SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

20 maio, 2018

AZORRAGUE (Cacau Loureiro)

















Calarei minhas inquirições, pois ante a
sua inquisição queimarei as cinzas que
nos restam...
Banho as feridas no sal do passado, a dor
faz tremer minhas entranhas porque
a cura depende de simbioses, da
transmudação da água em vinho.
Correm-me suor pelas mãos e meus
olhos não querem mais acreditar no
que vem de ti.
Gélida e oca eu sinto a minha alma,
deverá haver um bálsamo, um apanágio
para a distorção dos seres, para as confusões
do espírito e para o paradoxo dos torpes.
Eu quero como um nômade sedento ter visões
de oásis, de ilhas redentoras, sentir na pele
os ventos refrescantes.
Quadros que pintei... arco-íris, libações poéticas,
 a natureza morta da indiferença que me
mancha os sonhos e me escarnece o corpo
doem-me como os sacrifícios que elevei a ti.
Arranquei as vestes, entrego o sagrado que
cultivei na têmpera da coragem em nudez
aos açoites de seus conceitos arraigados
em bases idiossincráticas vazias.


2 comentários:

Este é um espaço de criação e partilha literária.
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