Quero ler os teus versos da madrugada...
E versejar em minha tez a estrofe que me
seja tua inspiração, pois tenho olhos na
ponta dos dedos e os meus lábios tecerão
todas as escritas dos quereres em teu corpo,
recônditos eriçados em pele e pelos.
Dorme comigo para despertar em minha
alma alegre, que sorri entre filós e cetins,
tingindo de carmim os teus seios entre
minhas mãos aquecidas em teu colo.
Acorda meus instintos em teu frêmito
generoso como orvalho que corre entre
pétalas... acolhedoras ante minhas ternuras
derramadas em tessituras de desejos e
sôfregos prazeres.
Deixa-me dormitar meus cílios molhados
em tuas costas nuas, macias... donde eu
possa avistar todas as tuas curvas e linhas
e perpetuar tua geometria secreta em minhas
ancas e dorso inteiros.
Permita-me sussurrar em teu regaço febril,
encaixar-me em teus braços e pernas...
desaguar rios inteiros em teu pescoço e
ventre, em tuas coxas tenras entreabertas.
Afastarei teus perfumados cabelos, derramarei
os meus olhos nos teus e recitarei em tua boca
vermelha todos os versos que nesta hora...
nossas carnes frementes nos deram.
Quero ainda ler os teus versos na madrugada...





