SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

14 março, 2026

HOMEM ESCARPA (Cacau Loureiro)


E subo minhas colinas.

O ar rarefeito

me leva a lugares

que lá embaixo jamais alcançaria.


Só do alto plano eu vejo.

E sinto.

Eu enxergo de verdade.


Somos tão pequenos

e, aqui do alto,

só a minha alma

fica gigante.


Ah! A raça humana nada sabe

sobre os caminhos do coração…

Mas eu tento.

E quanto mais subo,

mais vejo.


Daqui do alto

as estradas são como serpentes.

E as serpentes existem,

estão por todos os lugares.


Mas não as temo,

porque tem poder

o cajado da verdade,

e o tempo

é um fazedor de justiça.


As páginas da história

vão passando

ao vento veloz

dos que respiram revolução.


E eu pergunto:

o que está acontecendo

com homens e mulheres?


Somente as crianças saberão,

pois serão elas —

somente elas —

a salvação.


As janelas abertas com energia

me levam

a tantas caminhadas.


E então subo as escarpas,

abismos

dos que andam rasteiros…


E agora eu vejo.

Só agora vejo:


o homem, nu de si mesmo,

tirou sua capa.


Não é mais o herói.


E eu pergunto:

o que está acontecendo

com a humanidade?

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