Na minha solidão,
eu ainda vejo luzirem as lanternas…
E, não há escuridão no fim do
túnel,
pois, nas longas noites, eu encontrei companhia.
Quando murmurei palavras de
bênçãos nas trevas
que desceram sobre meu dormitar vazio,
onde fechei meus olhos para apaziguar
as dores do corpo,
onde cantei para esvaziar
os incômodos da alma.
Assim, eu esperei pelo bálsamo
do encontro de mim mesma,
onde meus passos de criança
vieram ao meu encontro,
lá onde o meu coração menino
cantou comigo
as cantigas de roda
que me inebriavam os dias.
Onde meu amigo invisível
pulou corda,
ensinando-me a dança da vida;
quando brincamos de amarelinha,
intentando equilibrar o mundo nas mãos;
onde balançamos ao vento
das alegrias passageiras
e onde os sonhos eram tecidos
nas árvores,
nascedouros de tantos sabores.
Ah!
Eu vejo as luzes piscarem,
mesmo ao longe,
no cais — refúgio para os perdidos…
Lá onde o meu peito depositou
esperanças;
lá onde o mar faz seu eterno vai e vem,
sob a infinitude do céu,
ante a finitude dos homens.
Porque sei que há um fanal
que resplandece de norte a sul,
de leste a oeste,
espraiando luz sobre aqueles
que se perderam no mar da vida
e empunham nas mãos
a lanterna
dos que foram pelo mundo, afogados…
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