SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

31 março, 2026

SAPIENCIAL (Cacau Loureiro)


Sempre do alto descem as luzes.

E como recusá-las,

se são elas que rasgam a noite da alma

e me mantêm de pé,

em paz;

único sustento nas eiras revoltas

da humanidade?


Sigo.

Por vias sinuosas, sim,

mas com o sol coroando minha cabeça

e um sopro antigo aceso no peito,

esse impulso que me impele

a desbravar-me.


A vida…

não é senão filosofia encarnada

no coração que se curva...

onde a guerra já não encontra morada,

e só o que brota de dentro

tem força de verdade.


Porque o divino insiste em mim.

Sempre.

Tanto.

Com tamanha intensidade

que a poesia me transborda:

escorre dos dedos,

inunda os olhos.


E é essa vida que escolho,

a que me alcança em luz,

nas palavras que me foram sopradas

ainda menina,

pelos mestres primeiros,

que ensinaram com afeto

e a severa doçura

de suas missões sagradas.


Por minhas mãos, eles retornam:

ganham corpo, gesto, presença e

atravessam-me como telas vivas.


E a eles, eu rezo.


Porque formar a juventude

é tocar o invisível como ofício

é ser, ainda que por instantes,

ungida

por espíritos sapienciais,

através das claridades do céu.

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