SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

10 março, 2026

ELEMENTAL (Cacau Loureiro)

Eu sou maré...


O vai e vem das ondas é força

que me arvora.

 

Sou o estrondo do mar que

afasta incautos, areia que

se limpa na água salgada.

 

Cicatrizes curadas pela lua,

brilho na pele tecido pelo sol.

 

Vento forte que afasta

os estagnados

e abre estradas entre montanhas,

descerra caminhos para flechas

lançadas rasgando os céus.

 

Meu braço é lança que se

alça cortando o mal,

e planta os pés feito raiz

para renascer do invisível

feito relâmpago —

clarão que arranca máscaras

e faz tremer a terra.

 

A mãe Gaia me abençoa:

olhos de lince,

ouvidos de mariposa...

fazem-se presentes

espíritos ancestrais.

 

Um chamado me clama,

grito que acorda os adormecidos,

chama ardente que espanta a

noite. Brasa que crepita na beira

do rio, aumenta o lume

e transforma meu coração

em ouro raro, em

fogo consumidor.


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