SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

11 janeiro, 2026

CIRANDAS IMPERFEITAS (Cacau Loureiro)


Havia um sorriso bonito a me chamar
para a tua ciranda de flores…

A cadência da música envolveu-me os sentidos,
enredou o espírito em canções
que acenderam a minha verve poética.

Então acolhi, em rimas raras,
o sonho
de pegar em tuas mãos
e compor a tua roda...
ritmos que me alçaram os braços,
que me levaram ao horizonte aberto,
esperança calma
a fincar-me os pés no chão
e a fazer-me crer
que o mundo ainda valeria a pena.

As fitas coloridas adentraram o meu peito,
enviesaram-me a alma
e me transfiguraram arco-íris,
celeste arco
levado ao outro lado
dos caminhos imperfeitos;
versos puxados à beira-mar,
jangadas enfeitadas,
floridas em amanheceres de sol,
em calor de gemas encantadas.

Mas no chão batido da vida,
na gira de quem dança sem compasso,
o círculo dos amores perdeu o andamento...
passo largo do destino
na voz de um supremo cantador.

Na ciranda desarrumada,
a pulsação alegre se desfez;
as cores, esmaecidas
pela poeira de um tempo absorto,
arrastadas no vai-e-vem
de ondas tempestivas,
não sustentaram o passo a passo.

Ainda assim, eu sei:
sorrirei.
E dançarei outras cirandas,
marcadas por pandeiros vivos,
ritmados,
vestido rodando
na evolução da zabumba grave
a marcar a batida do meu coração,
a dizer-me, em viva ancestralidade,
que a vida...
a vida ainda pulsa
na memória coletiva.

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