A chuva fina desce como gametas a
fecundar a terra árida dos homens...
Um céu plúmbeo a nos chamar para os
poderes misteriosos da natureza que
nos incita a buscar as luzes da alma.
Abundantes águas a nos lavar o corpo
e o espírito num ritual que nos faz abrir
os olhos para as incertezas humanas.
É belo abraçar a todos em cuidado,
tão belo ainda é olhar o ser que está
ao nosso lado, e perceber aquele
que nos segue em devotamento.
A dádiva das companhias limpas e leais
nos é presente do sagrado, somente a
clareza do alto sabe ao certo o que
nos elabora como diretriz.
Abrir os olhos é abrir também o coração,
porque dormitar ante todas as possibilidades
de crescimento é tornar infértil a oblação
pelo fogo, crescer em entendimento é
envergar-se feito caniço de bambu, não
é ser serviçal, é estar a serviço.
Eu olho, vejo a chuva limpar o solo dos
intranquilos, preparando-os para espraiar
sementes novatas na corredeira das águas
abundantes, em vida nova que nalgum dia
há de despertar em nós...

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