SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

21 janeiro, 2026

ENTRE O QUE NÃO CABE (Cacau Loureiro)


Um fio se estende na noite…
Palavras tecidas em promessas.
O hábito da conversa é
confiança ainda em broto.
No gesto nascente, de repente,
o passado senta à mesa.
Não grita.
Não exige.
Apenas ocupa.
Basta para deslocar o encanto.
Não é um fato isolado.
É tempo.
É lugar.
É modo.
São águas passadas.
Hora exata que se pedia silêncio —
recebe narrativas.
Compreendo histórias duras.
Reconheço dores antigas.
Tenho empatia pelos lutos que não foram
enterrados.
Mas aprendi:
compaixão sem reciprocidade
vira abandono de si mesmo.
Sou abrigo...Mas...
Deitei em redes que balançaram.
Não me levaram ao descanso
e entonteceram o meu corpo.
Percebi que contemplar céu tenebroso
não cessa as tempestades.
Arrastei bagagens que não eram minhas,
monólogos onde ouvi demais e
esperei além do justo.
Quando da verdade colocada à mesa,
fui rebatida, acusada, preterida.
Agora, não.
Hoje, cuido do campo do encontro.
Não invado.
Não despejo entulhos.
Não trago fantasmas.
Intimidade nasce do cuidado.
Não há ruídos.
Quem caminha comigo
aprende a ocupar outro espaço.
Não por negação.
Mas por ordem.
Por simples prioridade.
Passado que permanece vivo demais
não cabe no futuro que almejo.
Sem julgamentos.
Apenas critério.
Não é frieza.
É ética afetiva.
Histórias terminam antes de começar.
Não por falta de interesse,
mas por lucidez e coerência.
E eu sigo.
De mãos livres.
Sem lixos emocionais.
Com espaço para quem chegar inteiro.
E em tempo...
De fazer o que nos cabe.

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