SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

15 janeiro, 2026

TRAVESSIA (Cacau Loureiro)

 


Aos céus eu lancei as minhas súplicas,

o que está no alto, estará dentro de nós...

eu prossigo nessa estrada de fé, porque

o amor maior sempre velará por nós.

Meus caminhos como os rios, também

cheios de meandros, ensinam-me a

prosseguir como as águas, a limpar as

incertezas, porque aprendizado é liga,

edificação para os misteriosos desígnios

do divino, e assim, não temerei as sombras

que hora em vez se lançam sobre a minha

cabeça revolta e sobre o meu coração

conturbado nas noites traiçoeiras...

Há uma torrente forte a preencher a minha

alma do sal da terra, como tempero e

fermento a construir meu caráter de fibra

e a fomentar o meu espírito tenaz.

Que venham as correntes abruptas,

que venham os desafios doridos, 

que me sejam batismo, porque salvar-se

é entender que como ondas, hora estaremos 

em cima, hora estaremos embaixo, e vir à tona,

é exercício de transformação e saberes.

Levanto a minha fronte ao sol, como

girassol sedento de luz, pés fincados

no solo dos indiferentes, coração

plantado nos tesouros do espírito,

plena vida que me abraça como chuva

a varrer dissabores incultos, a 

transmudar minha alma em paz.

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