Teus agudos penetraram meu templo,
órgão dos delírios...
um beijo na rosa acendeu os prazeres
como pão agridoce a fermentar-me
a existência...
E estrelas nasceram em meu ventre,
despertando um sexto sentido
equilibrado entre a terra e o céu.
Lábios e papilas
degustaram o vão do tempo.
Dois corpos sedentos,
apaziguados no deleite
enfim acolhidos
no leito da noite.
Hálito sobre hálito,
erguemos os sussurros das palavras.
Uma viagem desconexa
que iluminou tantos caminhos,
rotas
desenhadas sobre o peito,
sobre a pele e o dorso,
na penumbra em que meu contorno
se fez água sobre os teus poros.
Ancas estremecidas,
coxas em confidência,
mãos entrelaçadas,
dedos tecendo laços,
cabelos enlaçando almas,
essências compondo
um perfume único,
aroma de nós.
Cheiro
de amor,
vertigem dos ardores,
contentamento dos amplexos
que evaporavam saudades,
enquanto a madrugada
nos reinventava.
Ficaram tuas trilhas
inscritas em meus seios
e nas curvas das costas,
onde tua saliva
inscreveu, silenciosamente,
a gramática dos desejos.
Quero ainda a agitação
de nossas matérias nuas,
quando tua boca sedosa
desatou meus calafrios
e traduziu,
em ondas aquosas,
o idioma dos êxtases.
Assim quero permanecer
decifrando todos os códigos
de tua língua nativa.







