LÍRICOS OLHARES
Poesia, Palavra, Pensamento, Maktub
SOBRE ESTE ESPAÇO
REFLEXÃO
22 abril, 2026
PRECES AO MAR (Cacau Loureiro)
21 abril, 2026
BENDITO VINHO (Cacau Loureiro)
Há batidas de alegria em minha porta,
a brisa sussurra bendita música
em minhas horas mortas e eu colho
o cheiro dos teus cabelos...
Minha alma dança...
no ritmo das coisas simples e bonitas que
em ti transbordam, em perfumes e notas.
Em teu charme debruçado na janela,
teu sorriso me convida, e sigo
nos movimentos dos teus braços,
marcados em minhas lembranças
de tantas noites belas,
porque és também amanhecer translúcido
nos dias que me foram nublados, e agora
ressurjo em lampejos coloridos.
Tua chuva abundante
escorre em meus lábios e pernas,
beijo exigente que me toma após
tudo que tocaste em mim e deixaste
gravado em minhas mandalas.
Teu nome vem das estrelas,
acende constelações em meu peito,
viagem que faço de olhos vendados,
pois mergulhar às cegas é preciso
para não saber
o quão fundo posso chegar
nessa rosácea embriaguez.
Sem armadura, coração destemido,
eu posso sangrar entre aromas e buquês
do teu corpo seleto.
Porque somente sangria e vinho
me permitem sentir
o real sabor da vida
que ora habita em mim.
20 abril, 2026
SEM DOBRAS (Cacau Loureiro)
Não nasci para caber.
Sinto com intensidade.
Não é escolha.
É natureza.
Amei com presença,
fiquei onde já não havia permanência,
sustentei silêncios que não eram meus.
Não por falta de lucidez,
mas por excesso de sentimento.
Hoje, não me basta sentir.
Preciso reconhecer.
Não me abandono mais
para que algo exista.
Não deixei de amar.
Deixei de insistir onde não há encontro.
Menos urgência.
Mais verdade.
Menos ilusão.
Mais presença.
Porque não me dobro.
Se vier, que venha com verdade.
Se ficar, que seja por escolha.
E se for amor,
que me encontre inteira.
18 abril, 2026
EQUINOCIAL (Cacau Loureiro)
Esse outono que agora vive em mim
é música interminável…
A poesia me beijou os lábios
e fez nascer os versos mais bonitos,
porque o amor é nascente e não tem fim —
rede a balançar nos ventos da paz,
gosto de fruto saboroso a ser colhido no pé.
Pensamentos que me fazem completa
no que ora sou, pois abracei as rimas
que nasceram do teu sorriso precioso,
pérola buscada em mergulho profundo
no mar do que me foi desengano.
Carvão e cinzas a me transformar
no melhor que hoje reconheço,
porque, cantando o movimento humano,
vou descortinando rios, mares,
semente e flor naquilo que em mim
tu despertas.
Mãos do invisível a aliviar dores antigas,
a endireitar caminhos opacos,
a me presentear com teus olhos luminosos,
abrindo atalhos em florestas densas,
antes temerosas.
Sendas, clareiras, estradas — eu abro,
como um rio que segue seu fluxo
para o mar imenso, arrastando tudo,
a correr sobre folhas secas
que se foram na ventania do passado,
tornando fértil o que me foi infecundo.
E fez subir esse sol ameno
de um equinócio inesquecível,
fazendo-me nascer os sonhos
em vento morno que aqueceu meu peito
e varreu para o oceano minhas amarguras.
16 abril, 2026
MAR DE DENTRO (Cacau Loureiro)
Movimentos de dentro tentam se expor,
é difícil conter o impulso da vida, pois
ela pulsa na direção dos ventos solícitos...
nem todos sabem sobre as gentilezas.
Mas eu levanto da cama com a energia
dos que querem mudança, num salto
de entusiasmo para conexões profundas.
O raso não preenche meu espírito de
presenças; é na ausência que aprendo,
e também ensino.
Violinos fazem meu coração bater
com a força dos bastões que, no atrito,
tecem os sons mais bonitos
nas cordas de almas encantadas.
Histórias não podem ser frustração
para sempre... a poesia salva e liberta.
Por isso prossigo nos caminhos das letras:
elas se expandem como estrelas,
salpicando o céu tenebroso dos hipócritas,
clarões de luz a abrir rotas de colisão,
rompendo, transmutando dimensões
que só o espírito humano alcança.
Escancaro as portas: a felicidade
é caminho, é estação, é porto,
estrada para descobrimentos.
Há um mar imenso onde mergulho,
braços e pernas em busca da ilha e
do istmo nas ondas temerosas
do indômito que habita o meu corpo.
Há um fanal para os perseverantes...
Entre água e céu, ventania que sopra
em meu rosto, inflando as velas que
aprumam meus rumos...
Mar de dentro a encontrar destinos.
15 abril, 2026
BAILE DO CAOS (Cacau Loureiro)
Ouço essa canção bonita
que me alcança a alma…
Ela revolve a poeira dos meus porões,
desloca tudo do lugar
e me conduz às dimensões
do que foi belo em minha jornada.
Soltei ao vento
as caminhadas mais difíceis.
Não havia como carregar
as estacas dos coléricos
como mochilas que me travavam
diante das montanhas
das minhas buscas interiores.
Quis trazer para perto
aqueles que, como eu,
já haviam sangrado tanto…
porque já não me permitia
sangrar diante dos que
escolheram outros atalhos.
Perante os combates brutais,
essa música sempre me visitou…
recolhendo-me ao silêncio
para não revidar
as incongruências.
Nos ecos da ira,
sacrifiquei as palavras.
Moinhos a extrair pedras das águas
que, ainda assim,
purificaram meu espírito.
A vida é uma dança tão complexa:
cada um sente o ritmo
conforme o preparo do corpo,
seja material ou imaterial.
Sentir a música da existência
é rodopiar a alma
na ponta da lâmina dos caminheiros,
lanhos que nos burilam
para o grande baile do caos
e nos fazem peregrinos do eterno.
E, entre sedas, cetins e diamantes…
Misteriosas personas...
convidar o humano em nós
para esta imperfeita contradança.
IRREVERSO (Cacau Loureiro)
14 abril, 2026
SEIVA E ALMA (Cacau Loureiro)
Entre folhas e frutos,
perfumo minhas mãos...
Nos cheiros que me chegam às narinas,
aspirar é também compreender:
há algo que me preenche
e me soergue.
Mãos generosas guardam néctares
capazes de reavivar espíritos fatigados.
E eu não sei por que
essa estrada que sigo
tanto me cansa.
Ainda assim, planto.
Planto sementes
com cheiro de flor,
sementes que darão polpa
a todo fruto bom.
Na sombra, descanso
deste mundo
de ruídos confusos
e pessoas distraídas...
A natureza,
mãe da mansidão,
nos cura no silêncio.
E, em sua abundância,
nos ensina:
a vida não cessa,
apenas continua
a ofertar suas promessas.
Então eu paro o tempo,
olhos a contemplar os
mínimos movimentos
de galhos e pistilos.
E me faço criança
sob árvores frondosas,
onde a seiva é densa
nesses caminhos invisíveis.
Ali, planto meus pés na terra.
Ali, revigoro o meu coração.
À beira de um rio caudaloso,
minha alma frutifica;
e aprende
a esperar
com convicção.
Porque o tempo
é Senhor
de todas as coisas...







