Havia um sorriso bonito a me chamar
para a tua ciranda de flores…
A cadência da música envolveu-me os sentidos,
enredou o espírito em canções
que acenderam a minha verve poética.
Então acolhi, em rimas raras,
o sonho
de pegar em tuas mãos
e compor a tua roda...
ritmos que me alçaram os braços,
que me levaram ao horizonte aberto,
esperança calma
a fincar-me os pés no chão
e a fazer-me crer
que o mundo ainda valeria a pena.
As fitas coloridas adentraram o meu peito,
enviesaram-me a alma
e me transfiguraram arco-íris,
celeste arco
levado ao outro lado
dos caminhos imperfeitos;
versos puxados à beira-mar,
jangadas enfeitadas,
floridas em amanheceres de sol,
em calor de gemas encantadas.
Mas no chão batido da vida,
na gira de quem dança sem compasso,
o círculo dos amores perdeu o andamento...
passo largo do destino
na voz de um supremo cantador.
Na ciranda desarrumada,
a pulsação alegre se desfez;
as cores, esmaecidas
pela poeira de um tempo absorto,
arrastadas no vai-e-vem
de ondas tempestivas,
não sustentaram o passo a passo.
Ainda assim, eu sei:
sorrirei.
E dançarei outras cirandas,
marcadas por pandeiros vivos,
ritmados,
vestido rodando
na evolução da zabumba grave
a marcar a batida do meu coração,
a dizer-me, em viva ancestralidade,
que a vida...
a vida ainda pulsa
na memória coletiva.

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