Os ventos alvissareiros da primavera ferem-me o rosto...
não prometem para o meu riso preso nas garras da
desesperança, a absolvição.
Prisioneira das incertezas eu singro o mar ignorado
pelo roto submundo dos homens.
Sinto pesar dos que navegam em seus próprios rumos
presunçosos em discurso para um ser só.
Pertenço a lugar algum e consome-me a angústia
de saber que terei de escolher para onde irei.
Deixo-me viver pelo instante que morrerei...
Movo-me nos meus velozes pensamentos cujas
lembranças não germinam vivazes no sol morno
destas manhãs onde setembro finaliza.
Toco as areias do tempo... enquanto a poeira resseca
meus olhos, meus lábios já não tecem mais os caminhos
molhados dos nossos corpos.
Há as estradas, há os trilhos, há as trilhas... os descaminhos
de nós para entoar o canto triste das músicas que já não
compomos mais.
A certeza, não existe o medo, não existe... nem do futuro e
nem da solidão.
O silêncio já não inocente que desmistifica sentimentos,
a fuga ao diálogo que não promove saídas, a certeza do
intransponível muro de quem não comove um coração oco,
e nem desperta um cérebro de pedra.

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