No meio do caminho havia uma pérola,
havia uma pérola no meio do caminho...
Entre o pousar dos confetes e serpentinas,
no colorido calor do carnaval dos homens
eu vi o sol ardente como sinal.
Entre as cinzas que restaram de um passado
acovardado, reacendo as centelhas de um
futuro que haverá de arder com ousadia;
só os que lutam podem vencer
e tirar da lama os tesouros do asfalto,
os embriões da esperança.
A verdade é como relampejo de consciências
nas sombras dos que não sabem sobre a
revolução das substâncias...
sumo essencial do ser.
Entre as algazarras já silenciadas dos festejos
do corpo, pressenti as alegrias das quididades,
frescor de verão a bronzear-me a pele de arroubos.
E a pérola corria pelas vielas da cidade,
na sinuosidade das esquinas,
desenhando mapas de descanso,
tecendo redes para pousar meus cansaços
em rotas de bons desejos.
Nas ruas de pedra, nas alegorias dos sonhos,
abri as alas.
Pisei na avenida.
Segui tuas batidas.
Hasteei tua bandeira.
Dancei teu carnaval.
E então —
No meio da euforia
havia uma pérola escondida.
Entre cuícas e surdos
aconteceu o inarrável.
Escrevo na tela em neon,
pinto em carro alegórico gigante:
pérola negra,
vem cantar
o meu canto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.
Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.
Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]
Gratidão pela leitura sensível.