LÍRICOS OLHARES
Poesia, Palavra, Pensamento, Maktub
SOBRE ESTE ESPAÇO
REFLEXÃO
13 maio, 2026
ELEMENTARES (Cacau Loureiro)
12 maio, 2026
SEMPRE-VIVA (Cacau Loureiro)
O gotejar da torneira demarca as horas...
Há um tempo para todas as coisas, mas,
se não imprimirmos a vontade, nada de
fato acontece.
Esperar não é opção; o movimento de
dentro é que faz acontecer... Estarmos
confortáveis no incômodo é uma maneira
de não transformar, não evoluir.
Irromper em ações para a verdadeira mudança
é um ato de coragem... cansei dos fleumáticos
covardes, passantes passivos.
Dia nasce, dia morre... eu quero mesmo é
renascer nas auroras luminosas de seres
pulsantes, porque a vida tem que latejar
nas veias, como sangue que provê a
vida e impulsiona para a eternidade.
Quero passar pela existência deixando
rastros, e quem olhar minhas marcas poderá
ver que fui um espírito inquieto, anjo que fora
mofino e agora sabe das benesses.
A existência é dádiva que não podemos
desperdiçar... Eu não sigo a caravana dos
estagnados, eu não acompanho os temerosos.
Quero ir na frente e adiante, e para o alto,
para vislumbrar tudo o que é belo, bom e bonito...
Ouvir todos os seus sons, apreender todos
os seus aromas, como vinho a me embriagar
de esperança; cultivar as flores que haverão
de nascer em minha alma abastada e que me
farão sempre-viva, porque hoje eu existo pelo
entusiasmo — arco-íris a se espraiar por minha
alma encantada.
06 maio, 2026
REVOAR (Cacau Loureiro)
Sopram aos sons de gaitas esses
ventos da manhã...
O sol prorrompeu em batidas enérgicas
em meu peito entusiasta, eu sei que
vibra em mim essas cordas que tecem
novas melodias, como viola afinada
para as vivências inteiras, integrais.
Há um coro bonito a entoar essa
música onde a poesia deitou seus
cabelos, ondas de aromas bonitos
que rimam as alegrias perfeitas em
marcação de ritmos que empolgam
todos os meus compassos, porque
o tempo criou asas nesses meus dias
estagnados... e as letras voam nesse
azulado causando o deslocamento
das nuvens que se fizeram dançantes.
Há um movimento interno que segue
junto com as agitações das horas fazendo
com que eu olhe para o alto e observe
o voo dos pássaros... e voar por dentro
é tão bonito, porque há um bater de
asas criando cânticos para que os
ânimos se exaltem ante esperanças
estacionadas... revoar em cantares
de essências honestas, afinadas com
o tempo presente, com a alma presente...
Porque a vida é contínuo andamento, e
hoje eu sou todas as canções do mundo!
04 maio, 2026
CORAÇÃO COROADO (Cacau Loureiro)
Depois das chuvas varrerem as calçadas,
eu continuo o caminho das germinações
poéticas, vida que se abre em mim como
flor do dia... beijando o sol, aquecendo
minha pele de tuas letras ainda vivas.
Por que tuas escritas ainda bordam palavras
no meu corpo de memórias, como o cintilar das
águas dos rios adentrando tua natureza densa
pulsante, generosa.
Eu sei que o destino não esqueceu de nós,
pois estava escrito nas estrelas esse cruzar
de essências paradoxais, mas confluentes
em êxtases de astros convergentes.
E as águas passarão de novo pelos moinhos
das vivências, porque a reza foi ouvida no
intrínseco da mãe terra, com seus veios onde
nutrimos os fios e ramificações de quem
se reconhece passe o tempo que passar...
Eu acendo os círios, preces que ascendem
aos céus, e sigo a procissão em petições...
liteiras em que deposito as flores de esperança...
rosas brancas, rosas amarelas, até as rosas rubras
dos desejos que não cessam.
Como os devotos sigo pelas vielas entre
poeira e fé, entre cânticos e rogos,
peregrinos das sarjetas em coro, na
convicção de que todo andor carrega
um coração coroado de saudade.
03 maio, 2026
ENTRE SARÇAS E PEDRAS (Cacau Loureiro)
Desafiei montanhas...
Por trilhas difíceis eu tentei subir
em minhas próprias planícies.
Regiões onde a essência humana
se perde de si mesma... atalhos
causticantes que me obrigam a
respirar.
Por isso eu mantenho o ar rarefeito
preso nos pulmões, nas sutilezas
de saber a hora de soltar.
Em suspenso, não podemos
escolher quais bifurcações seguir...
Então eu ando a esmo, deixo-me
ao vento das memórias porque
ainda elas me são alimento dentro
das trevas que não me saciam.
Água de beber em rios menos
tranquilos, cepos onde descanso
minha cabeça... Mas não há que se
endurecer ante novas paisagens.
Quando a natureza se harmoniza
com a alma, abrimos clareiras,
engendramos o espírito da floresta,
devastamos o isolamento.
Toco as águas correntes, hoje me
parecem frias, mas o sol alto vai
aquecer a substância que bebo de
histórias que me edificam.
Planto-me então, em consciência...
Mato a sede em campos orvalhados
quando de minhas noites solitárias;
o silêncio também é fera selvagem
a me espreitar entre as moitas
espinhentas dos perdidos... solo
infértil onde os afetos não resistem.
Apresso os passos... eu vejo uma
fenda onde uma luz se acende.
E sigo, porque somente o
despertamento da lucidez
fará-me ir ao encontro
de mim mesma, mesmo estando
entre sarças e pedras.
01 maio, 2026
TEMPORAL (Cacau Loureiro)
Deixe-me beijar as lembranças...
Pois é no teu corpo que elas se
comprazem noite adentro, e elas
revolvem meus pensamentos
para que eu possa aquecer
minha pele seca na textura
inesquecível do teu colo quente,
sempre nu em liberdade rubra...
carmim... cores exatas dos desejos.
E agora, por minhas mãos, correm
as lágrimas, sal do teu corpo feito
líquidos para matar-me a sede de
agora, para lavar-me o seio de
saudade que me chega como lua
baixa sobre meus ombros.
Jogo-me na cama, dossel dos teus
carinhos, olhares profundos a invadir
minha alma extasiada, encanto a
luzir em meus olhos tristonhos ante
suas pérolas de âmbar ardentes.
Trago de volta o meu pertencimento...
não posso deixar que me leves
para onde vais, já que deixaste aqui
o meu coração endurecido no abraço
que não vem, na ausência que não
dorme... avança pela madrugada.
E sigo teus passos desenhados na areia
de um tempo que não morre mais em
mim, criando dunas que se lançam para
além dos horizontes de amores perdidos.
E todos os dias o sol nasce e se põe
lá no alto, move nuvens e faz crescer
no céu azulíssimo a tua luminosa imagem,
quando tuas escaldantes águas desabam
sobre mim... Temporal.
OBLÍQUOS (Cacau Loureiro)
O chão amanheceu molhado...
Chuva densa que me acordou por
noites inteiras, e plantou-me os pés...
Mas, as claridades insistem em
penetrar os meus olhos para que
melhor eles enxerguem os dias
que estão por vir.
Não
há mais motivos para lágrimas,
o chão fértil reflete o céu onde as
nuvens são curativos para as almas
rasgadas... Ninguém manterá o direito
de me apunhalar pelas costas porque
hoje vejo o quão muitos estão perdidos
em seus trajetos oblíquos.
Deixa-me
andar pelas sendas que eu
mesma abro com minhas mãos, seguir
pegadas alheias e truncadas é se perder
pelo caminho e empunhar sozinha a
flâmula e a espada.
Escolho
abrir as asas, vertiginosamente,
mirar o céu que me é alívio e clareza, e
assim sobrevoo o mar dos desprezos
como quem agora só vê as profundidades.
Limpei
as mãos, levantei-me do solo dos
cegamente permissíveis para crescer em
escolhas coerentes; já não abrigo egotistas.
Sacudo a poeira que me atou os passos,
lama e chuva agora levantam muros, e
labirintos eu edifico com coragem para
manter os insensatos bem longe dos
diamantes que eu poli para enriquecer
minha estrada que haverá de ser bonita.
30 abril, 2026
VIDA EM GRAÇA (Cacau Loureiro)
Como recusar os encontros,
se a vida é sopro
e o vento a leva
num instante?
Abro os braços
às correntes benéficas dos alísios
que retemperam a alma,
transmutam sentimentos,
enquanto o divino em nós
sussurra sossegos.
Há uma música
a embalar as alegrias:
dias de sol,
folhagens exuberantes
alimentando a esperança.
Viver é saber:
há um Criador
bom e generoso.
E estar nesse estado
é viver em graça,
em gratidão
propenso às boas coisas do caminho.
Entre burburinhos e silêncios,
esse som me move.
Não há retorno
quando a jornada
é crescimento.
Empurrei janelas
para tocar claridades,
abri portas
para mergulhar no mundo
que já reconheço.
Minhas mãos, em poesia,
escrevem minha história,
feita de aço,
de corações frios...
ainda assim, prossigo.
Porque minhas águas de afeto
são termais,
aquecidas na minha gema
pelas mãos da terra,
pelos dedos incansáveis
de um Deus
tão bonito.




