SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

19 fevereiro, 2026

CENTELHA NEGRA (Cacau Loureiro)

 

No meio do caminho havia uma pérola,

havia uma pérola no meio do caminho...


Entre o pousar dos confetes e serpentinas,

no colorido calor do carnaval dos homens

eu vi o sol ardente como sinal.


Entre as cinzas que restaram de um passado

acovardado, reacendo as centelhas de um

futuro que haverá de arder com ousadia;

só os que lutam podem vencer

e tirar da lama os tesouros do asfalto,

os embriões da esperança.


A verdade é como relampejo de consciências

nas sombras dos que não sabem sobre a

revolução das substâncias...

sumo essencial do ser.


Entre as algazarras já silenciadas dos festejos

do corpo, pressenti as alegrias das quididades,

frescor de verão a bronzear-me a pele de arroubos.


E a pérola corria pelas vielas da cidade,

na sinuosidade das esquinas,

desenhando mapas de descanso,

tecendo redes para pousar meus cansaços

em rotas de bons desejos.


Nas ruas de pedra, nas alegorias dos sonhos,

abri as alas.

Pisei na avenida.

Segui tuas batidas.

Hasteei tua bandeira.

Dancei teu carnaval.


E então —


No meio da euforia

havia uma pérola escondida.


Entre cuícas e surdos

aconteceu o inarrável.


Escrevo na tela em neon,

pinto em carro alegórico gigante:


pérola negra,

vem cantar

o meu canto.

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