Sei bem...
Estradas longas se fazem no fim e o
pó do caminho muitas vezes levanta os
muros, como um ensaio de cegueira,
como cortinas de fumaça, véus obtusos
dos desenganos...
No labirinto confuso dos amores mal
traçados, as montanhas se erigem
para além do infinito onde lanço um
olhar de desesperança; como paredes
móveis e areias movediças, engolindo
sonhos, estreitando dores e desfazendo
os laços, farrapos das afeições rasas.
Mas me habita uma canção, tocada na
gaita dos desígnios universais, porque
toda música composta na alma sensitiva,
sabe ao certo seu endereço...
O meu ritmo segue no vento fresco das
tardes bonitas em que me olho, me enxergo
e me aceito, como o sol luminoso que vai
deitar-se no poente imperioso de seu dever
cumprido porque ainda há luz em todos os
para sempre dos homens.
E eu sigo essa jornada das belas melodias
que fulguram em meu sorriso novo, sem
vendas nos olhos depois dos vários ensaios
ante as minhas cegueiras da alma.
Sei bem...

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.
Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.
Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]
Gratidão pela leitura sensível.