdadeiro
lar, segurar entre meus dedos o que se esvai
em teu silêncio, eu teus movimentos vazios de
palavras, em teus pensamentos ausentes de nós.
E eu quero a voz e o sentido que dê razão as minhas
lutas e que dê vazão as minhas guerras.
Há um bosque sombrio a atravessar minhas estradas
quando meus versos tentam penetrar tua essência
no vigor violento das minhas temáticas tônicas.
E há os versos lassos nas estrofes que me guiam,
E hás as rimas apáticas no meu poema descompassado.
Estar ao teu lado é lacuna, lapso, clareira, hiato!...