Sinto-me um estrangeiro...
Na própria terra em que solidifiquei minhas
raízes, sinto-me um renegado.
Olho nas faces dos meus irmãos e não
os reconheço, olho nos olhos dos que
são sangue do meu sangue e não os
reconduzo a mim.
Profetas proliferam-se na terra que hoje
é de ninguém, e quem irá profetizar a paz,
professar a concórdia?!
Desertos homens desertores de si mesmos...
Alimento-me da renúncia, porque ser consciente
é abdicar do próprio solo que me consagrou.
Não venho de lugar algum, não sei para onde
irei... pois que ser humano é acreditar, é ter fé de
que a centelha divina habita em nós, e já
não importa para onde vou, dado que não será
pior do que de onde advim.
Portanto, eu sigo o curso dos ventos, o curso
dos rios, sem batismo ou salvação.
Minhas palavras são as parábolas do tempo,
o verbo que um dia há de ser sacrossanto porque
não levantou bandeiras de remissões.
Guardo o grito de um espírito livre, um forasteiro
das eras que sabe que o seu resgate está em
suas próprias mãos.

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