Fim de tarde... o sol desceu em camadas
alaranjadas... misturou-se às ondas brancas,
exuberantes — seio farto nos deleites da vida.
Aspirei os bons ares dos livres passos,
espaço onde eu mesma caibo inteira.
Marolas lavando os pés das pressas
desnecessárias — Cronos é o mestre
no ritmo humano das aspirações errantes.
Beijo o sal em minhas mãos,
purifico a aura... ensinamentos esquecidos
nos tempos que nos correm ante os olhos,
deixando marcas no corpo.
O horizonte faz a escrita das estrelas,
relampeja histórias entre nuvens escurecidas...
Enquanto a melancolia marca a areia,
o mar apaga as pegadas das dilações passadas
A brisa marítima esvoaça pensamentos
que transpassam a linha do infinito aparente
e se deixam descansar nas águas.
Singro a vida no embalo desse entardecer luminoso,
respingos frios na face, cabelos em desalinho
selvagem ante o poder da natureza misturam-se
nas rotas dos sonhos, coração em longitudes...
anoiteceu...







