Tal como os pássaros intentamos voar.
Nossas asas de cera querem ir alto,
de encontro ao sol...
e o labirinto lá embaixo
nos espera silencioso,
com suas bocas abertas
na fome de engolir nossos sonhos.
A coragem do voo nos lança desafios;
anilhas e anelos também pesam
quando ousamos o vácuo
do que o mundo nos propõe.
Antes do preparo, é preciso arrojo:
olhar para dentro
e encarar nossos próprios abismos.
Almejar o voo não é arrastar o outro
amarrado aos nossos grilhões.
Liberdade não é planar sobre a dor alheia,
alheios ao fogo que consome
o sobrevoo de nossos pares.
Como abraçar a amplidão
se estamos fechados em grades e correntes
que nos prendem à estupidez,
ao ego inflado dos desconcertados,
dos que se recusam à transformação?
A vida acorda os cegos com surpresa,
derrete a cera na forja,
forno que consome teimosias
e nos lança de volta ao chão.
Ali, entre muros, heras e ecos,
somos obrigados a atravessar
nossos próprios labirintos, até
encarar, olhos nos olhos, os violentos
minotauros de nós mesmos,
bestas-feras
guardiães da porta
da nossa própria libertação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.
Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.
Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]
Gratidão pela leitura sensível.