Hoje saí às ruas… coloquei meu tênis antigo,
fui ver as paisagens inspiradoras das manhãs…
O velho gritava em meu peito, mas amarrei os
cadarços, prendi-os às pegadas do que já não
me serve nem me move.
Vencer mais um dia para mim já não é
desafio… pessoas, sim, me desafiam,
são como palmilhas do que beira o risível.
Mas eu sempre recomeço, assim como o sol,
sejam dias claros ou sombrios.
Marquei em meu calendário os segundos.
Ando com pressa, mas com os olhos atentos
ao que se passa em derredor;
meu coração aedo insiste ainda em fazer rimas,
intentando esmaecer os absurdos.
Há um tempo para todas as coisas, embora
o meu lapso se estenda para além desse solo
que piso, dessas nuvens que passam.
Olho meu rosto no espelho e vejo a criança
célere a correr pelos quintais da existência.
E há algo tão bonito nisso que me espelha...
Não sei por que as músicas me invadem o peito
e me impulsionam a escrever sobre letras mortas,
num exercício contínuo de reavivá-las:
é o meu próprio renascimento como ser.
Nas minhas andanças, meu peito se abre
aos toques do que é incorpóreo, sutilezas
do etéreo. Assim percebo que o menestrel
da vida é o tempo-presente.
É ele que nos devolve a humanidade.






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