Eu sou maré...
O vai e vem das ondas é força
que me arvora.
Sou o estrondo do mar que
afasta incautos, areia que
se limpa na água salgada.
Cicatrizes curadas pela lua,
brilho na pele tecido pelo sol.
Vento forte que afasta
os estagnados
e abre estradas entre montanhas,
descerra caminhos para flechas
lançadas rasgando os céus.
Meu braço é lança que se
alça cortando o mal,
e planta os pés feito raiz
para renascer do invisível
feito relâmpago —
clarão que arranca máscaras
e faz tremer a terra.
A mãe Gaia me abençoa:
olhos de lince,
ouvidos de mariposa...
fazem-se presentes
espíritos ancestrais.
Um chamado me clama,
grito que acorda os adormecidos,
chama ardente que espanta a
noite. Brasa que crepita na beira
do rio, aumenta o lume
e transforma meu coração
em ouro raro, em
fogo consumidor.






