SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

17 fevereiro, 2025

HUMANO-ALÉM (Cacau Loureiro)


Eu amarro o tempo na palma da minha mão...

Como apagar lembranças se o meu travesseiro

está ébrio do teu suor... e o teu cheiro habita

por todos os ângulos da casa tirando móveis

e móbiles de lugar?!

O sol lá fora chama os homens às distrações,

mas, eu levo este clarão em meus olhos, onde o

teu corpo ameniza-me as fogueiras das vaidades.

Há corredeiras a me lançar em tuas águas

generosas, mergulho profundo daqueles que

buscaram ressurreição em vida e encontraram

a pedra filosofal da eternidade.

Há um céu azulíssimo a rebrilhar em minha

alma senciente, pois que o amor reluz feito

astro rei em hemisfério poético clarividente,

sulcando esses caminhos navegados em gôndolas

arrimadas de ternura para humano-além.

Como flor de baunilha teus aromas se depreendem

do teu ventre compondo raro perfume em tua natureza

copiosa... adentras minha cabeça, minha pele e narinas... 

Odores inarráveis trazendo-me os ventos da boa vida!...

21 novembro, 2024

SEMENTES LUZ (Cacau Loureiro)


Há uma luz no fim do túnel... acreditemos

que essa sabedoria que reside em nós, é

força motriz a nos iluminar o espírito viajante.

O feixe das claridades nasce na alma, assim,

por onde andarmos, sejamos sol, posto que

não há sombras nas trilhas do bem.

Nos dias em que nos vemos abandonados,

levantemos o bastão da esperança porque

será ele que nos levantará do chão e calcará

estradas com novos significados.

Dias há em que o mundo nos vira as costas,

nessas horas pousemos o olhar no céu porque

é de lá que descerá a chuva da renovação,

fazendo-nos solo cultivado para os recomeços.

Quando as lágrimas dificultarem nossa visão,

descansemos as mãos sobre o coração porque

é nele que nascerão as sementes do perdão,

porque somos filhos estimados libertos em

compaixão e caridade.

As palavras sábias vêm do silêncio, pois, a

balbúrdia do mundo não nos dará direção, e

somente a contrição nos trará as respostas para

as palavras rudes e atitudes medíocres.

As pedras jogadas pelo caminho machucam

nossos pés, contudo, que as deixemos burilar

o espírito porque somente ele nos fará voar

por sobre o amplo sentido da Criação...

Basta olharmos para além dos campos, no vale

das altas montanhas avistemos os lírios que

tecem e contêm todas as belezas da Terra porque

o divino permanece em nós como herança.

Deixemos o vento soprar sobre o joio e o trigo,

olhemos para nossas mãos... somente ficarão

os haveres do belo que lançamos ao largo do

caminho!...

17 outubro, 2024

DIVINO VENTO (Cacau Loureiro)

Rasgar a blusa, assim como rasgo o peito

e ir à luta... sangrando, sorrindo, cagando

e andando, pois, que ninguém nos vê como

realmente somos, pois há enganos...

Assim a vida vai rolando, arrastando planos,

levantando as folhas, movendo histórias,

desenhando sonhos e consumindo os anos

que tão bobos desperdiçamos.

E depois de conhecer os irascíveis, meu

intento é buscar um final ditoso, novas

diretrizes sem me importar se vão me

entender e o porquê de sermos tão felizes.

Olhar o horizonte e sair sem rumo, para

o começo ou para o fim do mundo, até

mudar de nome e na porta da rua quebrar

grilhões, romper cadeados, quem sabe

fazer um pacto de sangue.

Como kamikazes nos lançar nos alvos para

implodir os negros caminhos humanos, sermos

as chaves de caminhos fortuitos, no entanto,

de prodigiosos pontos futuros.

Descerrar os véus dos olhos, viver o grandioso

tempo das liberdades da alma, do verdadeiro

cultivo do espírito e em vento divino, abrir as

asas e planar sobre tudo e sobre todos, só eu 

e tu, o mar, o céu e a lua!...

15 outubro, 2024

TAPATI (Cacau Loureiro)

O sol varreu minha estrada!...

Elevou-se no horizonte para

brindar a tua existência bonita.

Não posso mais imaginar esses

cominhos sem a tua presença

iluminada... porque a vida só

é boa contigo.

E os sons da natureza fazem

música em meus ouvidos, e eles

falam de trilhas encantadas, de

ritmos harmoniosos, pois, cantar

a existência contigo é fazer coral

para as maravilhas do universo.

Como eu pude pensar neste mundo

sem o teu abraço que descolou minha

alma das coisas rasas, fluidas deste

mundo vão, coloriu-me ante o preto e

branco da racionalidade desumanizada.

Pois, eu vi o segundo sol quando olhei

para teus olhos aquosos, brilhantes

como a maior estrela das galáxias.

Levito com tudo o que o teu sopro de

vida depositou em meu espírito...

preencheu vazios, despertou sonhos,

incutiu alegria em dias sombrios.

Fez renascer o divino em mim num

entusiasmo que me fez reconhecer

em graça, em luz e poesia de que

Deus só pode ser amor!...

19 setembro, 2024

EU PROCURO VOCÊ (Cacau Loureiro)

 

A minha atitude incandescente

para com aquilo que dizes, em

mim, não é tão comum assim...

Porque não é normal gostar de um

jeito louco, de uma forma diferente,

apenas, a gente sente, acredites.

E é isso que eu quero que entendas,

sem preconcepções, ou amarras,

este é o meu apelo... como farol em

alta torre nos mares onde navegas.

Quero fazer-te sentir o quanto brilham

as estrelas do firmamento, o fogo

eterno do rei Sol dentro da noite, pois

que nenhuma noite é tão escura.

Que eu possa te ofertar um punhado 

do que sinto, do que tenho, de tudo o 

que quero e preciso.

Por isso te busco na noite... como

um refúgio, onde não há barreiras,

preconceitos, pudores, subterfúgios.

Conheces minha alma, sem atalhos, 

posto que aberta estou a ti, ao que

sentes, ao que esperas...

Sonho tão alto e tu não sabes que eu

posso sobrevoar todas as esferas, 

todos os planetas. 

A tua letra faz poesia em minha alma,

o teu sorriso, canção em meus ouvidos.

Quero ser, sem pretensão tão desmedida,

canção e poesia em teu coração, porque

escrevo sempre tentando te dar respostas.

Sigo-te por estes caminhos do mundo,

caminhos imensos, tortuosos, intolerantes.

E mesmo ao longe, tão longe, onde tu vives,

consigo como antena captar as ondas do 

teu riso.  

EU PROCURO VOCÊ!

Na tristeza do meu pranto...

na alegria do teu riso...

Encontro-te nas palavras, no vídeo da vida,

na tela do mundo, na dor, dentro da minha

própria alegoria, dentro do meu computador.

05 setembro, 2024

CÃNTAROS (Cacau Loureiro)


Cantigas, cânticos, louvores, cantares!
Assim a vida vai perfumando os espaços, vai
também, como grãos do trigo germinando nos
guetos... E me nasceu um dia novo, irrompeu do
meu peito e como criança balbuciou os primeiros
sons... evoé, evoé, evoé!...
Bateu-me o sol no rosto e a luz banhou minha
alma traçando à frente, a trajetória das alianças,
das leniências benditas.
Há na natureza a brisa leve que me eleva além
dos contratempos do destino, aos sons do mundo
eu danço a coreografia dos pássaros que vão ao
carinho dos ventos numa amplidão de paisagens
que nos fazem diminutos ante a grandeza da criação.
Há um hino que desperta os milagres, presta atenção
aos sinais, há renascimento por todos os lados,
transições do homem ao prodigioso, elevação das
energias maiores que curam e salvam.
A alegria é semente que se espalha com a gratidão,
colhamos, portanto, os frutos da felicidade...
Há cântaros que sobejam água, óleos e perfumes,
sejamos e estejamos atentos ao sagrado em nós.
Amar, é elevar-se aos céus estando na Terra!...

04 setembro, 2024

SOL MAIOR (Cacau Loureiro)

 

Todas as canções que ainda hei de

ouvir tem tuas rimas, som digital em

alto e bom tom como suas risadas

espontâneas de alguém que é real.

E a tua realeza está em tuas mãos

que regem os corais de meiguice em

notas de sândalo e tons de brancos

lírios que me devolveram a paz.

Há cifras desenhadas em aquarela

nos quadros que a vida ainda haverá

de pintar, mais belos, mais bonitos.

Mas, eu quero viver todas as promessas

contigo!...

Porque nos encontros das estações,

tecemos caminhos, escrevemos as

mais belas melodias, árias dos afetos

para louvar a existência, fazer jus ao

Criador, refrões para a imortalidade.

Há uma balada que conduz minhas

inspirações, poesia em ritmos de Sol

Maior nas pequenas coisas do dia a dia,

e, também, nos pesares do viramundo...

Que eu seja Sol Menor para que teu

dom maior para todo o sempre brilhe!

03 setembro, 2024

CIRANDEIRA (Cacau Loureiro)

Em tuas mãos as arandelas de flores perfumadas,
coloridas pelo arco-íris dos teus olhos que me é
farol, guiando-me feito elevada lua, luzeiro que rasga
o negro cosmo numa iluminação de amor em
juramentos d’alma...
Em teu regaço onde me deito, a ciranda ritmada
faz-me vibrar da cabeça aos pés...
É a dança das rosas nas fitas abençoadas da
padroeira, cadenciando os ventos alvissareiros
dos milagres, andor em cortejo de sagração pelas
ruas que se abrem ao meu espírito viageiro no
perdido tempo das eras passadas.
Há um elo valoroso guardado por trás das Três
Marias, lá onde cintilam desejos, lá onde se
realizam as votivas, farol a acender as madrugadas
de fascínio enquanto crianças dormem sossegadas.
Alço os braços no bailado desta dança para a qual
me convocas, em cerimonial dos amores fiéis, festejos
de almas em cruzeiro de chamas cálidas, fundindo
emanações etéreas aos raios de sol que me adentram
o sagrado e iluminam-me as crenças por ti aromatizadas,
olor de incensos que me penetram narinas e poros
fazendo esta nova vida encantada.
Em tuas pequenas mãos, joias raras esculpidas em
valiosas ágatas... rosário de preces em gemas
multifacetadas. Mas, em teus anelos, ah! Cirandeira!
“...A pedra do teu anel brilha mais do que o sol...”