SOBRE ESTE ESPAÇO
REFLEXÃO
29 abril, 2024
RECRIAR (Cacau Loureiro)
24 abril, 2024
REGALO (Cacau Loureiro)
Existe em ti uma trilha de sol, feixe luminoso a
toldar meu afeto e que cintila continuamente
em meu afetado coração.
A palavra que em ti encerra-se, chama-se bálsamo,
pois que és unguento sobre minha corrida vida,
assim como pura vida corre em ti!...
Mais fáceis são os rumos da ternura, não há
humana força que a cesse, posto que contagiosos
os laços feitos no eterno tempo que nos foge
das mãos como as horas.
Contudo, meus pensamentos correm, passam
na tela de encantado mundo como fita colorida
na dança das emoções...
Há um cântico de paz em teus lábios, há um
hino de amor em teus gestos, há louvores de
esperança em teus olhos.
Não há como suster a força que promana do
teu farto espírito, porque há em tua mansidão
as cifras da concórdia... quietude, repouso.
Em meu acelerado ventre só o teu cordial ser
faz-me perceber o vento, faz-me olhar para o céu.
No páramo que em ti diviso a lua é sempre cheia,
excelsa, bonita, prata rara num mundo de desvalor.
Para além do teu horizonte singular meu mar
segue argentado em força e graça preciosas.
Caminhos de margaridas florescem, quadrantes
de belezas sem par eu vislumbro.
Contigo... desconheço a solidão...
14 março, 2024
ESPECIARIA (Cacau Loureiro)
Há uma lenta tarde a macerar as horas,
há um azul que viaja entre as nuvens
espalhando um verde de esperança
de que vou rever teus olhos âmbares...
de que eu irei tocar teu corpo quente.
A vésper morosa se aconchega no meu
peito fazendo-o queixar-se desse entardecer
que arde como febre terçã e que me causa
a tua falta... horas
mortas que se apresenta
ao sol que já vai alto também em meu seio.
Há um meio-dia que me parte ao meio, tira-me
do centro, descentraliza pensamentos, traz-me
sombras que dançam nas cavernas dos meus
sonhos exaustos, tão repletos de ti...
Na rede do tempo balanço as lembranças,
ando a esmo em tuas linhas belas, ilha de
plenos amores, oásis de suores escaldantes,
mar de beijos temperados, tão rara especiaria,
sal da vida!...
29 fevereiro, 2024
ROSA-CHÁ (Cacau Loureiro)
Eu quero a tua poesia nua...
Nuez rosa, chá dos deuses...
Essa venusta nudez em que vive a tua alma,
que ora em vez profana as madrugadas e
transforma a feiticeira dama da noite sob a
luz azul da lua...
Eu quero despir em versos o áster que voa por
sobre minha matéria e intumesce meus mamilos,
eriça todos os meus pelos e tece lúbricas rimas,
deixando-me palavras no corpo.
Eu preciso da tua poesia nua...
Essa mesma nueza que incita meus olhos atônitos,
que ora em vez infringe as leis da física e me põe
ponta-cabeça e me deixa os pés na terra e a
cabeça entre nuvens.
Eu desejo a tua poesia nua...
Essa mesma sem adornos e, no entanto, realeza,
que ora em vez entrelaça fios de ouro em filigrana
de estrofes... e como libélula do crepúsculo cria
matizadas asas e me trama este poema nu de gozo.
28 fevereiro, 2024
LUA NOVA (Cacau Loureiro)
ti eu morro todo dia, sempre e um pouco
mais, e além, e tanto, no tanto quanto de
saudade que já não sei mais estar...
Sem ti nada fica no lugar, pois, há uma
dança que me nasce dentro e te põe para
fora em sorrisos que te dou de longe e que
te deixa mais perto. Só sei que te quero...
sempre quero, mas, te quero para ontem
porque o hoje já não me basta...
Há um amanhã de sofreguidão que pulsa
em meus poros e lateja em meu corpo,
em vida latente, neste céu incandescente
de lua cheia prateada em muitas cores.
Meus silêncios falam tanto nas manhãs em
que desperto com os raios do teu sol que
ora arde em meu peito dando-lhe o ritmo
das tardes de manso horizonte, este aceno de
despedida onde coloco minha vontade de estar...
Voo então ao teu amplexo, aquele mesmo que
num dia ameno fez-me nascer em ti, e assim fui
contigo, ali onde ficaste comigo para um até logo
que demorou tanto naquele abraço forte e que
na longa noite fez nascer tua lua nova em mim!...
22 fevereiro, 2024
LUMINOSIDADE (Cacau Loureiro)
Guardei aquele beijo que tu me deste,
aquele que acordou meu espírito e
apascentou minha alma...
Meu pensamento viageiro busca-te
no vento, aragem que desalinha meus
cabelos e alinha meus passos.
Por quanto tempo eu te esperei já
não sei, as dores nos estacionam
entre pedras, mas, sempre que
olhamos para o alto, vislumbramos
o sol, num amplo céu em que podemos
atravessar vestidos de esperança e
revestidos pela fé.
E eu repousei no horizonte meus desejos,
aspirações de quem sempre soube amar
e sonhar com as promessas.
E diante de ti, estou de pé pelo respeito
e apreço aquilo que te fez fortaleza,
entre sombras e claridades que te fizeram
crescer e ir tão longe... em teus lábios eu
bebo o vinho das essências raras, néctar
de profundos aprendizados... deposito
ósculos em tuas mãos pacíficas, pois que,
a paz é desafio para os incautos, lição para
quem só enxergava os próprios pés...
oferto-te minha alegria simples ante teu
sorriso cristalino.
Na poeira espessa do destino a luz se
resguarda para os olhos semicerrados,
e tua vinda, tua chegada em meu caminho
foi como um pasmo de luminosidade!
FASCINAÇÃO (Cacau Loureiro)
da janela eu avisto o meu jardim dantes
monocromático... agora, vistoso, alentado.
Lá onde a intempérie recai severa, as floradas
vigorosas levantam-se ao alto, num ato de
solidez e fortificação.
A bátega profusa em meus olhos fecunda
a tua chegada abastada, abrem os meus
canais aquosos para nos fazer ir a frente
e mais além.
Eu sigo os teus caminhos sinuosos das
águas férteis e tranquilas, pois que as
grandes viagens de dentro podem singrar
a alma sem sangrá-la... eu achei as rotas
das gaivotas de voos leves e tenazes em
busca dos lugares seguros onde há fluxos
límpidos, farnel para os famintos, ninho com
o frescor das novas madrugadas...
Houve trevas em meu viver, contudo, o tempo
dos raios solares chegou como lua nova de
iniciações em rituais e feitiços, mãos estendidas
em graça e doação.
Rezas que se elevam por dentre os véus da vênus
que te guia, nesta preamar do vai e vem do mundo,
onde descerro o teu sorriso farto, onde abro as
energias para o etéreo impermisto, votivas velas
nos mares da vida em clamores de gratidão.
Cativou-me, pois, com a tua alma encantada!...
20 fevereiro, 2024
MADRIGAIS (Cacau Loureiro)
tudo o que é forte, de tudo o que é bom, de tudo
o que é belo e bonito!
Onde tocas, a vida renasce, a esperança vibra em
novas mudas... sob os toques sutis de quem sabe
plantar o novo com as velhas lições da vida...
Há um poder em tua vontade que derrama néctar
nas flores de canteiros esquecidos, um substrato
singular que fortalece as raízes do que ora sabes
fazer, frutificar para o amanhã.
Há cores e tons quando revolves a terra inabitada
onde outrora se transformou o meu âmago contrito, e
agora tão valente e insinuante que empoderado de si,
ele ergue a primavera em florais do tempo, como um
templo que edificas em mim com odes e louvações
de gratidão... ao ritmo de músicas de cifras novas e
ineditamente belas, onde toco o instante do destino,
porque amar tua apurada beleza, apreciar teu seio farto,
adentrar teus olhos claros, tocar tua pele macia, provar
teu beijo primoroso, é cultivar raros frutos na seara dos
amores mansos, é galgar um futuro bom em novos
campos, é fazer poesia em madrigais de boa sorte...
a música que eu sonho fazer florescer contigo,
delicada, formosa, em canção ternamente fina!...







