No profundo silêncio dos quadrantes da sala...
SOBRE ESTE ESPAÇO
LÍRICOS OLHARES
LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.
Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.
Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.
Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.
Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.
REFLEXÃO
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."
Claudia Loureiro
14 novembro, 2018
DIVERGENTE (Cacau Loureiro)
No profundo silêncio dos quadrantes da sala...
04 novembro, 2018
A NOITE DOS BOÇAIS (Cacau Loureiro)
que creem muito e o correr dos que creem em nada.
Olha para o alto ante o tormento da desesperança,
os céus falam... gritam para a terra degradada
que é preciso lutar, resistir...
Que sejamos, pois, a resistência na desesperança!
Os seres estagnados ainda não foram degredados,
a ordem imperiosa do progresso humano é partir.
Boçais nos perpetram a infâmia, a fome nos circunda
com a vingança nas veias, a ira varre as casas
edificadas no suor dos trabalhadores da última hora,
famílias edificadas no amor vêem-se em dissensões,
laços que se propunham eternos se equilibram no fio
tênue do ódio e do desentendimento, a liberdade que
nos fora cantos de paz hoje é chamativo para a guerra.
A irmandade dos homens presa no coto umbilical
dos que nasceram das armas, dos que perpetram o
mal como a chama da purificação aguardam pelo
holocausto em efeito dominó.
A bíblia queimada no egoísmo torpe dos detentores
da pseudo verdade sobrevive como palavra não como
ação, impulsão da passagem do Cristo pela terra como
a grande revolução.
Profetas de aduladores tecem os discursos sintetizados
nas redes onde os pescadores sangram suas mãos...
os arames farpados das guerrilhas disfarçadas de lei e
de ordem nas periferias edificadas pelo terror do
poder nos envolvem o pescoço como intimação.
Em derredor os grilhões dos falsos moralistas instilam
a separação.
O poder que nos cerca é podre, o poder que nos cerca é
cínico, o poder que nos cerca e sequestrador de almas,
é imoral, desnatural, tão boçal quanto aqueles que o instituiu.
A vitória embalada com tiros na noite escura prenunciaram
a morte do amor, a morte da liberdade, a morte do homem
pelo homem... porque o Brasil partido virou o país fascista.
30 setembro, 2018
CANTARIA (Cacau Loureiro)
Os ventos alvissareiros da primavera ferem-me o rosto...
não prometem para o meu riso preso nas garras da
desesperança, a absolvição.
Prisioneira das incertezas eu singro o mar ignorado
pelo roto submundo dos homens.
Sinto pesar dos que navegam em seus próprios rumos
presunçosos em discurso para um ser só.
Pertenço a lugar algum e consome-me a angústia
de saber que terei de escolher para onde irei.
Deixo-me viver pelo instante que morrerei...
Movo-me nos meus velozes pensamentos cujas
lembranças não germinam vivazes no sol morno
destas manhãs onde setembro finaliza.
Toco as areias do tempo... enquanto a poeira resseca
meus olhos, meus lábios já não tecem mais os caminhos
molhados dos nossos corpos.
Há as estradas, há os trilhos, há as trilhas... os descaminhos
de nós para entoar o canto triste das músicas que já não
compomos mais.
A certeza, não existe o medo, não existe... nem do futuro e
nem da solidão.
O silêncio já não inocente que desmistifica sentimentos,
a fuga ao diálogo que não promove saídas, a certeza do
intransponível muro de quem não comove um coração oco,
e nem desperta um cérebro de pedra.
20 maio, 2018
AZORRAGUE (Cacau Loureiro)
Calarei minhas inquirições, pois ante a
sua inquisição queimarei as cinzas que
nos restam...
Banho as feridas no sal do passado, a dor
faz tremer minhas entranhas porque
a cura depende de simbioses, da
transmudação da água em vinho.
Correm-me suor pelas mãos e meus
olhos não querem mais acreditar no
que vem de ti.
Gélida e oca eu sinto a minha alma,
deverá haver um bálsamo, um apanágio
para a distorção dos seres, para as confusões
do espírito e para o paradoxo dos torpes.
Eu quero como um nômade sedento ter visões
de oásis, de ilhas redentoras, sentir na pele
os ventos refrescantes.
Quadros que pintei... arco-íris, libações poéticas,
a natureza morta da indiferença que me
mancha os sonhos e me escarnece o corpo
doem-me como os sacrifícios que elevei a ti.
Arranquei as vestes, entrego o sagrado que
cultivei na têmpera da coragem em nudez
aos açoites de seus conceitos arraigados
em bases idiossincráticas vazias.


