A natureza das coisas é intrínseca.
O meu tempo emprego em observar,
jamais me equilibrar na espada afiada
dos arbítrios.
Apenas seguir pelos caminhos
das reciprocidades, e assim,
é por eles que eu quero ir.
No céu que hoje desaba proceloso,
bebo, aos goles, as luminosidades:
limpidez da alma traduzida em lealdade,
transitando pelas vias daqueles
que ajuízam sobre a jornada
que, a ferro e fogo, engendrei.
Sobre todas as leis cunhei
as letras da verdade,
porque nela selei as asas
das reais oportunidades,
no grande amplexo
das filigranas dos afetos
que tracei.
Já as águas de março que
abundantes vertem
por todos os canais
que a vida em mim sulcou
em prantos... eu a alma lavo,
não as mãos.
Areias e pedras expostas
à natureza dos homens,
mas abertas, francamente,
às belezas dos céus.
Largo é o meu riso: acolhimento,
ritmo de uma verve
que não aprendeu a sussurrar
sobre a vida inteira que me cabe,
têmpera de aço
forjada em entusiasmo.
E sigo inteira,
porque a natureza das coisas
se curva, cedo ou tarde,
diante daqueles
que guardam intacta
a própria claridade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.
Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.
Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]
Gratidão pela leitura sensível.