Não me importa que as chuvas
me isolem na calçada.
A providência refaz picadas por onde os alazões
me levam aos rios.
Não mais mergulharei vestido de cavaleiro,
nem o berrante me acordará
para os aboios repetidos.
O trote das virtudes
não sustenta amores rústicos.
Avisto montanhas vicejantes,
onde, no alto, plantei flores mais belas,
e das rosas, as mais vermelhas.
Hoje abraço os vazios,
vento súbito que dispersou pensamentos,
força indômita
que não salvou nem matou
meus versos, minha voz.
Adentro clareiras solitárias
e tento pousar minha cabeça
sobre pedras mal talhadas.
Sob o páramo carregado, disfarço lágrimas;
no peito, um peso antigo fala
de histórias soterradas.
Porteiras escancaradas ante o céu
denso de estrelas
não me devolvem
a música das violas enluaradas.

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