SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

28 janeiro, 2026

ENTRE FACAS (Cacau Loureiro)

 

O calor me soa na alma, abafadiço…

Há um gole de fel nas águas da insanidade,

jorradas de corações incoerentes e aflitos.

 

As palavras jogadas em acusações

não nos chamam para as clarezas do espírito.

 

Aprender as lições, se enxergar de verdade,

é preciso que se tenha um coração humilde.

 

Ah! Olhar o outro com as convicções de si mesmo,

é egoísmo, e ele grita ofensivo.

 

Mãos limpas têm que estar estendidas

na mesa dos raros concílios,

pois conceitos oblíquos que atendam somente a um lado

são quase como sangrar na espada

o coração de um guerreiro ou de um inimigo!

 

O vento vem de frente e bate forte em meu rosto ainda altivo.

Eu, ferida, sou faca segura por duas mãos — real perigo.

 

Eu espreito consciente o entorno

e os movimentos de uma gema humana em sofrimento,

mas eu me disto quando as razões que se apresentam

ainda me convidam para um lugar de incômodos,

de um passado sombrio,

de um mundo resistente

onde existir inteira não me foi permitido.

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