
A chuva não faz passar a dor...
Não desfaz a marca do teu toque
em minha tez...
Noite e dia não se delimitam nesta
alma conturbada pela ausência...
Saudade que finca nos olhos feito
espada e grita no peito todos os
silêncios mendazes e atrozes das
demoras...
Nada há que substitua o teu gosto,
não há nada que o teu toque represente,
nada há que se troque por seu rosto,
não há nada que se ponha no lugar
da tua lembrança tão amada.
Deito meu corpo, mas o espírito sempre
alerta não desvanece os teus traços, não
me fazem esquecer-te...
Como os sulcos do meu rosto, acordas
e dormes comigo, em mim, sem o ir ou o vir;
mas, sempre distante, no entanto, nunca ausente...
O pesar não consome as horas mortas em
que semimorta eu versejo-te...
É lenta a alvorada, o ocaso é lento,
é veloz o coração, é mordaz a tua falta...
Eu estampo a tua imagem na paisagem,
traduzo nossos momentos nas palavras,
em cruéis linhas que me sangram invisíveis,
assim componho os versos mais bonitos
nas estrofes deste poema incompleto!...
Nem todo amor tem sua correspondência,nem toda correspondência tem seu destino
ResponderExcluire nem todo destino é onde queremos chegar.