
A noite caminha em meu peito, entre
silêncios,
a passos largos rumo à falta que me fazes.
As palavras emudeceram ante a distância;
agora resta apenas um caminho sem volta.
A covardia destrói as pontes, e não há
amor que resista à morte da confiança.
Assim prossigo, olhando para a frente,
deixando pedaços do passado para trás,
como carne lançada aos falcões.
Então volto os
olhos ao espelho do tempo,
passo as
mãos pelos ramos verdes
que ainda
emergem
da terra
seca das lutas vãs,
onde, aos
poucos, teus traços
se apagam
de minha memória;
o alívio
pousa sobre
minha
máscara de ferro.
Restam apenas cabeças cortadas.
É chegada a hora das decisões.
Meus braços descem ao longo
do corpo que sempre esteve em alerta,
quando os pensamentos corriam de um lado
ao outro, perdidos em porquês que
jamais encontraram sua linha de chegada,
pois toda travessia terminava sempre
diante do fosso vazio das fortalezas.
Então parto dessas arenas de lutas
inglórias:
leões,
areia,
sangue invisível
ante os padecimentos
daqueles que almejaram ser heróis.
Olho ao derredor desse picadeiro dos bobos,
onde tudo sucumbiu sob o fio da adaga
para que eu ostentasse os louros da vitória
na fronte...
e todo esse vazio
nas mãos.






