LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

Seguidores

REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




31 de outubro de 2009

ÁPAGE (Cacau Loureiro)


Calada estanquei os meus atos, na
síndrome dos teus caprichos a se
misturarem aos meus, enregelei a
paixão.
Como uma boca ardente de desejo
pode guardar palavras tão frias?
Mãos calorosas guardar atitudes
tão baixas?
Meu coração emudecido fechou em
negro o meu espírito, estagnou os
meus gestos voluptuosos.
Mortificada quero esquecer toda a
cena, uma atitude de carinho não
poderia ser tão obscena, mostrar-se
tão desconexa.
Como ainda decantar o amor?
Como agora refrear a paixão?
Como poderei limitar a tensão?
Não mais importa aquele momento,
pois que o tempo o apagará...
Mas, eu queria chorar, entregar-me
às mágoas, porém, não posso extravasar
o que não mais está em meu coração.
No reflexo deste apagão sinto-me
empobrecida... sob os açoites da vida
eu pleiteio o meu próprio perdão.
Consciência, estado de espírito,
inferno astral, seja o que for... eu
quero a paz!...
Neste embate que travo, nesta luta
em que deveras tombo... eu preciso
suplantar este desgosto, eu preciso
chorar em outro ombro.
Tentei te expor, gritar-te, falar-te da dor;
Embalo-me neste estupor... eu sei,
esquecerei um dia que te embalei em amor.
Ápage!


30 de outubro de 2009

NÃO SE FAÇA DE VÍTIMA (Graziella Marraccini)

A autopiedade, a retaliação, a frustração, a vingança, são sentimentos que precisam ser banidos de nossos corações, pois são eles os verdadeiros ‘culpados’ por nossos fracassos. Se conseguirmos substituir esses pensamentos negativos e essas reações emocionais ditadas por nosso ego ferido e os substituirmos por sentimentos positivos, de amor, de perdão, de compaixão, de generosidade, estaremos abrindo as portas ao fluxo de energia necessário para chegar no fim de nossa passagem sobre a Terra e ter feito a diferença, tendo deixado um rastro de luz atrás de nós. Se perdemos tempo e energia focalizando a vida dos outros, tendo inveja ou raiva, como podemos ter energia suficiente para trilhar nosso próprio caminho? Nossa vida é uma senda pela qual levamos nosso ‘carro’ para alcançar um objetivo. Cada um de nós escolhe sua própria ‘lenda pessoal’ antes de encarnar. Nosso espírito escolhe o momento exato do seu nascimento, a família, o local onde nascerá para que essa lenda se cumpra totalmente. Eu gosto de fazer uma comparação: Nós somos como passageiros de uma carruagem, puxada por quatro cavalos. Os cavalos correspondem aos nossos instintos vegeto-animais, aqueles que nos servem para a sobrevivência do nosso físico. Procurar prazer, nos comunicar, nos reproduzir, nos sociabilizar, faz parte do homem vegeto-animal. A meu ver a carruagem corresponderia ao nosso corpo físico, ou seja, ao invólucro usado pelo espírito que é passageiro da carruagem. Esse passageiro, porém, não sabe onde ele irá levar sua carruagem, e pode percorrer o caminho levado pelos seus impulsos de sobrevivência. Por essa razão, se ele não conhecer profundamente as necessidades de cada cavalo, acabará cansando-os ou esgotando suas energias e a carruagem irá parar. E, se o passageiro não prestar atenção às valetas, aos obstáculos ou às pedras do caminho, acabará quebrando a carruagem, avariando-a e precisará parar antes de chegar ao seu destino. O passageiro tem, no entanto, dentro de si, uma voz, a voz do Mestre Interior que se conecta diretamente com a Luz. O Mestre Interior conhece a senda, conhece os obstáculos e conhece o destino final, ou seja, a missão individual. Ele procura ajudar o passageiro a dirigir a carruagem, dando-lhe conselhos, dirigindo suas escolhas. Eu costumo comparar o Mestre Interior como o Guia ou Anjo da Guarda que nos protege e nos indica o caminho. Só que nem sempre o passageiro escuta seus conselhos, distraído que está a olhar a paisagem ou as outras carruagens que o ultrapassam e que muitas vezes são mais bonitas que a sua. Então, neste momento, ele cai num buraco, não vê a valeta, e perde de vista seu destino, pois sua energia estará sendo desperdiçada em emoções descontroladas, sentimentos de inveja, de rancor ou de raiva. Alguns outros passageiros levam sua carruagem nas trilhas já traçadas por outras carruagens que passaram anteriormente e não fazem suas próprias escolhas. Eles repetem condicionamentos traçados pelos ancestrais, pela sociedade em que vivem, pelos pais que os criaram e não ouvem a voz do Mestre e tampouco sabem conduzir sua própria carruagem, deixando que os cavalos a dirijam. No entanto, aqueles que enveredam no caminho da espiritualidade e procuram realmente conhecer sua missão, podem canalizar suas energias na direção de sua meta, escutando os conselhos do Mestre, conselhos esses que todos podem ouvir. No entanto, quando perdemos alguma oportunidade de crescimento espiritual, e não compreendemos a razão do obstáculo que enfrentamos, a Voz do Mestre se faz ouvir e nos envia um aviso. Um obstáculo, uma valeta, um desvio, uma curva fechada na estrada da vida: esses são os avisos do Mestre. Porém, se nosso coração estiver preenchido com ódio e rancor, como escutá-lo, como compreendê-lo?

29 de outubro de 2009

INDIVIDUALIDADE (Samuel Aun Weor)


(Extraído do Tratado de Psicologia Revolunionária,
de VM Samuel Aun Weor)

Acreditar-se Uno, certamente é uma brincadeira de muito mau gosto; desafortunadamente esta vã ilusão existe dentro de cada um de nós. Lamentavelmente, sempre pensamos de nós mesmos o melhor, jamais nos ocorre compreender que nem sequer possuímos uma verdadeira individualidade. O pior do caso é que até nos damos ao falso luxo de supor que cada um de nós goza de plena consciência e vontade própria. Pobre de nós! Quão néscios somos! Não há dúvida que a ignorância é a pior das desgraças. Dentro de cada um de nós existem muitos milhares de indivíduos diferentes, sujeitos distintos, "Eus" ou pessoas que brigam entre si, que pelejam pela supremacia e que não têm ordem ou concordância alguma. Se fôssemos conscientes, se despertássemos de tantos sonhos e fantasias, quão distinta seria a vida. Mas para o cúmulo do nosso infortúnio, as emoções negativas e as autoconsiderações e amor próprio nos fascinam, nos hipnotizam, jamais nos permitem recordar de nós mesmos, ver-nos tal qual somos. Acreditamos ter uma só vontade, quando na realidade possuímos muitas vontades diferentes (cada Eu tem a sua). A tragicomédia de toda esta Multiplicidade Interior é pavorosa; as diferentes vontades interiores chocam-se entre si, vivem em conflito contínuo, atuam em diferentes direções. Se tivéssemos verdadeira Individualidade, se possuíssemos uma Unidade em vez de uma Multiplicidade, teríamos também continuidade de propósitos, consciência desperta, vontade particular, individual. Mudar é o indicado, entretanto devemos começar por ser sinceros conosco. Necessitamos fazer um inventário psicológico sobre nós mesmos para conhecer o que nos sobra e o que nos falta. É possível conseguir a Individualidade, mas se acreditamos tê-la, tal possibilidade desaparecerá. É evidente que jamais lutaríamos por conseguir algo que acreditamos ter. A fantasia nos faz crer que somos possuidores de Individualidade e até existem no mundo escolas que assim o ensinam. Os ególatras adoram tanto o seu querido Ego, que nunca aceitariam a idéia da multiplicidade de "Egos" dentro de si mesmo. Os paranóicos com todo o orgulho clássico que os caracterizam, nem sequer leriam este livro. É indispensável travarmos uma luta de morte contra a fantasia acerca de nós mesmos, se é que não queremos ser vítimas de emoções artificiais e experiências falsas que além de colocar-nos em situações ridículas, detêm toda possibilidade de desenvolvimento interior. O animal Intelectual está tão hipnotizado pela sua fantasia, que sonha que é Leão ou águia, quando na verdade não é mais que vil verme do lodo da terra. O mitômano jamais aceitaria esta afirmação feita nas linhas acima; obviamente ele se sente Arquihierofante, digam o que digam, sem suspeitar que a fantasia é meramente nada, nada senão fantasia. A fantasia é uma força real que atua universalmente sobre a humanidade e que mantém o humanóide intelectual em estado de sonho, fazendo-o crer que já é homem, que possui verdadeira individualidade, vontade, Consciência desperta, mente particular, etc. Quando pensamos que somos Um, não podemos mover-nos de onde estamos em nós mesmos, permanecemos estancados e por fim degeneramos, involuímos.
Cada um de nós encontra-se em determinada etapa psicológica e não podemos sair da mesma, a menos que descubramos diretamente todas essas pessoas ou "Eus" que vivem dentro de nossa pessoa. É claro que mediante a auto-observação íntima poderemos ver as pessoas que vivem em nossa psique, e que necessitamos eliminar para lograr a transformação radical. Esta percepção, esta auto-observação, muda fundamentalmente todos os conceitos equivocados que tínhamos sobre nós e como resultado, evidenciamos o fato concreto de que não possuímos verdadeira Individualidade. Enquanto não nos auto-observar, viveremos na ilusão de que somos Um e como conseqüência nossa vida será equivocada. Não é possível nos relacionar corretamente com nossos semelhantes, enquanto não se realizar uma mudança interior no fundo de nossa psique. Qualquer mudança íntima exige a eliminação prévia dos "Eus" que levamos dentro de nós. De nenhuma maneira poderíamos eliminar tais "Eus" se não os observamos em nosso interior. Aqueles que se sentem Um, que pensam de si mesmo o melhor, que nunca aceitariam a Doutrina dos Muitos, tampouco desejam observar aos "Eus", e, portanto, qualquer possibilidade de mudança torna-se impossível para eles. Não é possível mudar se não se elimina, mas quem se sente possuidor da Individualidade, se aceitasse que deve eliminar, ignoraria realmente o que deve eliminar. Todavia, não devemos esquecer que, quem crê ser Um, auto-enganado, crê que sabe o que deve eliminar, mas na verdade nem sequer sabe que não sabe, é um ignorante ilustrado. Necessitamos exorcizar nosso egoísmo para "individualizar-nos", mais quem crê que possui a Individualidade é impossível que possa exorcizar-se. A individualidade é sagrada cem por cento, raros são os que a tem; mas todos pensam que a tem. Como poderíamos eliminar os "Eus", se cremos que temos um Eu Único? Certamente só quem jamais se auto-observou seriamente pensa que tem um Eu Único. Todavia devemos ser muito claros neste ensinamento, porque existe o perigo psicológico de confundir a Individualidade autêntica com o conceito de alguma espécie de Eu Superior ou algo do gênero. A Individualidade Sagrada está muito além de qualquer forma de Eu, é o que é, o que sempre tem sido, e o que sempre será. A legítima Individualidade é o Ser e a razão de ser do Ser, é o mesmo Ser. Distinga-se entre o Ser e o Eu. Aqueles que confundem o Eu com o Ser, certamente nunca se auto- observaram seriamente. Enquanto a Essência, a Consciência, continuar engarrafada dentro de todo esse conjunto de "Eus" que levamos dentro, a mudança radical será algo mais que impossível.

ESPERA (Cacau Loureiro)


Nesta tarde ensolarada de outono
Sento-me em minha cama...
Em meu quarto claro, pensamentos
Voam como o vento fresco que
Fiel segue o sol...

A tarde bate fria em minha alma fechada.
Neste mundo vão, o que as pessoas
verdadeiramente serão nestas
histórias falsamente encantadas?

Sei que a canção que acompanha a
Brisa desfolha e despetala as flores
Do meu aprimorado jardim, cultivado
Com esmero nas estações conturbadas.

Mas, sei que o vento sopra ainda, rude,
Frio e triste na tela da vida colorida.
Amalgamando em nuanças sem par
Este momento aflito do meu peito.

O inverno ainda vem pela frente,
O sol ficará morno e fraco... tão
Tênue, quase morto.
E quando o verão voltar,
Ah! Quando o verão voltar...
Sorrirei de novo!...

VIAGEIRO (Cacau Loureiro)


A alegria partiu... não deixou rastros...
como trem expresso não fez parada
em meu coração isolado.
Caminho a esmo pelos trilhos da
saudade... adiante os paralelos se
confundem, não se encontram.
Entre as férreas linhas que se partem,
além do horizonte o céu é túnel sem luz...
é rumo infindo.
Há um silêncio mórbido no aço frio
das vaidades, não há vestígios de som,
não há chegada.
Na plataforma deserta o meu amor é
peregrino, viajante sem pausa.
O tempo cessou na partida das lágrimas

onde o relógio é maquinista insensível.
Minha bagagem parece-me inútil, pois que
minhas vestes são maiores que meus sonhos.
Arrasto emoções para destino sem causa,
não há portas suficientes para a multidão
de desejos...
Translado a paisagem que me morre velozmente
para o fundo do meu peito viageiro.

28 de outubro de 2009

PARTIDA (Cacau Loureiro)


Percebo ao longe
esse teu rosto fino,
esses traços belos
que com as mãos toquei.

E nessa estrada, a
qual caminhamos,
só vejo a ti a
sumir-se na distância,
só vejo o nada a
envolver o teu ser.

E eu fitando-te
ao sumir de vista,
sou eu deixando-te
sem te deixar ir.

Algo nebuloso embaça-me
as vistas... minha alma
absorve essa poeira da
estrada que cavalgamos,
e surpresa percebo que
fomos nós e não o pó
que ficou a beira do caminho.


COMO TER COMPAIXÃO... (Bel César)

(Como ter compaixão por aqueles que nos fazem sofrer - Bel César terapeuta)
Em geral, o termo psicopatia nos leva a pensar numa pessoa de mau caráter, como os criminosos, estupradores e golpistas. Por isso, temos de ser cuidadosos ao reconhecer as características de uma pessoa que sofre de psicopatia leve: ela pode não ser uma pessoa com intenções negativas, mas será, sim, um narcisista em busca de satisfazer apenas os seus prazeres imediatos. Vai mentir e manipular. Com as desculpas mais nobres, justificará seus atos, tornando-se uma vítima declarada diante de qualquer circunstância.
É muito duro conviver com pessoas que não são capazes de se responsabilizar por seus atos conscientes, porém, inconseqüentes. Afinal, eles sabem o que fazem, mas como não sentem culpa, remorso, nem temem punição, seguem em frente agindo por interesse próprio, justificando seus atos, racionalmente. Aliás, alguns costumam pedir "desculpas" quando são flagrados. Eles gentilmente dizem: "Você tem razão, desculpe". Mas eles não mudam! Continuam sendo descaradamente como são: abusivos.
Se admitirmos que certas pessoas são assim e não vão mudar, cabe a nós mesmos reconhecer os limites de uma relação baseada na falta de trocas afetivas e ter atitudes coerentes com essas constatações. Por exemplo, uma vez que já sabemos que elas não vão cumprir suas repetidas promessas, temos de parar de lhes dar "novas chances".
Em outras palavras, temos que agir conforme a realidade se mostra possível. Portanto, seja realista quanto ao que esperar de uma pessoa que não sabe se colocar no seu lugar e pede constante atenção.
A vida não é um mercado livre. É preciso ter clareza do quanto somos capazes de oferecer sem trocar. De fato, muitas vezes damos sem pensar em receber algo em troca. É natural ser generoso e compartilhar o que temos para oferecer. Mas isto só é possível e saudável enquanto não estivermos sendo prejudicados, nem prejudicando outras pessoas ao nosso redor em prol de uma pessoa que não mede seus atos inconseqüentes.
O fato é que temos de lidar com a frustração de que esta não é, nem será, uma relação equilibrada. Conforme o grau de envolvimento e proximidade, muitas vezes temos que aceitar esta limitação, pois não há como nos afastarmos totalmente das situações geradoras de frustração.
A frustração é um sentimento decorrente do não recebimento de uma gratificação esperada. Ela "apaga" nosso impulso de vida, uma vez que gera sentimentos de incompetência, desvalor, vulnerabilidade e uma percepção de fracasso iminente.
Por isso, temos que conhecer muito bem a natureza da situação na qual nos encontramos, para não identificarmos suas limitações como sendo de nossa própria pessoa.
Não podemos resolver tudo! Não podemos ser aquele que sempre cede e nega suas necessidades porque pensa que fazendo assim, "tudo estará resolvido".
Se quisermos continuar evoluindo internamente, não podemos ficar paralisados pela dor da frustração. Então, o que fazer?
O budismo nos inspira a sermos guiados pela sabedoria da compaixão. Yongey Rinpoche, em seu livro Alegria de Viver (Ed. Campus), escreve: "Quanto mais claramente vemos as coisas como são, mais dispostos e capazes nos tornamos de abrir nossos corações a outros seres". Ao aprender a ver de onde a outra pessoa está vindo, qual é sua real condição, teremos menos chances de nos envolvermos num conflito, pois a clareza de saber distinguir as nossas limitações das limitações criadas pela outra pessoa irá nos proteger de não continuarmos a agir unilateralmente.
Para ter compaixão, é preciso sentir algo de positivo que você queira compartilhar. Ou seja, só podemos dar felicidade com felicidade. Por isso, o primeiro passo é reconhecer a sua própria força.
A palavra sânscrita para "ser humano" é purusha, que basicamente significa "algo que tem força". Despertarmos nossa força para realizarmos algo que queremos muito: continuar evoluindo interiormente.

ÁGUAS-MORTAS (Cacau Loureiro)


Em cada passo, uma esquina,
o mundo passa à minha volta,
minha revolta é não querer
parar. Pairando sobre o
firmamento estão meus
verdadeiros caminhos; não
os toco, pois sempre me precipito
no caos da minha memória. É o
passado, vácuo do meu corpo.
Quão grandes são meus sonhos!...
Minha alma liberta só alimenta
os anseios, os quais não posso
ocultar. Pelos instantes padeço
porque meu preço é a vida que
levo, e a verdade que trago, só
desmistifica o que já me é
difícil acreditar.
Em cada passo, o céu mais longe
fito, os sonhos mais altos voam.
Contudo, ponho os pés no chão
e limpo a lama da alma.
Em cada palmo de terra vou
ao encontro do infinito, o
limite do mar...
Paradoxo fatal é o mundo, a vida!...
Mergulho fundo, peito aberto,
difusão água é céu.
Sou átomo vibrante de pequeníssima
dimensão.
A água, o céu, o sol, o sal, a terra
fogem-me das mãos.
Desperto por fim... então... entre
meus dedos a caneta repousa.
Papeis na mesa, sobre a cama,
no chão, analogamente distintos
uns sobre os outros, como tela e
pincel, como lençol e dossel.
A luz da janela cintila no escuro do meu
quarto, a brisa esvoaça os esboços dos
meus versos. São meus sonhos, minha
vida. Tão meninos, recordo-me menina...
...águas-vivas,
folhas secas,
águas-mortas,
preamar no mar da vida.

27 de outubro de 2009

TAKE MY HEART BACK

video

Esta primeira música deste vídeo é de um belíssimo filme chamado ANTES QUE TERMINE O DIA, cuja atriz principal também a canta.


PEGAR MEU CORAÇÃO DE VOLTA

(Canta- Jennifer Love Hewitt)


Tudo ficará bem
Você disse
Amanhã
Não chore
Não derrame uma lágrima
Quando acordar
Ainda estarei aqui
Quando acordar
Combateremos seus medos
E agora irei...
Pegar meu coração de volta
Deixar suas fotos no chão
Roubar de novo minhas memórias
Não posso suportar
Sequei minhas lágrimas
E agora encaro os anos
Do jeito que você me amou
Dissipou todas as lágrimas
Apenas um pouco mais de tempo foi o que precisamos
Apenas um pouco de tempo para que eu visse
A luz que a vida pode dar
Como voce pode ser livre
Então agora irei
Pegar de volta meu coração
Deixo suas fotos no chão
Roubo o passado da lembrança
Não posso suportar
Sequei minhas lágrimas
E agora encaro os anos
Do jeito que você me amou
Dissipou todas as lágrimas

La la la la la
La la la la la
La la la la la la la la la

Oooohooo oooooooh

26 de outubro de 2009

A HIPOCRISIA DO AMOR-PRÓPRIO (Blaise Pascal)

A natureza do amor-próprio e deste eu humano é de só se amar a si e de só se considerar a si. Mas que há-de fazer? Não saberia impedir que este objeto que ama esteja cheio de defeitos e de misérias: quer ser grande e vê-se pequeno; quer ser feliz e vê-se miserável; quer ser perfeito - vê-se cheio de imperfeições; quer ser objeto do amor e da estima dos homens e vê que os seus defeitos só merecem a sua aversão e o seu desprezo. Este embaraço em que se encontra produz nele a mais injusta e a mais criminosa paixão que é possível imaginar; porque concebe um ódio mortal contra esta verdade que o repreende, e que o convence dos seus defeitos. Ele desejaria aniquilá-la, e não a podendo destruir em si mesma, destrói-a, tanto quanto pode, no seu conhecimento e no dos outros, isto é, põe todos os cuidados em encobrir os seus defeitos, aos outros e a si mesmo, e não suporta que lhos façam ver, nem que lhos vejam.
É sem dúvida um mal estar cheio de defeitos; mas é ainda um mal muito maior estar cheio e não os querer reconhecer, visto que é acrescentar-lhe ainda o de uma ilusão voluntária. Não queremos que os outros nos enganem; não achamos justo que queiram ser mais estimados por nós do que o que merecem: não é portanto justo também que os enganemos e queiramos que nos estimem mais do que merecemos. Assim, quando só descobrem imperfeições e vícios que nós com efeito temos, é visível que não nos prejudicam, visto que não são eles a causa dessas imperfeições, e que nos fazem um benefício, por nos ajudarem a libertar-nos de um mal, que é a ignorância das imperfeições. Não nos devemos zangar porque as conheçam, e porque nos menosprezem: sendo justo que nos conheçam pelo que somos, e que nos desprezem se somos desprezíveis. Eis os sentimentos que nasceriam de um coração cheio de retidão e de justiça. Que devemos portanto dizer do nosso, quando nele encontrarmos uma disposição completamente contrária? Pois não será verdade que odiamos a verdade e aqueles que no-la dizem, e que gostamos que se enganem com vantagem para nós e que queremos ser estimados por eles por sermos diferentes daquilo que com efeito somos? (...) A vida humana é apenas uma ilusão perpétua; o que fazemos é enganar-nos e iludir-nos mutuamente. Ninguém fala de nós na nossa presença como na nossa ausência. A união que existe entre os homens é fundada sobre este mútuo embuste; e poucas amizades subsistiriam se cada um soubesse o que o seu amigo diz dele quando não está presente, ainda que ele fale então sinceramente e sem paixão. O homem é apenas disfarce, engano e hipocrisia em si mesmo e para com os outros. Não quer que lhe digam a verdade e evita dizê-la aos outros; e todas estas disposições tão afastadas da justiça e da razão têm uma raiz natural no seu coração.

24 de outubro de 2009

TELÚRICO (Cacau Loureiro)

Todo o tempo do mundo é pouco para
estar contigo, em teu universo amante e
amigo não há como demarcar as horas,
compassar o débil relógio...
De braços abertos eu me jogo em teu
precipício de ternura, pois que acredito
que o meu voo apesar de cego, é bonito!
Assim colho as rosas mais bonitas que
germinam entre as pedras da saudade e
fazem-me colorir de ti o meu amplo infinito.
Assim viajo em espirais que me levam por
mares e céus desta terra encantada, o meu amor...
O meu desejo contumaz, a minha pressa
ferem-me as entranhas, deixam secas cicatrizes
que só se convalescem eu teu tom balsâmico,
em teus gestos lúbricos.
E eu quero ainda descortinar o teu mundo, em
amplexo de venturas e pesares, em discernimento.
Em estesia astral eu quero transpor intergaláctica
fronteira, sem medida de tempo ou espaço, em
teu âmbito singularmente cortês.
Em meu perfil altamente onírico eu luto para
permanecer em meu estado racional e telúrico.
Eu quero transgredindo da física todas as leis
transpassar teu corpo, habitar teus dias, como
jamais alguém algum dia fez!...

SOBRESTAR (Cacau Loureiro)


É breve a volúpia dos
meus gestos, que não
refeitos das orgias
d’outros dias, fatigados
estão a te conceder
meu espírito.
Entrelaço as mãos
pelos cabelos, poucas
vezes desse jeito assim
me pego.
Não gosto de ser vista
como prenda, espero
apenas que isto
compreendas.
Sabes que te entrego
com louvor os meus
defeitos, por força da
espera ou por direito,
simplesmente por ser
mulher.
A ti me dou com uma
força sobre-humana
quando me queres assim
tão de repente.
Peço-te amigo, seduzas-me
a noite inteira até que eu
queira doar-me por completo.
Se és devoto do meu corpo,
minha pele, não apresse
nosso encontro, nossas
almas. Não há encanto
quando me dou como presente.

SUASÃO (Cacau Loureiro)


Uma força estranha impele-me
a você... eu não faço força para
ir contra esta força que me
impulsiona ao teu ser...
O desejo, a paixão, já me fizeram
sofrer, mas, quanto mais abro o
coração, menos tenho medo de
viver.
A ausência, a distância, só nutrem
os meus versos, que são cruentos,
difusos...
Desconheço ainda, o teu toque, o
teu abraço, assim, minha imaginação
voa, rola livre pelo espaço.
No meu coração ilimitado, eu teço
os meus versos em ritmos alados.
Gostaria de estar ao teu lado...
Controlo passo-a-passo as batidas
do meu peito alucinado.
Nestas métricas parcas, pálidas,
vou adiando minhas respostas...
Infiltras-te em meus ouvidos,
a minha inteligência obliteras,
instiga-me os sentidos, tal é a
tua suasão que me arrepias
todos os pelos...

21 de outubro de 2009

CORDATO (Cacau Loureiro)


Eu desperto todas as manhãs com este querer
pulsando em minhas veias; bela música que vem
dos confins da terra e que me penetra todo o ser;
em meus ares tudo é tu...
E assim aspiro-te profundamente para liberar minhas
mágoas, para te cultivar em meu peito indelevelmente.
E ainda as flores a adornar meus rumos assim como
o teu sorriso franco, como o teu toque benéfico.
Nesta sina eu marcho com as canções dos românticos
amores, porque sem ti, meu coração é guitarra dos
lamentosos fados.
Contigo as pedras da estrada são suaves, pois que me
abres os caminhos com ternura e em tua suavidade eu
sou criança dócil, cordata.
De mãos contigo a mais bela ciranda a invadir meus
ouvidos, poros, músculos... rosas amarelas cravadas
em meu coração ligeiro, rítmicas claves a presentear-me
de sol!...
Tua canção vem de longe para acalmar meu espírito
aflito, provém das montanhas longínquas as quais
desejo alcançar... vem de ti a esperança que rejuvenesce,
também a dor que aperfeiçoa, sobretudo a paz que liberta!...

CLARO-ESCURO (Cacau Loureiro)


Deflagro em meus lábios a chama ardente
que fugiu dos teus implorando para que a
madrugada não se esvaia.
Quero consumir da tua essência todo o fogo,
toda a gama de emoções que o mau tempo
nos furtou.
A tempestade cessou, só restam as poucas
lembranças do passado.
O ontem corroeu minhas entranhas e são
estranhas as imagens que revolvo.
Um mar revolto inundou meus sentimentos
abarcando toda a minha juventude.
Quero viver tudo ou pouco que me resta,
pois em arestas já não temo esbarrar.
Vivi o auge, o ápice do meu espírito, hoje
tão vivo que me faz verter em risos, todo
o negrume, toda a névoa do tempo envelhecido.
A tempestade passou... o sol reina apesar
de reticente em meu olhar.
Retomemos o caminho, posto que iluminaram
nossas vidas com amor.

BACANTE (Cacau Loureiro)


Tu és ainda um menino para
o meu coração obsoleto,
para a minha alma antiquada,
mas, aprendi por esta vida
que nenhum coração é desértico.
Se soubesses, se estivesses por perto,
saberias com que intenção digo isto,
contudo, sei que minha verve canta,
é alada, não teme correr riscos.
Como vinho antigo a misturar-se
em vinho novo, assim te absorvo...
delibando em tua taça todo o teu
gosto, a tua graça.
Teus lábios doces, capitosos,
inebriam meus sentimentos,
avivam meus instintos impetuosos.
Como posso recusar, em tua boca,
beber esta poção que me reanima,
rejuvenesce?!
Como não brindar, sorver, provar
esta bebida que o meu coração
aquece e que minha cabeça
embriaga?!
Bacante sou... e bebo contigo o
vinho do mundo, a água da alma,
o sumo das horas.
Quero estar assim... embevecida em
tuas mãos, embebedada em teus lábios,
viciada em teus abraços...
Delirante de amor!

15 de outubro de 2009

TANTAS PALAVRAS (Cacau Loureiro)


Todas as noites, dia após dia eu silencio
tantas palavras...
Em meu coração de emoções enigmáticas,
gritantes, todas as rimas vociferadas,
continuamente arrancadas.
Empreender por estas vias, as quais me
abres é imensuravelmente encantador.
Quero tanto, tudo, todas as causas e coisas
por ti...
Não tenho o que dominar, apreender... se não
tenho tuas mãos nas minhas, se não tenho teus
olhos como farol a mostrar-me a exata direção!...
Na errata que são os meus velhos sonhos e
paradigmas eu quero seguir outras estradas...
Deito-me em meu leito para sonhar contigo,
no entretanto, eu não descanso, pois que não
há alento para um imo inquietado, impaciente,
agudamente enamorado.
Eu disto-me deste solitário quarto, vou buscar-te
para que estejas sempre comigo.
Em outros céus, em outras plagas há outros
chãos de muitas estrelas... outras moradas.
Tua grande alma inspira-me às canções menos
tristes... assim viajo na lembrança para que não
perca teus harmoniosos traços e reavivo meu
espírito amante.
A vida que me resta e que cintila em meus olhos
como vitalizador clarão está em ti...

Luzente fanal nos caminhos dos meus desenganos!...

TRANSVERBERADA (Cacau Loureiro)


Naveguei por muitos mares nesta vida, tu
não sabes sequer sobre um palmo da minha
rota, caminhos tortuosos, bússola incerta,
desafios, tempestades...
Por minhas andanças ultramarinas, teci
sonhos, Antárctida, continentes perdidos
em mim.
Não sou comandante em minha vida,
comandada sou pelo destino, e este a
ninguém pertence.
Em minha mente apenas, a aurora boreal,
a minha frente apenas, o imenso mar, e
aos bordos fui pelos caminhos que escolhi.
Eu sou assim: nau perdida no azulão dos
oceanos, nau fundida na escuridão do céu.
O mar morto é o sal da minha vida, o mastro
do barco a base do meu espírito.
Em meus sonhos transoceânicos busco a
constelação que me guiará à própria sorte,
não temo mais a morte, a deviação da meta,
apenas estou aberta à ondulação das vagas,
à ferocidade das ondas.
Este percurso que traço todos os dias nos
rumos meus, fazem-me conhecer o próprio
inferno, voar dentre o próprio céu.
Brava e valente sigo adiante, mas, naufrago
todos os dias. Singro o meu peito tão mal
amado, dilacerado pelos bancos de corais...
Já não navego mais, apenas, deixo-me levar...
Quantos sóis, quantos nós, quantos céus,
quantos mares!!
Sigo sem rumo, instrumentos, faleço e careço
sem argumentos.
Deixo-me ao mar, silenciosamente transviada,
inelutavelmente transverberada pela tormenta
dos meus sentimentos.

ANJO DE MIM (Cacau Loureiro)


Quando me sorriste...
Abriu-se um clarão...
E nas sombras que se revelaram
entendi sobre o repouso de que todas
as almas necessitam.
Assim me deixei ficar, sob a árvore
dos doces frutos, do saboroso
amadurecido néctar dos teus lábios.
Em tua aura, entendi das fendas dos
caminhos, dos oásis dos desertos, da
sede insana dos homens livres...
Quando fitei teus olhos...
Abriu-se um clarão...
Descobri que dentro dos seres moram
anjos, anjos de mim, anjos de ti em
profusão a balsamizar os dias tristes.
Quando me tocaste o corpo...
Abriu-se um clarão...
Impingindo em meu espírito a adaga
dos afetos, a lâmina das paixões,
a faca dos desejos, a dádiva dos amores.
Quando me deixaste só...
Abriu-se um clarão...
Da lua que não repousa em meu íntimo,
do céu que grita em profuso em meu
peito, do sol que queima permanente
em minha alma e da saudade que chora
insistente em meus olhos...

O SOFRIMENTO DO HIPÓCRITA

Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. 0 odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. 0 traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão.
(Victor Hugo, in "Os Trabalhadores do Mar")

14 de outubro de 2009

SINCRONICIDADE

1. Meu espírito é um campo de possibilidades infinitas que conecta tudo o mais. Esta frase resume a totalidade do que estou expondo. Se você esquecer tudo o mais, lembre-se apenas disso.2. Meu diálogo interno reflete meu poder interno. O dialogo interno das pessoas auto-realizadas pode ser descrito assim: é imune a críticas; não tem apego aos resultados; não tem interesse em obter poder sobre os outros; não tem medo. Isso porque o ponto de referência é interno, não externo. 3. Minhas intenções têm poder infinito de organização. Se minha intenção vem do nível do silêncio, do espírito, ela traz em si os mecanismos para se concretizar. 4. Relacionamentos são a coisa mais importante na minha vida. E alimentar os relacionamentos é tudo o que importa. As relações são cármicas e quem nós amamos ou odiamos é o espelho de nós mesmos: queremos mais daquelas qualidades que vemos em quem amamos e menos daquelas que identificamos em quem odiamos. 5. Eu sei como atravessar turbulências emocionais. Para chegar ao espírito é preciso ter sobriedade. Não dá para nutrir sentimentos como hostilidade, ciúme, medo, culpa, depressão. Essas são emoções tóxicas. Importante: onde há prazer, há a semente da dor, e vice-versa. O segredo é o movimento: não ficar preso na dor, nem no prazer (que então vira vício). Não se deve reprimir ou evitar a dor, mas tomar responsabilidade sobre ela. 6. Eu abraço o feminino e o masculino em mim. Esta é a dança cósmica, acontecendo no meu próprio eu. A energia masculina: poder, conquista, decisão. A energia feminina: beleza, intuição, cuidado, afeto, sabedoria. Num nível mais profundo, a energia masculina cria, destrói, renova. A energia feminina é puro silêncio, pura intenção, pura sabedoria. 7. Estou alerta para as conspirações das improbabilidades. Tudo o que me acontece de diferente na vida é cármico. É, portanto, um sinal de que posso aprender alguma coisa com aquela experiência. Em toda adversidade há a semente da oportunidade.
(Sete Leis da Sincronicidade para começar a ver a Mágica da Vida - Deepak Chopra)

13 de outubro de 2009

EXPERIÊNCIA SUPERFICIAL

A PARÁBOLA DO SEMEADOR
(Evangelho de MATEUS cap. 13 vers. 1-23)

No mesmo dia, tendo Jesus saído de casa, sentou-se à beira do mar e reuniram-se a ele grandes multidões, de modo que entrou num barco, e se sentou; e todo o povo estava em pé na praia.E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo:
. Eis que o semeador saiu a semear, e quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram.
. E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se.
. E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram.
. Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um.
Quem tem ouvidos, ouça.

Parece-nos, pelo ensino desta parábola, que nós temos alguma coisa a ver com o solo. A semente frutífera caiu num "coração reto e bom". Creio que há pessoas sem profundidade que são como o solo sem muita terra — aqueles que não têm um propósito real, que são movidos por qualquer apelo comovente, ou por um bom sermão, uma melodia sentimental, e que, a princípio, parece que vão produzir alguma coisa; mas não há muita terra — não há profundi­dade, não há um propósito honesto e profundo, não há um desejo real de conhecer o dever a fim de cumpri-lo. Olhemos para o solo do nosso coração.

Quando um soldado romano era informado por seu dirigente de que, se insistisse em seguir determinada expedição, provavelmente iria morrer, a resposta era: "É necessário que eu vá; não é necessário que eu viva."

Isto é profundidade. Quando estamos assim convictos, alguma coisa resultará daí. A natureza superficial vive dos seus impulsos, impressões, intuições, instintos e, também, do que a cerca. O caráter profundo olha para além dessas coisas e, enfrentando tempestades e nuvens, avança para a região ensolarada do outro lado; ele espera pelo amanhã, que sempre traz o reverso da dor e da aparente derrota e fracasso.

Quando Deus nos faz profundos, então pode dar-nos também Suas verdades e segredos mais profundos e confiar-nos coisas maiores. Senhor guia-me às profundezas da Tua vida e livra-me de uma experiência superficial.
(Mananciais no deserto, Lettie Cowman)

12 de outubro de 2009

ASAS RASGADAS (Cacau Loureiro)


Escrevi para ti meus versos soltos,
sobrevoei teu céu, decantei-te em
letras que jamais previ.
Todas as formas que te ofertei
também edifiquei dentro do
meu peito. Fiz do certo e do
errado o que era de direito.
Tu, asas abertas em mim...
Eu nada te pedi, apenas te
entreguei meu coração voluntário.
Gostar-te assim só me fez mal, só
foi errado. Contigo, adoentei meu
peito fanatizado. Mas, quero-te
ainda em mim.
Revolvo minhas rimas honestas,
os meus versos sinceros... e hoje
minhas métricas amargas, tristonhas,
não mais reacendem o que eu quero.
Rebusco forças para forjar meu
destino, para esmaecer meu desatino.
Tu, meses dourados em mim...
Lágrimas escaldantes em minh’alma
errante. Beijos ardentes adormecidos
em meus lábios; hoje sinto dor
profunda, a mesma que decantam
os versados.
Silencio emoções, sufoco o meu
próprio coração, as mil palavras
de perdão... vontades perdidas na
escuridão dos teus olhos frios.
Palavras guardadas, carinhos
negados, eu sei que vou sofrer
por não estar ao teu lado...
Tu, sentimentos rasgados em mim...




Você me vira a cabeça
Composição: Chico Roque / Paulo Sérgio Valle


Você me vira a cabeça
Me tira do sério
Destrói os planos
Que um dia eu fiz pra mim
Me faz pensar
Porque que a vida é assim...

Eu sempre vou e volto
Pros teus braços...

Você não me quer
De verdade
No fundo eu sou
Sua vaidade
Eu vivo seguindo
Teus passos
Eu sempre estou presa
Em teus laços
É só você chamar
Que eu vou...

Por que você
Não vai embora de vez?
Por que não
Me liberta dessa paixão?
Por quê?
Por que você
Não diz que não me quer mais?
Por que não
Deixa livre o meu coração?

Mas tem que me prender
(Tem!)
Tem que seduzir
(Tem!)
Só pra me deixar
Louca por você
Só pra ter alguém
Que vive sempre ao seu dispor
Por um segundo de amor
Oh! Oh! Oh! Oh!... (2x)

Você não me quer
De verdade
No fundo eu sou
Tua vaidade
Eu vivo seguindo
Teus passos
Eu sempre estou
Presa em teus laços
E é só você chamar
Que eu vou...

Por que você
Não vai embora de vez?
Por que você não vai embora?
Por que não
Me liberta dessa paixão?
Por quê?
Por que você
Não diz que não me quer mais?
Por que não
Deixa livre o meu coração?...

Mas tem que me prender
(Tem!)
Tem que seduzir
(Tem!)
Só pra me deixar
Louca por você
Só pra ter alguém
Que vive sempre ao seu dispor
Por um segundo de amor
Oh! Oh! Oh! Oh!... (3x)

8 de outubro de 2009

CARIDADE ESSENCIAL (Do Livro Vinha de Luz - Chico Xavier)


Em todos os lugares e situações da vida, a caridade será sempre a fonte divina das bênçãos do Senhor.
Quem dá o pão ao faminto e água ao sedento, remédio ao enfermo e luz ao ignorante, está colaborando na edificação do Reino Divino, em qualquer setor da existência ou da fé religiosa a que foi chamado.
A voz compassiva e fraternal que ilumina o espírito é irmã das mãos que alimentam o corpo.
Assistência, medicação e ensinamento constituem modalidades santas da caridade generosa que executa os programas do bem.
São vestiduras diferentes de uma virtude única.
Conjugam-se e completam-se num todo nobre e digno.
Ninguém pode assistir a outrem, com eficiência, se não procurou a edificação de si mesmo; ninguém medicará, com proveito, se não adquiriu o espírito de boa-vontade para com os que necessitam, e ninguém ensinará, com segurança, se não possui a seu favor os atos de amor ao próximo, no que se refira à compreensão e ao auxílio fraternais.
Em razão disso, as menores manifestações de caridade, nascidas da sincera disposição de servir com Jesus, são atividades sagradas e indiscutíveis.
Em todos os lugares, serão sempre sublimes luzes da fraternidade, disseminando alegria, esperança, gratidão, conforto e intercessões benditas.
Antes, porém, da caridade que se manifesta exteriormente nos variados setores da vida, pratiquemos a caridade essencial, sem o que não poderemos efetuar a edificação e a redenção de nós mesmos.
Trata-se da caridade de pensarmos, falarmos e agirmos, segundo os ensinamentos do Divino Mestre, no Evangelho.
É a caridade de vivermos verdadeiramente nEle para que Ele viva em nós.
Sem esta, poderemos levar a efeito grandes serviços externos, alcançar intercessões valiosas, em nosso benefício, espalhar notáveis obras de pedra, mas, dentro de nós mesmos, nos instantes de supremo testemunho na fé, estaremos vazios e desolados, na condição de mendigos de luz.

7 de outubro de 2009

CATIVA (Cacau Loureiro)


Os que se perderam hão de se encontrar...
Porque no enredo dos homens o destino tece
a teia, transforma a têmpera, derrete o aço
e adoça o fel.
Nada há que a impermanência não converta!...
Na escolha entre duas estradas, eu fito o sol,
sinalizo aos céus, pois que são eles que preparam
minha substância para o trajeto.
No emaranhado dos caminhos a esperança
desmantelada demarca os limites efêmeros
dos homens fúteis, das escolhas tolas.
Homo sapiens, primatas e chibatas de si mesmos
açoitados no azeite que fomenta e amacia seus
caracteres rígidos, seus peitos de pedra.
Mas ainda assim eu olho ao longe, removo muros,
eu crio pontes, e não esmoreço em meu semblante
o largo riso.
E cravo meus olhos nas noites estreladas...
Minha alma pertence ao universo, não às correntes
dos homens, não ao mar dos desprezos.
Sou nau errante eu sei, e singro ainda em águas
abundantes dos afetos.
Mata-me pois, porque a morte é suplício e acalanto!...

5 de outubro de 2009

SUBMERSA (Cacau Loureiro)


Submerjo em passado, pensamentos...
retroajo no tempo sem demora,
nesse voo indelével da memória,
nem eu mesma sei quando é hora de
voltar de novo à realidade.
O meu peito inundado de saudade, é
um misto de dor, felicidade.
Submerjo em passado, pensamentos...
no vagar plúmbeo dos momentos,
trago à tona o teu rosto, minha história.
No teu largo sorriso, no teu abraço de amigo
e de amante... sobeja em meu peito amor
ardente na suave loucura desse instante.
Submerjo em passado, pensamentos...
assim afogo em teu bálsamo as feridas,
eu sobrepujo do tempo as divisas que nos
separam os corpos, não as vidas.
Submerjo em passado, pensamentos...
remanesce em minha alma a tua face,
pois nem mesmo o passado em fragmentos,
rouba dos meus lábios o teu gosto.

OS FRUTOS DA TERRA


O tempo ao criar raízes nos anais
de minha vida, fez com que eu
cantasse os frutos da terra.
Pois suas sementes germinam em
mim, o impulso que me leva além
do que quero crer.
Por isso, quero cantar os frutos
da terra, o sangue negro do
escravo-operário, a Nova América,
mãe e mulher, a terra viva onde
sonham todas as raças libertarem-se.
Eu quero cantar os frutos da terra,
de onde o homem sorve a esperança
e sabe que a mão que sangra é a
mesma que trabalha e colhe o sal
da terra.
Chora é ri porque está vivo, pois
é preciso viver e ver a terra aflorar.
Porque os frutos da terra precisam
fluir e ser o princípio de tudo... da
nova era que está por vir... do novo
tempo que enraizará a paz na
história de toda a humanidade.

4 de outubro de 2009

UM A SÓS


Entrego em tuas mãos
tudo o que tenho...
Como resgatar o que não
mais está em meu domínio?
Ineludível correr contra o tempo,
contra o maquinismo insensível do
dar-se por completo.
Fugir para onde, deter-me por quê,
pois se ao teu encontro
eu vou mesmo sem querer?...
O coração que palpita insistente,
o cismar que permanece e não repousa
o meu espírito aflito.
As lembranças de tudo, pois que tudo
são lembranças...
A contenda inelutável que travo em meu ser,
o querer incontrolável do sentir.
Sentir-se cativa e desgarrada,
vencedora e vencida.
O meu ser exposto à própria vida,
à tua sorte, vagueando em terras distantes,
em céus infindos.
Eu acorro em socorro de mim mesma...
Ligo o rádio...
Ouço nossas canções.
O meu coração para o teu...
Descerrado, batido, enamorado!...

VERTIGEM


Comprime-me o cerne fina dor
que constante e cortante segue em
desafio rumo ao meu ventre.
Em brasa, em desejo, em paixão
sinto-te presente em carne e osso,
em aura e espírito.
Não sei como conter esta força
supra-humana, atrativa que em
mim é fogo, e consome-me; é
ferida aberta, acesa chama...
Quero os teus lábios, o teu sopro,
os teus dons mais próximos, em mim.
Cruel extravagância, ávida inspiração
que como fome atiça-me ao desatino.
E eu viajo em teus sons, em tuas letras
indefesa. Confesso-te que tudo arde em
fogueira insana, que tu feres-me...
Não mais sei onde começa, onde
principia o teu encanto, já não mais
sei que direção estou seguindo, pois
que também não quero adiar toda
esta fúria que do querer que me vai
tomando.
O que me impele ao teu rosto, à tua
pele deixa-me em febre, em viração
e calmaria.
Neste paradoxo em que me encontro
eu me debato... quero o teu ombro, o
teu colo, quero os teus beijos, arrebatar
todos os meus desejos em teu abraço.

BARDO


Componho apologias poéticas, concebo elegias
românticas... assim prossigo nesta aventura
epopéica!
Abrir mares nas tuas paisagens, prender o meu
cabedal de paixões à tua braga de rimas,
cobiçando a mais rara jóia, plasmando-a em
cântico de liberdade e concórdia.
O meu êxtase transpõe fronteiras, pois que
não há marcos para uma alma que canta,
não há lindes para um coração que voa!
Como não imergir em tuas candentes águas,
como não seguir a tua florescente estrela?
A insólita mistura de versos, o vigoroso traço
do encanto que para além do universo se deu.
O meu salmo para o teu, a minha lira para a tua,
o meu sopro para o teu, velas içadas à tua ilha.
Linha marcada sobre a minha geográfica carta
brado nascido na minha poética veia...
Terra à vista nas vias dos mares da vida!...
Como não viver tal sortilégio?!
Como não adentrar tua pátria nativa?!
Eu entôo o teu canto com minha própria voz,
deixo ir meus escritos em tua ode infinita.
Para além do norte, para além do sul deste vasto país,
sou remador cativo das tuas galés e cruzo o teu sorvedouro
de destro bardo, sem o leve medo de ser feliz!...