SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

17 junho, 2022

CALIGEM (Cacau Loureiro)

 

A neblina baixa ante meus olhos, espreito um

caminho diferente... contundente, indecifrável.

O que houve em minha jornada? Um lapso?

Um espaço que se abriu entre o antes e o agora

e me faz sofrer, e faz-me questionar todos os

meus conceitos caducos.

Num tempo em que o mundo se transformou no

caos, o meu cosmo interior clama pela revolução!...

Você eu que nos presumimos donos de tantas

verdades não sobrevivemos a realidade maior.

Pés presos as correntes de um espírito envelhecido

para os novos tempos, visão distorcida para a

amplidão de sentimentos... A expansão do ser

cobra o seu preço para os alienados, os cerceados

de coragem, tantos doentes de juízos vãos.

Entorpecidos estamos nos parênteses que é a cama

mortal dos desvairados, dos cheios de si mesmos.

Perdemos a chave da confiança, naturalizamos as

escolhas aéticas, reféns estamos na mesquinhez

humanoide que deteriora o espírito criador, a

liberdade divina, a ascensão da alma.

A guerra real das reles criaturas na face da Terra não

é mais mortal que o aniquilamento do espírito humano

em si mesmo.

Fechamo-nos para a árvore da vida que nos fez poetas

da eternidade, as máscaras de ferro hoje encerram

nossos sonhos em elos rompidos e corrompidos...

Decrépitos e arqueados para a visão do outro como

nós mesmos, pois, esquecidos de nossas raízes, somos

hoje avatares da escuridão!