SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

05 janeiro, 2026

PONTES QUEIMADAS (Cacau Loureiro)

Desenhei dezembro na fumaça, as cinzas
viajaram com os ventos da saudade, se foram
vãs, foram-se por caminhos incompletos, iníquos.
Quem amparará todos os sonhos que sonhei?!

Jamais derramei as águas do arrependimento,
porque minhas sementes foram férteis ante
o solo seco dos destinos endurecidos.

Há laços de mentiras para aqueles que vivem
na superficialidade; neles o amor é sem rosto,
sem fundamento — é terra abandonada no espírito
oco de pessoas mal amadas...

Nas fronteiras do tudo e do nada, eu vi as
escolhas vazias, fáceis deslindes; pois alicerces
verazes são ancorados na coragem sobre
o mar das escolhas altruístas.

É preciso ter cunhado na alma a moeda do
real valor para escolher o seu propósito,
para escrever a própria história,
para fazer-se abnegado.

Campo minado é para valentes soldados,
que levam em seus âmagos a luta pela
sobrevivência, mas também a fibra para
jamais desistirem do combate...

Diante daqueles que abdicaram de seguir
adiante, ou de marcharem comigo, as pontes
eu queimo e sigo!

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