Portões fechados… Mas… ainda
há um céu azul sobre minha cabeça,
onde nuvens se ajuntam para dar.
Há abundância nos recolhimentos,
onde os incômodos sublimam as
máscaras das ostentações, que eu sei,
são passageiras.
Enquadro os muros que me cercam,
foram pintados com capricho no intento
de deixar-me imune ao caos de algumas
almas superficiais que adentraram, outrora,
em minha tenda com permissão.
No meu jardim, as lágrimas de chuva
intumesceram os frutos que haverão
de ser colhidos com intenção. Porque
não mais serão hissopo de azedo vinho.
Nem sempre a colheita vem no tempo
que se espera; dentre as sementes
há sempre as que não prosperam e,
teimosas, apenas preenchem espaço,
despendem um tempo precioso…
Não amadureceram: foram súbita fartura
nas tempestades desérticas de quem
passou em caravanas.
Mas que tudo seja bom cultivo, para
que a mesa se ponha em abundância —
nem toda prodigalidade aplaca a fome,
nem toda água é capaz de matar a sede
de quem cavou na aridez o próprio oásis.






