SOBRE ESTE ESPAÇO
❦ LÍRICOS OLHARES ❦
Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.
Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.
Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.
Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.
Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.
— Claudia Loureiro
27 setembro, 2013
ESTRIBILHO (Cacau Loureiro)
26 setembro, 2013
APAGOGIA (Cacau Loureiro)
Queria decifrar os silêncios...
Silêncios dos que querem ser indecifráveis.
Máscara dos que temem a perda ou que já
perderam e não querem aceitar desvios.
Caminho na penumbra dos que tecem artifícios,
que mudam rumos, acham bifurcações. Mas, eu
quero os caminhos retos, daqueles que chegam
onde tem de chegar...
Hoje, ninguém tem futuro, o edificado no pó
também ao pó pode voltar.
As interseções são mecanismos dos desgastes,
eu quero a marcha dos que pisam o chão com
atitude para ir, lutar e vencer.
Volto-me aos momentos... à poesia onde rascunhei
minha alma, despida, nua... contudo, não mais me
acho, não mais me vejo, não mais me escrevo.
Não quero emudecer as palavras que emergem,
gritam onde nada ecoa, choram onde nada
ressente, dizem onde nada se entende.
Volto-me aos movimentos... ao ritmo que nos
mostrou a dança das nuvens, todavia não mais
me deito nos sonhos de papel onde o meu barquinho
seguia as ondas do infinito.
Volto-me à música que nos guiava pelos horizontes
de Pasárgada e que invadiu por completo acalentando
nossos espíritos pioneiros.
Volto-me ao passado edificado em claridade reluzente
de amor, à poesia primeira, ao verso pintado a quatro
mãos e que nos coloriu por inteiro, feito abdução
extraterrestre, em amplitude de um disco voador!...
13 setembro, 2013
NÉCTAR (Cacau Loureiro)
12 setembro, 2013
TRENS DE FERRO (Cacau Loureiro)
Nos trilhos em que corremos para o pão de
cada dia, eu tento extrair o sal da terra...
o ácido que nos alimenta a alma de fé por
Pelos sonhos de meus antepassados que
me fizeram filha, mãe e me farão avó, eu
canto a liberdade e semeio a esperança.
Pois que se não fosse pelo caráter ferroso
dos que vêm ao mundo para a mudança já
teria desistido nestas estações abandonadas
onde as máquinas regem os Homens.
Não tive paradas... em minhas mochilas
carrego o peso de tantas lágrimas em
fornalhas de decepções; mas também de
tantos sorrisos, pontes de realizações.
Andei só em vagões lotados, andei repleta
em vagões vazios... Mas que voe a fumaça
porque pra matar minha sede... pouca gente,
pouca gente... Os Homens para onde seguem?!...
O momento é de andança e não de resignação!...
Sejamos como os astros que acompanham as
locomotivas, ascendamos todos os dias e alertas
permaneçamos todas as horas para aqueles que
nos seguem, mesmo que a orgia dos donos desta
terra nos escondam sob os escombros da mentira
ou na penumbra de suas mentes alienadas nos
paramente da destruição.
Que não desistamos porque os trilhos seguem,
e seguirão, e lá mais adiante tomarão nossos filhos
e netos pelas mãos; e para além eu farei, tu farás,
nós faremos desembarcarem nas estações onde
elas reconheçam a dignidade genuína, o lar que
pertence a todos nós.
Posto que a vida não é só café com pão; e para
tanto faremos muita força, muita força!...
E conosco levaremos muita gente, muita gente!...
E nos velhos trilhos do mundo as asas de nossa
indignação que seja também libertação... E vamos
depressa, e vamos correndo, e vamos na toda...
Como trens de ferro, trens de ferro!!



