SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

01 fevereiro, 2026

FRIO COMPASSO (Cacau Loureiro)

Para os altos voos da alma há
passageiros sem asas, semimortos
de espírito… vampiros em andrajos
de fantasmas passados.
Espreito os olhos perdidos de quem
não me vê… Que me cabe fazer?

Antolhos e muros erguendo distâncias,
dores que não causei — teia
emaranhada de confusão — convidando-me
ao silêncio conjunto, aos nós cegos nas
bridas da não transmutação.

Subo as escadas, convido ao conforto
do convívio — mas manter-se tocado pelos avessos
solidifica ventos frios, enregela os fios tecidos
no esmero dos afetos.

Chamo para a dança da vida — sei:
compassos difíceis são possíveis
quando nos propomos, em verdade, dar as mãos.
O ritmo foi tantas vezes lúdico — mas versou-se.

A música continua a tocar entre
tapumes que um dia colori com todas
as letras vivas de minha poesia — e foi
caprichosa até para quem não a entendeu;
foi asas até para quem não a alcançou.
Há risco na ascensão dos amores imperfeitos…

Caminho pelas avenidas que abri com os braços,
descampei com o peito, sinalizei com o coração —
entroncamento dos néscios.

Veloz, o vento passa por meus cabelos,
faz soar melodias de sol em meus ouvidos —
também me seca os olhos…
Para um morto amor, não há lágrimas.

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