Como recusar os encontros,
se a vida é sopro
e o vento a leva
num instante?
Abro os braços
às correntes benéficas dos alísios
que retemperam a alma,
transmutam sentimentos,
enquanto o divino em nós
sussurra sossegos.
Há uma música
a embalar as alegrias:
dias de sol,
folhagens exuberantes
alimentando a esperança.
Viver é saber:
há um Criador
bom e generoso.
E estar nesse estado
é viver em graça,
em gratidão
propenso às boas coisas do caminho.
Entre burburinhos e silêncios,
esse som me move.
Não há retorno
quando a jornada
é crescimento.
Empurrei janelas
para tocar claridades,
abri portas
para mergulhar no mundo
que já reconheço.
Minhas mãos, em poesia,
escrevem minha história,
feita de aço,
de corações frios...
ainda assim, prossigo.
Porque minhas águas de afeto
são termais,
aquecidas na minha gema
pelas mãos da terra,
pelos dedos incansáveis
de um Deus
tão bonito.







