SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

08 fevereiro, 2026

LÍQUIDOS AMORES (Cacau Loureiro)


Madrugadas encharcadas...

Olhos estáticos no teto das lamentações
não estancam as músicas que insistem
no aparelho móvel;
expandindo ondas gigantes
de incompreensão.

A luz, semi-dormida, não me desperta
para as longas horas ainda por viver;
como dias de chuva
em que as brumas parecem infindas.

Na intempérie que amadurece os frutos,
a enxurrada pranteia a escassez das almas,
caudal de pensamentos
que se esvai
na sarjeta dos egoísmos estultos.

Não há água suficiente
para lavar os olhos cegos
dos que não querem ver...
Abrir-se à verdade dói
quando o amar é reduzido
a sentimentos líquidos,
num mínimo emocional —
fleuma que mata o outro
gota a gota.

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