SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

23 fevereiro, 2026

TÚNEIS E ASAS (Cacau Loureiro)


O que permanece do homem...

Dentro dos túneis passamos velozes,

não haverá tempo... Após a travessia, a

luz me espanta os olhos; ainda há estradas

à frente. Os desertos são cansativos,

mas necessários.

 

O tempo escoa entre os dedos: não lava

as mãos, não arranca lembranças...

enche os olhos de areia

e faz dos calcanhares tacanhas pegadas.

 

A passos lentos jamais se alonga o tempo.

É preciso o movimento do espírito,

é necessária a ação dos pés;

forçoso é molhar os lábios

com o doce da esperança

nos manás do desabitado.

 

O ego trava as tristes trajetórias: toda

desistência é covarde, todo orgulho

é veste barata nos brechós das esquinas,

onde as almas se despem — despedem-se.

 

Despojo-me dos mantos que me encobrem

a face. Não há máscara que caiba em minhas

verdades. Tolos seguem trilhos

de conduções superficiais; bagagens

amarradas ao pescoço impedem

as aspirações de um futuro próspero.

 

A dor deveria libertar —

até porque eu criei asas...

Anelos, eu sei,

hão de me fazer voar...

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