SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

01 fevereiro, 2026

FRIO COMPASSO (Cacau Loureiro)

Para os altos voos da alma há
passageiros sem asas, semimortos
de espírito… vampiros em andrajos
de fantasmas passados.
Espreito os olhos perdidos de quem
não me vê… Que me cabe fazer?

Antolhos e muros erguendo distâncias,
dores que não causei — teia
emaranhada de confusão — convidando-me
ao silêncio conjunto, aos nós cegos nas
bridas da não transmutação.

Subo as escadas, convido ao conforto
do convívio — mas manter-se tocado pelos avessos
solidifica ventos frios, enregela os fios tecidos
no esmero dos afetos.

Chamo para a dança da vida — sei:
compassos difíceis são possíveis
quando nos propomos, em verdade, dar as mãos.
O ritmo foi tantas vezes lúdico — mas versou-se.

A música continua a tocar entre
tapumes que um dia colori com todas
as letras vivas de minha poesia — e foi
caprichosa até para quem não a entendeu;
foi asas até para quem não a alcançou.
Há risco na ascensão dos amores imperfeitos…

Caminho pelas avenidas que abri com os braços,
descampei com o peito, sinalizei com o coração —
entroncamento dos néscios.

Veloz, o vento passa por meus cabelos,
faz soar melodias de sol em meus ouvidos —
também me seca os olhos…
Para um morto amor, não há lágrimas.

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