Dentro dos túneis passamos velozes,
não haverá tempo... Após a
travessia, a
luz me espanta os olhos; ainda
há estradas
à frente. Os desertos são cansativos,
mas necessários.
O tempo escoa entre os dedos: não lava
as mãos, não arranca lembranças...
enche os olhos de areia
e faz dos calcanhares tacanhas pegadas.
A passos lentos jamais se alonga o tempo.
É preciso o movimento do espírito,
é necessária a ação dos pés;
forçoso é molhar os lábios
com o doce da esperança
nos manás do desabitado.
O ego trava as tristes trajetórias: toda
desistência é covarde, todo orgulho
é veste barata nos brechós das esquinas,
onde as almas se despem — despedem-se.
Despojo-me dos mantos que me encobrem
a face. Não há máscara que caiba em minhas
verdades. Tolos seguem trilhos
de conduções superficiais; bagagens
amarradas ao pescoço impedem
as aspirações de um futuro próspero.
A dor deveria libertar —
até porque eu criei asas...
Anelos, eu sei,
hão de me fazer voar...






