SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

26 fevereiro, 2026

ASAS HYBRIS (Cacau Loureiro)


Tal como os pássaros intentamos voar.
Nossas asas de cera querem ir alto,
de encontro ao sol...
e o labirinto lá embaixo
nos espera silencioso,
com suas bocas abertas
na fome de engolir nossos sonhos.

A coragem do voo nos lança desafios;
anilhas e anelos também pesam
quando ousamos o vácuo
do que o mundo nos propõe.
Antes do preparo, é preciso arrojo:
olhar para dentro
e encarar nossos próprios abismos.

Almejar o voo não é arrastar o outro
amarrado aos nossos grilhões.
Liberdade não é planar sobre a dor alheia,
alheios ao fogo que consome
o sobrevoo de nossos pares.

Como abraçar a amplidão
se estamos fechados em grades e correntes
que nos prendem à estupidez,
ao ego inflado dos desconcertados,
dos que se recusam à transformação?

A vida acorda os cegos com surpresa,
derrete a cera na forja,
forno que consome teimosias
e nos lança de volta ao chão.

Ali, entre muros, heras e ecos,
somos obrigados a atravessar
nossos próprios labirintos, até
encarar, olhos nos olhos, os violentos
minotauros de nós mesmos,
bestas-feras
guardiães da porta
da nossa própria libertação.

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