Crivos de chuva adentram minha pele,
como se o céu viesse em gotas de cura
habitar meu corpo... Quando chegaste
havia o glacial frio embaçando meus olhos...
Noites solitárias em matéria inabitada;
medonhos eram sons que ao longe se
ouviam, o ranger das tábuas desenhava
caminhos para os montes sombrios onde
escondi meu coração entre espinhos e farpas.
na noite eterna, janelas emperradas
eram espelho das águas ruidosas e
torrenciais que não dissipavam a solidão.
Mãos fechadas não descerram a lucidez,
não liberam sementes para o plantio
dos tempos fecundos; deixei de lado as
roupas pesadas. O baú do passado já
não contém mais meus ossos; minha alma
fugiu pelas frestas onde pousou tua
cortesia reluzente.
E me vieram belas canções nos ventos
dos morros uivantes, porque a vida é
cantata bela, honesta, nascida nos espíritos
pulsantes; é música plena de existência
que nas noites mais friorentas se faz
presença quando o teu sorriso bate à
minha porta.





