SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

27 setembro, 2013

ESTRIBILHO (Cacau Loureiro)


           
















É o vento que ritma o meu relógio...
Não sei parar o pensamento, e pairo
nesta tarde fria que faz cair a noite
sobre mim...
Quero extrair poesia onde não há
estrofes e nem melodias; quero trazer
de volta a aurora que me tornou poetisa
e criou meus versos mais bonitos.
Quero prorromper em paz no fogo
que me consome, no burburinho
que não me desperta; quero ser o
sopro e a corda dos acordes que
habitam minha alma em diapasão.
Guerra e paz, sombra e luz,
frio e quente, amaro e mel,
águas mortas, águas vivas em
estribilho de mistificação.
Quero tocar em meu peito as canções
dos ventos que varreram os meus
caminhos como um el niño de solidão!...

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