SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

01 março, 2026

ESTRELAS RÚSTICAS (Cacau Loureiro)


Não me importa que as chuvas

me isolem na calçada.

A providência refaz picadas por onde os alazões

me levam aos rios.

Não mais mergulharei vestido de cavaleiro,

nem o berrante me acordará

para os aboios repetidos.

 

O trote das virtudes

não sustenta amores rústicos.

 

Avisto montanhas vicejantes,

onde, no alto, plantei flores mais belas,

e das rosas, as mais vermelhas.

 

Hoje abraço os vazios,

vento súbito que dispersou pensamentos,

força indômita

que não salvou nem matou

meus versos, minha voz.

 

Adentro clareiras solitárias

e tento pousar minha cabeça

sobre pedras mal talhadas.

 

Sob o páramo carregado, disfarço lágrimas;

no peito, um peso antigo fala

de histórias soterradas.

 

Porteiras escancaradas ante o céu

denso de estrelas

não me devolvem

a música das violas enluaradas.

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