SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

06 janeiro, 2026

FANAL (Cacau Loureiro)


Na minha solidão,

eu ainda vejo luzirem as lanternas…

E, não há escuridão no fim do túnel,
pois, nas longas noites, eu encontrei companhia.

Quando murmurei palavras de bênçãos nas trevas
que desceram sobre meu dormitar vazio,
onde fechei meus olhos para apaziguar
as dores do corpo,
onde cantei para esvaziar
os incômodos da alma.

Assim, eu esperei pelo bálsamo
do encontro de mim mesma,
onde meus passos de criança
vieram ao meu encontro,
lá onde o meu coração menino
cantou comigo
as cantigas de roda
que me inebriavam os dias.

Onde meu amigo invisível
pulou corda,
ensinando-me a dança da vida;
quando brincamos de amarelinha,
intentando equilibrar o mundo nas mãos;
onde balançamos ao vento
das alegrias passageiras
e onde os sonhos eram tecidos
nas árvores,
nascedouros de tantos sabores.

Ah!
Eu vejo as luzes piscarem,
mesmo ao longe,
no cais — refúgio para os perdidos…

Lá onde o meu peito depositou esperanças;
lá onde o mar faz seu eterno vai e vem,
sob a infinitude do céu,
ante a finitude dos homens.

Porque sei que há um fanal
que resplandece de norte a sul,
de leste a oeste,
espraiando luz sobre aqueles
que se perderam no mar da vida
e empunham nas mãos
a lanterna

dos que foram pelo mundo, afogados…

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