SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

23 janeiro, 2026

RITUAL DAS ÁGUAS (Cacau Loureiro)


A chuva fina desce como gametas a

fecundar a terra árida dos homens...

Um céu plúmbeo a nos chamar para os

poderes misteriosos da natureza que

nos incita a buscar as luzes da alma.

Abundantes águas a nos lavar o corpo

e o espírito num ritual que nos faz abrir

os olhos para as incertezas humanas.

É belo abraçar a todos em cuidado,

tão belo ainda é olhar o ser que está

ao nosso lado, e perceber aquele

que nos segue em devotamento.

A dádiva das companhias limpas e leais

nos é presente do sagrado, somente a

clareza do alto sabe ao certo o que

nos elabora como diretriz.

Abrir os olhos é abrir também o coração,

porque dormitar ante todas as possibilidades

de crescimento é tornar infértil a oblação

pelo fogo, crescer em entendimento é

envergar-se feito caniço de bambu, não

é ser serviçal, é estar a serviço.

Eu olho, vejo a chuva limpar o solo dos

intranquilos, preparando-os para espraiar

sementes novatas na corredeira das águas

abundantes, em vida nova que nalgum dia

há de despertar em nós...

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