
A precipitação desce fina e atravessa minha
pele. A saudade pontiaguda fere, mas
jamais há de matar minha coerência sob
quaisquer nuvens pesadas.
Quanto mais corro, mais as águas me
transpassam as roupas e encharcam-me
a alma desses dias de sol como lágrimas...
temporal a te rascunhar em minha janela.
E eu bebo teus sabores como um café da
manhã quente que me nutre o espírito das
grandes verdades: saber amar é altruísmo.
Ébano e marfim compõem músicas
inesquecíveis, dessas noites de sílabas
que transformam claves em alvoradas de
belíssimos dias. E essas melodias sempre
reverberam em minha mente e por todo o
meu corpo, numa dança de essências cruas.
Tua silhueta ainda se projeta como um
holograma de singular beleza, olhos de
diamante a reluzir em meu colo, pedra
preciosa a refulgir para caminhos futuros,
âmbar-gris a se fazer poente em minhas
tardes tranquilas... e como queima!...
Então, meus olhos abraçam o horizonte onde as
grandes pedras repousam seus milênios, banhando
a saudade nesse imenso mar de águas sagradas...
E eu permaneço em pranto e pena, a te escrever
como chuva doce a beijar teus lábios de promessas.
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