SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

09 janeiro, 2012

LAÇOS DE AFETO (Cacau Loureiro)


Belo amanhecer, pois há uma luz a brilhar
nalgum lugar...
Só olhando para o alto constatamos que o céu
é azul e que há pássaros que sobrevoam
nossas cabeças num ir e vir de renovação.
Há cânticos por todos os lados, bálsamos do
Criador a curar nossas feridas.
Eu enxergo, eu verdadeiramente vejo quão
pequenos grãos de areia somos neste imenso
mar de vida!...
Sentidos aguçados também trazem sofrimento,
porque a olhos vistos os homens se degeneram
na intolerância, no desprezo e na ambição.
Desmedido descaso extermina laços de afeto,
preciso é que cresçamos no outro em entendimento,
mas, onde há pedras não germinam boas sementes.
Para o bem só há um verbo, agir.
Somente os fortes sabem sobre amar...
Quisera eu poder entender, no entanto, choro.
Quisera eu poder entender, no entanto, oro.
Quisera eu poder entender, no entanto, vivo.
Quisera eu poder entender, no entanto, amo!...

02 janeiro, 2012

ABJUGADA (Cacau Loureiro)


Anos a fio peregrinei sozinha e minha voz solitária
fez-se pranto nas trincheiras do egoísmo.
Perguntei aos céus por que eu? Aos anjos indaguei
o que querem de mim?
Em muitos lugares respostas ocultas...
Onde se recolheram minhas preces, perderam-se
minhas orações?!
O mar dos homens é sinistro, correntezas vem e vão.
A dor calcina, assim como o fogo cristaliza as feridas,
mas, nada, nada é eterno neste mundo vão.
Recolho minhas forças no caos, mas os anos perdidos
no discurso do esquecimento impulsionam-me adiante.
Homens surdos, loucos, covardemente mudos...
Onde permanece a morte infame também resplandece a vida,
porque na natureza não há permuta, há sim a transformação
contínua e permanente, progresso, evolução.
Onde está a glória das alianças quando dedos apontam
direções opostas?! Conceitos hipócritas provocando
dissensões ilógicas.
O meu coração continua no mesmo lugar, fincado onde
meus antepassados o enraizaram... na dignidade de
reconhecer meus erros, de levantar-me ante a derrota
e de jamais acatar traidores e tiranos.
Na crueldade e intolerância dos seres descobri-me
humanamente liberta!...