SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

06 janeiro, 2026

FANAL (Cacau Loureiro)


Na minha solidão,

eu ainda vejo luzirem as lanternas…

E, não há escuridão no fim do túnel,
pois, nas longas noites, eu encontrei companhia.

Quando murmurei palavras de bênçãos nas trevas
que desceram sobre meu dormitar vazio,
onde fechei meus olhos para apaziguar
as dores do corpo,
onde cantei para esvaziar
os incômodos da alma.

Assim, eu esperei pelo bálsamo
do encontro de mim mesma,
onde meus passos de criança
vieram ao meu encontro,
lá onde o meu coração menino
cantou comigo
as cantigas de roda
que me inebriavam os dias.

Onde meu amigo invisível
pulou corda,
ensinando-me a dança da vida;
quando brincamos de amarelinha,
intentando equilibrar o mundo nas mãos;
onde balançamos ao vento
das alegrias passageiras
e onde os sonhos eram tecidos
nas árvores,
nascedouros de tantos sabores.

Ah!
Eu vejo as luzes piscarem,
mesmo ao longe,
no cais — refúgio para os perdidos…

Lá onde o meu peito depositou esperanças;
lá onde o mar faz seu eterno vai e vem,
sob a infinitude do céu,
ante a finitude dos homens.

Porque sei que há um fanal
que resplandece de norte a sul,
de leste a oeste,
espraiando luz sobre aqueles
que se perderam no mar da vida
e empunham nas mãos
a lanterna

dos que foram pelo mundo, afogados…

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.