SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

19 agosto, 2009

EXORTAÇÃO


Nos confins do teu coração interiorano
ouço canções primaveris, pois os cânticos
das flores só me enfeitam os dias.
Não posso olvidar de ser feliz quando
mãos como as tuas a mim são estendidas.
Ainda quero o ameno sol transpondo as
folhagens das frondosas árvores de nosso
singular jardim, cingindo nossas faces
de criança, fazendo-nos arriscar brincadeiras
audaciosas.
Teu sorriso furtivo de garoto, teu rogo
conciso de homem-feito estremece-me,
também me envanece.
Quero ainda as tardes que me açulam os
ânimos, que a minha têmpera animam.
Não posso despir-me do desejo intrigante da
minha essência pela tua, do meu corpo pelo teu.
Meus pensamentos já não se ajuízam, meus
olhos já não mais preveem, contudo, o meu
espírito escuta-te, perscruta-te, esmiúça-te,
desnorteia-me!...
Deixa crescer toda volúpia,
deixa rolar toda emoção,
deixa fluir todo desejo,
tocar a tua alma deixa-me!...

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