E subo minhas colinas.
O ar rarefeito
me leva a lugares
que lá embaixo jamais alcançaria.
Só do alto plano eu vejo.
E sinto.
Eu enxergo de verdade.
Somos tão pequenos
e, aqui do alto,
só a minha alma
fica gigante.
Ah! A raça humana nada sabe
sobre os caminhos do coração…
Mas eu tento.
E quanto mais subo,
mais vejo.
Daqui do alto
as estradas são como serpentes.
E as serpentes existem,
estão por todos os lugares.
Mas não as temo,
porque tem poder
o cajado da verdade,
e o tempo
é um fazedor de justiça.
As páginas da história
vão passando
ao vento veloz
dos que respiram revolução.
E eu pergunto:
o que está acontecendo
com homens e mulheres?
Somente as crianças saberão,
pois serão elas —
somente elas —
a salvação.
As janelas abertas com energia
me levam
a tantas caminhadas.
E então subo as escarpas,
abismos
dos que andam rasteiros…
E agora eu vejo.
Só agora vejo:
o homem, nu de si mesmo,
tirou sua capa.
Não é mais o herói.
E eu pergunto:
o que está acontecendo
com a humanidade?

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