SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

16 janeiro, 2013

À MERCÊ (Cacau Loureiro)

 














Caminho de escarpas...

Por acreditar nos homens grassaram

em pedras as ervas daninhas.

Não posso crer que aqui terminam

os caminhos da luz!

Pela paz que busquei através dos atos

de minhas mãos, pela guerra que fiz ao

me direcionar para bem, não podem cessar

por aqui os caminhos...

O que fiz além de acreditar?!

Pergunto-me o que fazer diante das

montanhas que não movo, da chuva que

não vem molhar os meus desertos, do sol

que não vem iluminar minhas sombras?...

Onde estão os profetas deste mundo

caduco, as almas destes homens loucos?!

A insurreição dos meninos simples

quando advirá?!

Estou à mercê do Mestre da humildade porque

sei que “Ele” não veio para chamar os justos...

26 dezembro, 2012

DEZEMBROS (Cacau Loureiro)


 











Sinto o meu espírito alquebrado...
Queria fazer fluir a minha vida assim
como o sol se espalha sobre toda cidade.
Há dezembros intermináveis dentro de mim...
A força sobre humana que me movia adormecida
está nos atalhos tênues dos humanos afetos...
Revolvo pedaços de coragem como se incitasse
animal dos mais ferozes.
A rima cala-se e não há pranto, recolhe-se o verso
e não existe esperança.
A folha branca está morta, imóvel com a inanição
dos ventos que movem meus caminhos.
Os anos passam atropelados como quando aprendi
a contar em velha infância; há desordem na
memória que não revive os momentos há muito
desfalecidos de senso.
Busco razões que me façam transbordar as letras...
Em um coração que pulsa estrofes mortas!...


18 dezembro, 2012

PULSÃO (Cacau Loureiro)












Verão que em mim não cessa,
intermináveis noites!...
Vãos do tempo a impor o
descompasso do mundo.
Quando se dará o encontro
permanente?!
Explosão de estrelas, miríade
a avançar sob a pele extraindo
gostos, cheiros, profanando as
horas...
Ainda o grito permanece preso,
o nós a mais represa vontades,
apreende a poesia; o desejo só
pode ser inteiro, completo e cabal
ao compasso de quatro mãos, e
não mais.
A música de nossas vozes ainda se
expande no universo como promessa
a ser cumprida.
Longos os dias em que deixo de te
viver!...
Hoje não mais vivo... esperas...
Hoje não mais sonho... lembranças...
Hoje não mais falo... silêncios...
Hoje não mais concebo... entregas...  


04 dezembro, 2012

SAZÃO (Cacau Loureiro)




Há canções de liberdade nos ventos que
me abraçam...
Até quando esperarei pelo pleno verão?!
As rimas do novo tempo já se prenunciam,
mas, ainda não chegou a chuva que
purifica o que é mais do que sagrado.
Dores, lágrimas e júbilo nesta tempestade
oculta em meu peito prestes a irromper.
Até quando esperarei pelo pleno verão?!
Promessas represadas nas mãos de ardilosos...
incautos crucificados sem perdão.
Não sei esperar pelo tempo que não vem
porque chronos e kairós não se compreendem,
não se acertam em meu relógio que não para!...
A poesia adormece silenciosa em ritmo
monossílábico de lamentos, sacrifícios vãos...
Estradas me apontam belíssimos caminhos
mas, os trilhos dos sonhos empilhados compõem
agudo acorde para os meus ouvidos.
Não aprendi a esperar pelo tempo que não vem,
pois preciso alimentar a minha alma e
necessito ser a música duradoura...
Até quando esperarei pelo pleno verão?!...

29 outubro, 2012

ADVENTÍCIO (Cacau Loureiro)


Sinto-me um estrangeiro...

Na própria terra em que solidifiquei minhas
raízes, sinto-me um renegado.
Olho nas faces dos meus irmãos e não
os reconheço, olho nos olhos dos que
são sangue do meu sangue e não os
reconduzo a mim.
Profetas proliferam-se na terra que hoje
é de ninguém, e quem irá profetizar a paz,
professar a concórdia?!
Desertos homens desertores de si mesmos...
Alimento-me da renúncia, porque ser consciente
é abdicar do próprio solo que me consagrou.
Não venho de lugar algum, não sei para onde
irei... pois que ser humano é acreditar, é ter fé de
que a centelha divina habita em nós, e já
não importa para onde vou, dado que não será
pior do que de onde advim.
Portanto, eu sigo o curso dos ventos, o curso
dos rios, sem batismo ou salvação.
Minhas palavras são as parábolas do tempo,
o verbo que um dia há de ser sacrossanto porque
não levantou bandeiras de remissões.
Guardo o grito de um espírito livre, um forasteiro
das eras que sabe que o seu resgate está em
suas próprias mãos.


21 agosto, 2012

HUMANA NATUREZA (Cacau Loureiro)


Grande Pai...

Tu sabes dos sentimentos que regem o meu

espírito. Apartai, pois, de mim qualquer mágoa,

ressentimento ou resquício do desejo de vingança.

Que aqueles que me acercam possam ver além dos

meus olhos que choram, algo de limpo em meu coração,

e também, a clareza de minha alma agora triste.

Que Tu possas amenizar o azedume e o amargor do

passado, porque hoje só quero seguir adiante.

Prosseguir através da tua mão.

E diante de ti ó Pai coloco o meu coração combalido,

cansado das contendas inglórias onde eu lutei pela paz,

e que o meu peito seja imune à discórdia, conquanto

não saibamos de perdão.

Amado Pai, esgotada estou pela solidão acompanhada

dos dias atuais, nós que olhamos e não enxergamos,

nós que sensibilizados pelos apelos do mundo, não

nos sensibilizamos. Que sejamos Pai, humanos com

humanidade, que sejamos próximos com proximidade

de corações.

Quando elevarmos a Ti nossas orações, saibamos

reconhecer o pouco que somos em nossa humana

natureza e o muito que temos que evoluir para o

engrandecimento da tua obra.

Que a cruz que Te elevou no calvário indelével,

aponte-nos verdadeiramente o céu dentro de nós.

Assim seja!...

14 agosto, 2012

EXTINGUÍVEL (Cacau Loureiro)


Ousei ser andarilho e caminhar mil anos,

pois sem conta combati em solidão...
As vias do coração são marginais,
somente os loucos as saberão.
Ousei ser poeta e narrar mil epopeias,
mas, jamais escrevi uma canção.
As rotas do mundo são desiguais,
somente os bardos as saberão.
Ousei ser profeta e secar mil prantos,
e mil vezes o meu choro cultivou o chão.
As jornadas de uma alma são míticas,
somente os filósofos as saberão.
Ousei ser peregrino e encontrar a paz,
desbravar montanhas em meio à multidão
e quebrar pedras com o coração...
E descobri perplexa que somente os
bravos perecerão...

19 julho, 2012

ILUMINADA (Cacau Loureiro)

Comungo da taça que me consagras…
e que Deus me poupe do cálice da indiferença.
Pobres filhos deste mundo órfão!
Que possamos descortinar a alma,
livrando-a dos véus da superficialidade.

Abramos nossos chacras
à energia essencial da vida, amor…

A luz que vem de ti reveste meu espírito,
prata clara que doura meus dias...
dias febris de nós.

Que os nós se desatem na aura perfumada
do teu colo,
na maciez de tuas mãos que ofertam,
no teu berço esplêndido de ternuras.

E que a prece que balbucio
entre os lábios secos
das noites mal dormidas,
quando teu amor me falta,
encontre anjos por sentinelas,
refaça-me inteira,
tanto quanto baste
ao teu apreço

pois é ao teu lado
que eu me sinto iluminada.