Eu aspiro o ar dos justos, não me foi fácil
chegar a esse caminhar profundo.
Isso não me protege de escolher outras
bifurcações; o caminho é sempre um rio
longo que adentra nossa escuridão.
No caos pouco encontrei sinais de paz,
mas a coragem de descobrir-me sempre
me deu as mãos nas travessias dos desertos,
música que eu canto entre muros íngremes.
Minha armadura radiante, meu sorriso luzente
me elevam ante espadas de seres emergentes.
Nos chicotes que me lambem a alma,
as feridas cicatrizam; por isso
renasço, sobrevivo, insisto, permaneço.
Meus pés no chão, minhas mãos na terra
me lembram que humildade não é rendição
e que o meu silêncio não é dureza,
quiçá desvio — é retidão.
Há um guia que me limpa
os olhos,
mesmo nos lamentos, para que eu enxergue
mais longe, para que eu seja forte.
Isso não me coloca acima de ninguém,
apenas me equilibra em mim mesma,
para tecer, no bastidor da vida,
uma existência inteira em dignidade.

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