LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




28 de outubro de 2009

COMO TER COMPAIXÃO... (Bel César)

(Como ter compaixão por aqueles que nos fazem sofrer - Bel César terapeuta)
Em geral, o termo psicopatia nos leva a pensar numa pessoa de mau caráter, como os criminosos, estupradores e golpistas. Por isso, temos de ser cuidadosos ao reconhecer as características de uma pessoa que sofre de psicopatia leve: ela pode não ser uma pessoa com intenções negativas, mas será, sim, um narcisista em busca de satisfazer apenas os seus prazeres imediatos. Vai mentir e manipular. Com as desculpas mais nobres, justificará seus atos, tornando-se uma vítima declarada diante de qualquer circunstância.
É muito duro conviver com pessoas que não são capazes de se responsabilizar por seus atos conscientes, porém, inconseqüentes. Afinal, eles sabem o que fazem, mas como não sentem culpa, remorso, nem temem punição, seguem em frente agindo por interesse próprio, justificando seus atos, racionalmente. Aliás, alguns costumam pedir "desculpas" quando são flagrados. Eles gentilmente dizem: "Você tem razão, desculpe". Mas eles não mudam! Continuam sendo descaradamente como são: abusivos.
Se admitirmos que certas pessoas são assim e não vão mudar, cabe a nós mesmos reconhecer os limites de uma relação baseada na falta de trocas afetivas e ter atitudes coerentes com essas constatações. Por exemplo, uma vez que já sabemos que elas não vão cumprir suas repetidas promessas, temos de parar de lhes dar "novas chances".
Em outras palavras, temos que agir conforme a realidade se mostra possível. Portanto, seja realista quanto ao que esperar de uma pessoa que não sabe se colocar no seu lugar e pede constante atenção.
A vida não é um mercado livre. É preciso ter clareza do quanto somos capazes de oferecer sem trocar. De fato, muitas vezes damos sem pensar em receber algo em troca. É natural ser generoso e compartilhar o que temos para oferecer. Mas isto só é possível e saudável enquanto não estivermos sendo prejudicados, nem prejudicando outras pessoas ao nosso redor em prol de uma pessoa que não mede seus atos inconseqüentes.
O fato é que temos de lidar com a frustração de que esta não é, nem será, uma relação equilibrada. Conforme o grau de envolvimento e proximidade, muitas vezes temos que aceitar esta limitação, pois não há como nos afastarmos totalmente das situações geradoras de frustração.
A frustração é um sentimento decorrente do não recebimento de uma gratificação esperada. Ela "apaga" nosso impulso de vida, uma vez que gera sentimentos de incompetência, desvalor, vulnerabilidade e uma percepção de fracasso iminente.
Por isso, temos que conhecer muito bem a natureza da situação na qual nos encontramos, para não identificarmos suas limitações como sendo de nossa própria pessoa.
Não podemos resolver tudo! Não podemos ser aquele que sempre cede e nega suas necessidades porque pensa que fazendo assim, "tudo estará resolvido".
Se quisermos continuar evoluindo internamente, não podemos ficar paralisados pela dor da frustração. Então, o que fazer?
O budismo nos inspira a sermos guiados pela sabedoria da compaixão. Yongey Rinpoche, em seu livro Alegria de Viver (Ed. Campus), escreve: "Quanto mais claramente vemos as coisas como são, mais dispostos e capazes nos tornamos de abrir nossos corações a outros seres". Ao aprender a ver de onde a outra pessoa está vindo, qual é sua real condição, teremos menos chances de nos envolvermos num conflito, pois a clareza de saber distinguir as nossas limitações das limitações criadas pela outra pessoa irá nos proteger de não continuarmos a agir unilateralmente.
Para ter compaixão, é preciso sentir algo de positivo que você queira compartilhar. Ou seja, só podemos dar felicidade com felicidade. Por isso, o primeiro passo é reconhecer a sua própria força.
A palavra sânscrita para "ser humano" é purusha, que basicamente significa "algo que tem força". Despertarmos nossa força para realizarmos algo que queremos muito: continuar evoluindo interiormente.

Um comentário:

Andrea Mari disse...

quanta informacao, ja tive uma pessoa assim na minha vida,que nao tinha empatia e sempre queria atencao e desculpava se por tudo,manipulavam enfim...melhor é ter amor proprio sempre! belo texto! bjosss