Esse outono que agora vive em mim
é música interminável…
A poesia me beijou os lábios
e fez nascer os versos mais bonitos,
porque o amor é nascente e não tem fim —
rede a balançar nos ventos da paz,
gosto de fruto saboroso a ser colhido no pé.
Pensamentos que me fazem completa
no que ora sou, pois abracei as rimas
que nasceram do teu sorriso precioso,
pérola buscada em mergulho profundo
no mar do que me foi desengano.
Carvão e cinzas a me transformar
no melhor que hoje reconheço,
porque, cantando o movimento humano,
vou descortinando rios, mares,
semente e flor naquilo que em mim
tu despertas.
Mãos do invisível a aliviar dores antigas,
a endireitar caminhos opacos,
a me presentear com teus olhos luminosos,
abrindo atalhos em florestas densas,
antes temerosas.
Sendas, clareiras, estradas — eu abro,
como um rio que segue seu fluxo
para o mar imenso, arrastando tudo,
a correr sobre folhas secas
que se foram na ventania do passado,
tornando fértil o que me foi infecundo.
E fez subir esse sol ameno
de um equinócio inesquecível,
fazendo-me nascer os sonhos
em vento morno que aqueceu meu peito
e varreu para o oceano minhas amarguras.







