SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

19 março, 2026

PERFUME ARÁBICA (Cacau Loureiro)


Há um perfume no ar...

Nessa madrugada eu vi seus olhos na janela,

e o seu sorriso iluminou o quarto escuro das

lembranças...

 

Ouvi sua gargalhada ante minhas atitudes

infantis, o jogo de dados foi lançado no

tempo e o meu peito arfou.

 

Percebo que na tela das minhas vivências

que tu nunca me enxergaste, embora essas

palavras fossem constantes em nossos

dias radiantes.

 

Despi-me das roupas velhas para aquele

primeiro encontro, o café quente e o

vento audacioso a nos bater no rosto,

o sorriso tímido que brotou dos seus

lábios tensos, e não havia motivos.

 

Toquei em seu braço, caminho para

o beijo em suas mãos pequeninas, mas

com o corpo de complexas vivências.

 

Meu respeito ali se fez presente porque

entendi que os caminhos do amor não

lhe foram propensos.

 

Repito, despi-me do velho para te encontrar

de novo... mãos limpas das dores de quem

sempre viveu de peito aberto, pois, coragem

sempre foi minha linguagem e verdade meu

idioma predileto.

 

Hoje, pela manhã mascaro as ilusões...

 

Sobre a mesa o espresso quente a espera do gole

profundo, efervescência que eu escolhi viver...

É o trago forte que me acorda para a vida porque

o morno não mais me mobiliza a alma para as

beberagens do corpo.

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