LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




31 de outubro de 2009

ÁPAGE (Cacau Loureiro)


Calada estanquei os meus atos, na
síndrome dos teus caprichos a se
misturarem aos meus, enregelei a
paixão.
Como uma boca ardente de desejo
pode guardar palavras tão frias?
Mãos calorosas guardar atitudes
tão baixas?
Meu coração emudecido fechou em
negro o meu espírito, estagnou os
meus gestos voluptuosos.
Mortificada quero esquecer toda a
cena, uma atitude de carinho não
poderia ser tão obscena, mostrar-se
tão desconexa.
Como ainda decantar o amor?
Como agora refrear a paixão?
Como poderei limitar a tensão?
Não mais importa aquele momento,
pois que o tempo o apagará...
Mas, eu queria chorar, entregar-me
às mágoas, porém, não posso extravasar
o que não mais está em meu coração.
No reflexo deste apagão sinto-me
empobrecida... sob os açoites da vida
eu pleiteio o meu próprio perdão.
Consciência, estado de espírito,
inferno astral, seja o que for... eu
quero a paz!...
Neste embate que travo, nesta luta
em que deveras tombo... eu preciso
suplantar este desgosto, eu preciso
chorar em outro ombro.
Tentei te expor, gritar-te, falar-te da dor;
Embalo-me neste estupor... eu sei,
esquecerei um dia que te embalei em amor.
Ápage!


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