SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

18 janeiro, 2026

SEM VENDAS (Cacau Loureiro)


Sei bem...
Estradas longas se fazem no fim e o
pó do caminho muitas vezes levanta os
muros, como um ensaio de cegueira,
como cortinas de fumaça, véus obtusos
dos desenganos...
No labirinto confuso dos amores mal
traçados, as montanhas se erigem
para além do infinito onde lanço um
olhar de desesperança; como paredes
móveis e areias movediças, engolindo
sonhos, estreitando dores e desfazendo
os laços, farrapos das afeições rasas. 
Mas me habita uma canção, tocada na
gaita dos desígnios universais, porque
toda música composta na alma sensitiva,
sabe ao certo seu endereço... 
O meu ritmo segue no vento fresco das
tardes bonitas em que me olho, me enxergo
e me aceito, como o sol luminoso que vai
deitar-se no poente imperioso de seu dever
cumprido porque ainda há luz em todos os
para sempre dos homens.
E eu sigo essa jornada das belas melodias
que fulguram em meu sorriso novo, sem
vendas nos olhos depois dos vários ensaios
ante as minhas cegueiras da alma. 
Sei bem...

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