Ouço
as vozes do tempo, elas
rimam a poesia da jornada...
Versos cravados no peito,
como inscrições na casca
das árvores, onde sonhos e
paixões deslizam como a brisa
da manhã em meus cabelos.
Sopro
aos ventos, levanto as
cinzas que me fazem aspirar
as histórias... fogueira que
ainda hoje arde em mim.
Vesti
meu vestido colorido,
laço de fita na criança que
ainda cresce e vive... sorri
ao enfrentar as intempéries,
brinca na chuva, corre pelos
quintais entre as flores rosadas
das paineiras, tronco forte a
se erigir ao céu, azul estonteante
das lembranças.
Colher os frutos maduros e
alimentar o espírito das coisas
fecundas, sementes a se espraiarem
com a força indômita da natureza
que persiste, resiste e floresce...
À sombra das memórias, rebusco
o que agora sou e canto aquelas
canções que embalaram sonhos,
a vida, rede dos profundos afetos.
Viajo
como os pássaros,
olhando do alto o cume que
galguei em lições, e hoje me
assento na escola dos belos
ensinamentos, aprendiz na
travessia das vivências.
Rio caudaloso molha meus pés;
corre
forte. Sorrindo, eu sigo
lavando o
rosto e a alma, e enfim
me
reconheço no espelho d'água,
a refletir
o sol que sempre brilhou
em meu
caminho.







