SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

18 abril, 2012

POR SEGUNDOS... (Cacau Loureiro)

Preciso de tempo para assimilar
todos os golpes, para aguentar
todos os assaltos...
O suor inunda os meus olhos, o
seu sal me queima a alma;
no sufoco eu reprimo a ira.
O inimigo diante das vistas, os
meus braços ao longo do corpo.
Os meus punhos doloridos, o meu
espírito exausto.
Em síndrome apoplética desfigura-se
minha postura atlética... estática,
atônita eu ainda golpeio a minha
face mais oculta. Recosto-me uma
vez mais nas cordas poéticas, pois,
quadrilátero é o ringue da vida!...
Teus lábios, lona fina fantasmagórica...
Não sei se desfaleço ou morro por
segundos... tecnicamente não me
entreguei ao nocaute.
Eu sei sobre o peso do mundo em
minhas costas, tuas mãos como
luvas não me libertam os dedos
da dor torturante, meus gemidos
não têm respostas, o meu rosto
no piso ondulante, ao longe o soar
do gongo; o ar, a água é como gole
abrasivo que a minha garganta resseca.
No último instante, ao derradeiro golpe,
eu desperto, um filete de esperança
subsiste, reveste-me.
Hauro o fio de vida que me resta, penso
no tênue laço que a esta terra nos prende...
levanto os olhos, alço para os céus minhas
mãos como asas...
Transponho as grossas cordas do medo,
vislumbro a multidão que grita...
Algo em meu peito se agita... estou de pé,
refeita, pronta novamente pra luta.

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