LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




18 de novembro de 2009

A MENTIRA (Renê Dalton)


Quem nunca viveu uma grande paixão ou amor, quem nunca teve atribulações e conflitos com amigos ou mesmo parentes, por que na maioria das vezes, mesmo parecendo tão simples, o relacionamento humano é algo tão complicado? Se partirmos do princípio, que somos observadores do mundo, que buscamos no externo, nossas motivações, compensações e rumos, entenderemos um pouco da psiquê humana.
Uma criança recém nascida é um potencial infinito, um ser pequenino que precisa de cuidados e direcionamento, ele não tem regras definidas, ele não tem noção de valores, nada além das atividades e necessidades físicas.
Para a criança recém nascida, tudo é novo, experiências físicas e emocionais vão sendo acumuladas e gravadas na memória, dando início ao processo de formação de valores, valores emocionais, laços de afetividade, experiências sensoriais, vão se desenvolvendo no decorrer dos dias, de acordo com a forma que esses cuidados e direcionamentos são aplicados.
Dessa forma, esse senso de observação se torna o ponto referencial de todas as atividades humanas, agimos e reagimos de acordo com o que vemos e vivenciamos, nossa observação do externo nos alimenta com informações e sensações e essas mesmas informações e sensações, vão criando durante nossa experiência de vida, regras e valores, definindo assim nosso caráter e a maneira que agimos e reagimos perante tudo na vida.
Assim, de acordo com a nossa observação, buscamos na infância, na adolescência e na fase adulta os grupos que mais estejam de acordo com nossos valores, credos e gostos. Buscamos nesses grupos a constante aceitação e a afirmação de nós mesmos.
Tão simples, tão fácil de compreender e reconhecer como verdadeiro, essa diretriz de observação nos leva a uma necessidade quase que doentia, da aprovação refletida nos outros, para que possamos assim nos reconhecer como pessoas. A nossa dependência dessa aprovação externa, para que possamos nos conhecer melhor, saber quem somos, o que somos ou devemos ser, nos leva ao maior dos enganos culturais da raça humana, a MENTIRA.
A mentira se tornou parte da cultura humana, mentimos por medo, mentimos por valores morais distorcidos, mas mentimos. A mentira está tão presente e com a ironia da palavra, tão VERDADEIRA em nossas vidas, que se tivermos a capacidade de observa-lá, sem nenhum envolvimento emocional, perceberemos que a mentira está presente em nossa vestimenta, em nossa alimentação e na maioria dos nossos relacionamentos.
Por isso que a maioria dos relacionamentos, quanto mais estreitos em laços afetivos, mais complicados se tornam, se "maquiarmos" traços de nosso caráter, opiniões, postura e gostos apenas para não desapontar o outro dos nossos relacionamentos. Essa opção pela MENTIRA pode parecer a mais fácil como solução, mas as consequências que ela pode causar tem a capacidade de destruir os relacionamentos mais sólidos, a confiança e a opinião que o outro do nosso relacionamento possa nutrir por nós.
Porque Mentimos
Mentimos por medo, mentimos por valores morais distorcidos, mentimos por que é mais fácil e cômodo mentir. Mentimos por que achamos que essa aprovação externa é a única forma de sabermos quem somos, o que somos e sermos aceitos e respeitados.
Nossa imaturidade, nos faz temer e evitar qualquer situação em que a necessidade de expor ou impor nossas idéias nos coloque em conflito com nossos relacionamentos. Mentimos para quem amamos por medo do desentendimento, mentimos para nossos amigos para evitar constrangimento, mentimos aos nossos superiores por medo da retaliação.
Assim, a MENTIRA se fortaleceu em nossa cultura, disfarçada de "mãe acolhedora", oferecendo sempre a solução mais confortante e simples ela nos escravizou. Somos na VERDADE uma grande nação de mentirosos, de escravos, de dependentes físicos e emocionais da ilusão, adormecidos, entorpecidos na busca frenética de compensar o grande vazio de nossas almas.
Nossa alma está faminta, faminta de valores edificantes, faminta de ações positivas, faminta de VERDADE, nosso maior engano é tentar compensar essa carência, nos orientando apenas pelos valores aceitos como padrão perante a sociedade e o mundo.
Buscamos compensar, compensamos na comida, compensamos nos bens materiais, compensamos nos prazeres passageiros, compensamos em nossos semelhantes, projetando sobre eles tudo aquilo que julgamos ser o que deve ser, projetando sobre eles o que não somos e gostaríamos de ser, projetando sobre eles, de forma negativa, aquilo que realmente somos e não queremos ser.
A MENTIRA está para a humanidade assim como está o diabo para aqueles que acreditam nele.
A MENTIRA é a mãe dos ladrões, é a prostituta da alma, é o câncer da essência humana. Ela te rouba pouco a pouco a razão, o caráter, distorce teus valores, aborta teu espírito e transforma teu corpo em uma carcaça vazia, um humanóide repetidor, sem escolhas, sem vida, apenas um morto, que acredita estar vivo.
Repetição
A vivência constante na MENTIRA nos adoece, nos distancia de nossa essência e do que na VERDADE somos. Dessa forma, desorientados e perdidos, voltamos a repetir aquilo que vimos e comprovamos nos ser conveniente ou necessário, criando assim uma maior dependência da MENTIRA.
Essa repetição, vai então se tornando a forma mais segura para agirmos, e assim, repetimos aos nossos filhos a educação que nos foi dada, repetimos nos relacionamentos atuais o que vivenciamos nos relacionamentos passados, repetimos em nossos empregos o que fizemos nos empregos anteriores, repetimos em nossas vidas tudo aquilo que em algum momento funcionou, ficando eternamente aprisionados a esse círculo vicioso.
Enquanto mantivermos essa postura de observação egoísta, ação em função da aceitação em benefício próprio, comprovação de êxito pessoal, a repetição se fortalecerá, alimentando cada vez mais a MENTIRA.
Confundimos diariamente o ter com o ser, o poder com o direito, o favor com o dever, a obrigação com a gentileza, e o maior de todos os enganos e confusões, o possuir com o amor.
Se assim continuarmos, viveremos eternamente nesse círculo, feito cegos na escuridão, onde o ver de nada adiantaria, nossa única solução é o ser, os poucos que são e que foram, que acordaram para viver na VERDADE foram por nós tidos como loucos, como anormais e infelizmente muitas vezes como inimigos. Nos tratamos logo de os calar, de nos livrar deles, porque sabemos que esses poucos, lá em nosso íntimo mais profundo, são e foram os portadores da VERDADE, a verdade coletiva, a verdade absoluta, uma dentre tantas leis do universo.

AMAI TEU CRIADOR E TODAS AS CRIATURAS COMO DEVERIAS AMAR A SI PRÓPRIO.
Se avaliarmos essa VERDADE de forma simples, sem nenhuma conotação religiosa, iremos entender que nossa vida está intimamente ligada a vida de todos os nossos semelhantes e ao local em que vivemos, nosso planeta nos dá o suporte necessário a nossa vida e a vida e escolha de nossos semelhantes tem influência em nossas vidas de forma direta e indireta.
A humanidade necessita parar, reavaliar conceitos, postura, valores e amadurecer, devemos tomar a nós, a responsabilidade de nossas escolhas, escolher com consciência edificadora, exercer nosso livre arbítrio, independente das sansões. Somente assim estaremos livres, somente assim viveremos a VERDADE.
A necessidade do Renascimento
Não tenhas medo de renascer, afinal, já nasceste uma vez, teu choro, teu protesto por ter sido violentamente tirado do conforto do útero de sua mãe, na VERDADE foi a oportunidade do teu respirar, do início de apenas mais uma etapa de sua vida.
Não se acomodes na inércia, você não foi dado a isso, não é da natureza humana o adormecimento, a você foi dado a capacidade de observar, concluir e agir, então faça uso do seu livre arbítrio, orientado pela paz e pela justiça, buscando sempre o bem comum.
Não confudas altruísmo com a aniquilação da sua vontade, entenda por altruísmo uma das formas de manifestar de maneira positiva a tua vontade, as tuas idéias e os teus ideais.
Questione-se diariamente, avalie e reavalie suas atitudes, busque nesse questionamento o amadurecimento da sua alma, medite constantemente na paz e na verdade.
Se você assim o fizer, jamais o medo e a dúvida te impedirão de agir quando sua ação se fizer necessária.
Buscai diariamente vivenciar sua religiosidade, fortaleça teu elo com teu Criador e respeite teu ambiente, teus semelhantes e o teu ritmo pessoal.
Não questione nada além das suas escolhas, não se norteie pelo passado e viva o teu presente com toda a força da tua alma, como se esse fosse teu último dia de vida.
Quando essa consciência de todas as coisas iluminar tua mente e espírito, saberás em teu mais profundo ser, que estás no caminho da verdade e da vida.
Busque a verdade, viva a verdade e ela te libertará. Pois sob a luz da verdade, não existe mentira que faça sombra.

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