
Dias há que a falta consome as
horas...
feito fogo aceso na fogueira insana dos desejos...
água de beber para quem morre de sede.
Mergulho em lembranças para
arrancar
as dores que povoam os vazios, tão presentes
como essa chuva que alaga meu quintal e minha alma,
nessas águas abundantes que criam torrentes
e não desatam as correntes que me juntaram a ti...
palavras encadeadas nos afetos,
como rimas dessa poesia que se compõe
na tua distância.
Palmo a palmo, teu corpo na
penumbra,
sussurros de um tempo que não vem, mas
se incorpora em tuas esferas, que permanecem
a despertar meus instintos todos. E eu te ouço
como música a pairar sobre a cama, onde vejo
tua face, esses olhos de dizeres, essa boca
de volúpia, versos que entoam cânticos
e preces para um coração desassossegado.
Mas ainda permaneço na energia
que vibra
entre nós, nos esparsos encontros de nossas
presenças cálidas, espasmos de um tempo bom,
feito de letras, poesia de um futuro promissor.
Ainda o carro na estrada, tuas
rotas que,
por hora, não me chegam... e eu fico a te esperar
sem pressa, enquanto a saudade percorre
os caminhos de nós.






