Há um culto a se cumprir neste dia de domingo,
acender lembranças. O sol brilhante faz
uma oração no horizonte azulado,
onde o astro-rei surge em sua realeza
e em infinito amor pelos homens.
Na poeira do destino, os passos seguem
ao encontro do entardecer,
onde as estrelas irão iluminar os sonhos
e conduzir as dores à escuridão...
constelações onde adormecerá
tudo aquilo que se deixou de viver.
No chão, os pés doridos riscam percursos
que já não possuem placas nem sinais;
chão batido nas canções do tempo
que me fizeram conhecer as distâncias.
Acelerado, o peito ainda guarda sensações...
O corpo fala mais que as palavras
silenciadas pelo irascível orgulho dos
que ainda não aprenderam a maturar o que
há de mais belo nos seres.
A guerra interior é capaz
de tornar tudo em terra arrasada.
Paisagens passam velozes ante
minhas buscas vãs:
cercas que abraçam alqueires,
montes que limitam sentimentos.
Cavalgadas em missões de salvação
permanecem perdidas
na densa vegetação onde sombra e luz
confundem minha ótica enevoada.
Há um culto a se cumprir neste dia de domingo.
Quando a noite chegar, estrelas cintilarão
ainda fechadas em meu coração...
em preces ao eterno breu.

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