Há um perfume no ar...
Nessa madrugada eu vi seus olhos na janela,
e o seu sorriso iluminou o quarto escuro das
lembranças...
Ouvi sua gargalhada ante minhas atitudes
infantis, o jogo de dados foi lançado no
tempo e o meu peito arfou.
Percebo que na tela das minhas vivências
que tu nunca me enxergaste, embora essas
palavras fossem constantes em nossos
dias radiantes.
Despi-me das roupas velhas para aquele
primeiro encontro, o café quente e o
vento audacioso a nos bater no rosto,
o sorriso tímido que brotou dos seus
lábios tensos, e não havia motivos.
Toquei em seu braço, caminho para
o beijo em suas mãos pequeninas, mas
com o corpo de complexas vivências.
Meu respeito ali se fez presente porque
entendi que os caminhos do amor não
lhe foram propensos.
Repito, despi-me do velho para te encontrar
de novo... mãos limpas das dores de quem
sempre viveu de peito aberto, pois, coragem
sempre foi minha linguagem e verdade meu
idioma predileto.
Hoje, pela manhã mascaro as ilusões...
Sobre a mesa o espresso quente a espera do gole
profundo, efervescência que eu escolhi viver...
É o trago forte que me acorda para a vida porque
o morno não mais me mobiliza a alma para as
beberagens do corpo.

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