Um fio se estende na noite…
Palavras tecidas em promessas.
O hábito da conversa é
confiança ainda em broto.
No gesto nascente, de repente,
o passado senta à mesa.
Não grita.
Não exige.
Apenas ocupa.
Basta para deslocar o encanto.
Não é um fato isolado.
É tempo.
É lugar.
É modo.
São águas passadas.
Hora exata que se pedia silêncio —
recebe narrativas.
Compreendo histórias duras.
Reconheço dores antigas.
Tenho empatia pelos lutos que não foram
enterrados.
Mas aprendi:
compaixão sem reciprocidade
vira abandono de si mesmo.
Sou abrigo...Mas...
Deitei em redes que balançaram.
Não me levaram ao descanso
e entonteceram o meu corpo.
Percebi que contemplar céu tenebroso
não cessa as tempestades.
Arrastei bagagens que não eram minhas,
monólogos onde ouvi demais e
esperei além do justo.
Quando da verdade colocada à mesa,
fui rebatida, acusada, preterida.
Agora, não.
Hoje, cuido do campo do encontro.
Não invado.
Não despejo entulhos.
Não trago fantasmas.
Intimidade nasce do cuidado.
Não há ruídos.
Quem caminha comigo
aprende a ocupar outro espaço.
Não por negação.
Mas por ordem.
Por simples prioridade.
Passado que permanece vivo demais
não cabe no futuro que almejo.
Sem julgamentos.
Apenas critério.
Não é frieza.
É ética afetiva.
Histórias terminam antes de começar.
Não por falta de interesse,
mas por lucidez e coerência.
E eu sigo.
De mãos livres.
Sem lixos emocionais.
Com espaço para quem chegar inteiro.
E em tempo...
De fazer o que nos cabe.
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