SOBRE ESTE ESPAÇO
LÍRICOS OLHARES
LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.
Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.
Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.
Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.
Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.
REFLEXÃO
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."
Claudia Loureiro
31 agosto, 2010
FLORES NA JANELA (Cacau Loureiro)
26 agosto, 2010
SALMO VIGÉSIMO SEXTO (Cacau Loureiro)

23 agosto, 2010
ERRÁTICO (Cacau Loureiro)
O silêncio das palavras permanece nos lábios,como um grito selado pela ausência...
Não há retorno para os caminhos ultrapassados,
nem saída para os becos onde vivem os encolhidos
de alma.
É preciso expandir o coração para o universo
incomensurável do divino e não apenas abrir
os olhos para o mundo dos homens restritos.
O meu voo dá-me mais que dois olhos aguçados,
há um arco-íris que brota do meu peito que ainda
acredita num amanhã de flores perfumadas.
Eu vi no espelho do mundo horrendas imagens,
e eu olhei para mim mesma com o ímpeto da
transformação que liberta.
Toda mudança é lento e doloroso processo, porém,
não mais do que para aqueles que a assiste.
Sou reles mortal neste absurdo mundo, mas, para
os que não edificaram em minha vida, eu vou
rompendo os laços, eu vou deixando ao léu, eu
esqueço à beira do caminho...
19 agosto, 2010
VATE (Cacau Loureiro)
Busco em tua imagem distante
a inspiração nestes dias de mim
tão ausente.
A tarde é morna e nebulosa;
a tarde é longa e exasperante...
Intrigante é aspirar teus ares,
voar em tuas asas de aedo.
Em meu imenso azul és solitário
pássaro a planar sob as nuvens
de minha alma itinerante.
Calada, permaneço, quando minha
verve é distintamente loquaz,
entusiasta, versada.
Não sei sobre tudo, mas, ora sei
que não me bastam as palavras.
Quero permitir-me em tuas mãos,
revigorar-me em teus lábios
ardentes, aquecer-te com minha
pele calorosa, tocar-te agudamente
o espírito persistente, onisciente.
Há urgência em meu corpo...
O meu instinto ariano grita combativo,
contundente.
Conto amargamente o tempo lento,
irritante.
Sim, eu quero... deitar-me calma em
teu leito e repartir singularmente o
que sobeja em meu sequioso peito.
15 agosto, 2010
FILIGRANA (Cacau Loureiro)
Tarjei meu amor notempo, no espaço,
como nos versos que
deveras escrevo.
Em minhas mãos,
em nossas vidas,
a efígie do afeto,
determinismo, destino.
Unidos como peças de
encaixe, alcançamos os
mais precioso desejos.
Em nossas mãos, em
nossas almas, a mais
delicada obra, o mais
refinado timbre,
filigrana feita de
amor e paz.
14 agosto, 2010
VELHA INFÂNCIA (Cacau Loureiro)
quando as meninas dos meus olhos
sonhadoras, fitavam o céu e o mar
como promessa, eu sentia a vida
tão vertente no cheiro das flores
das paineiras que acarpetavam o
meu quintal todo de rosa, colorindo
a minha alma fantasiosa nas manhãs
de aragem fresca de outono.
Hoje, ainda fito da janela a mesma
paisagem que outrora desvendei...
A serra distante, neblinada descaindo
em ondas verdes sobre as casas,
cromatizando ainda de certa forma
a minha alma hoje desfigurada.
Criança... na franqueza clara do
teu riso eu louvo a vida, porque
vida eu vejo em ti, nos teus olhos
eu vejo a esperança aclamar a
liberdade do ser, do viver para
germinar, do sonhar com um porvir
colorido, muito mais multicor do
que os desenhos que pintei...
E ainda constato, como ontem que
é preciso caminhar de encontro à
velha infância, do que fomos e somos,
que é preciso acreditar no cheiro
das flores, na inocência dos homens,
na sorte das crianças, e na coragem
que nos incentiva a caminhar, apesar
de tudo, de encontro ao futuro!
06 agosto, 2010
SALMO VIGÉSIMO QUINTO (Cacau Loureiro)

Senhor, aparta-nos da amargura, limpa
os nossos olhos, esgota-nos o fel.
Traz-nos bálsamo com a tua bondosa
santidade, pois temos andado à beira do
caminho e não mais avistamos os teus
verdes pastos.
Sinaliza-nos com o teu cajado para que
reconheçamos a renovadora esperança.
Pai, toca nossos corações para que a nossa
sensibilidade não esmoreça ante os ímpios.
Mostra-nos o caminho das tuas águas tranqüilas,
espraia a tua divina luz sobre as sombras em
que se fecharam nossos corações insurretos.
Esmaga com as tuas mãos poderosas a dureza
deste mundo aflito e afeito as coisas vãs.
Derrama a esperança sobre os perdidos e
mansuetude sobre os amargos desta terra.
Dá-nos de beber o teu leite farto de benesses;
Oh Eterno, tem misericórdia de nós!
Amansa oh Excelso, os nossos corações
selvagens com tua real e soberana gentileza!
Oh, Mestre, oferta-nos as tuas consolações,
porque caminhamos com sede de justiça.
Mostra-nos a tua libertadora verdade com
o teu manso olhar, com o teu maior amor
que nos é convencimento e entusiasmo.
Estanca nossos prantos que há milênios
abrem sulcos em tuas terras infindas e
feridas fétidas em nossos peitos duros.
Temos suplicado pela confraternização
e pela concórdia entre os homens, contudo
somos rebeldes para com as tuas eternas
palavras, avessos ás tuas verdades perpétuas.
Sacode-nos oh Pai, desperta-nos, oh Pai, para
a fé no futuro, acorda-nos para o trabalho para
o qual Tu nos chama hoje para o profícuo
enriquecimento de Tua seara de paz!...
05 agosto, 2010
FACE A FACE (Cacau Loureiro)
Talvez eu viva de arrependimentos, não
de remorsos, pois na seara dos bons a
dor é polimento, é remédio, é cura.
Mas, a vida não se integra nos fracos,
apesar do jugo leve, a coragem para
viver não é para qualquer um, mas ainda
há que se guardar a ternura.
Meus olhos veem, meus ouvidos ouvem
e a trava hoje não está mais na visão de quem
olha, está no peito de quem não sente e não vê
com os olhos do espírito...
A pedra é dura... e eu sei que as águas gastam
as pedras, embora elas mudem de lugar, o limo
ainda as encrosta de soberba, de orgulho.
Pior do que travar a luta e omitir-se aos fatos,
pior do que tomar partido é ser partidarista.
Mas, o coração dos limpos é campo de batalha
e de vitórias, não há como soçobrar-lhe.
Ainda que eu falasse a língua dos homens
ainda assim eu seria um estrangeiro.
Este mundo em que eu vivo está longe do
mundo que almejo, e muito aquém do mundo
que eu sonho!...
02 agosto, 2010
INUMANO (Cacau Loureiro)
lembranças são facas que ferem...
Há sonhos dilacerados pela distância,
há os corações inertes e vazios...
Há cílios molhados.
Em fio fino equilibra-se o amor dos
superficiais, e nem sempre o maior
sentimento é o bastante para agüentar
as agruras da ingratidão.
A sombra da desilusão vem de mansinho,
não faz alarde, e assim corrompe todos
os sentidos, deforma a esperança, faz
florescer o egoísmo; transfigura rosas
em espinhos, converte dádiva em maldição.
As águas sob os moinhos envelhecem,
estagnadas pelo falso amor, pelas
dissimulações, pelo desinteresse,
pela face mascarada dos insensíveis.
Pois que caiam as máscaras!...
Arrebentar os laços só dói para aquele
que os edificou.
Um dia as águas gastarão as pedras,
um dia os homens entenderão além
do tempo presente.
Um dia os homens tornar-se-ão humanos...
Ou passarão... Mas, eu, passarinho!


