SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

08 dezembro, 2009

CORAGEM DE DESISTIR (Simone Arrojo)

“...Certa vez, num domingo, estava na casa de um namorado, lendo jornal na sala, eu num canto e ele em outro. De repente me veio uma luz, como se eu estivesse mais lúcida, como se os véus que me faziam imaginar o que se passava do outro lado, tivessem caído finalmente. Comecei olhar o ambiente, a situação e o que eu estava fazendo com a minha vida. Nada fazia mais sentido, meu lugar não era mais ali. Comecei a enxergar a situação com outros olhos, os olhos espirituais. Maravilhoso enxergar com esses olhos... os olhos da alma... que nos colocam em contato direto com o que realmente vale a pena... com o certo.
...Lógico que, como uma luz, as informações e sinais aparecem de várias maneiras. Era hora de desistir, eu não estava acostumada a desistir de nada. Sempre terminei os cursos que comecei, sempre me achei persistente... sempre achei que desistir de qualquer coisa era para pessoas fracas.
Hoje, depois de muitos anos, percebi que desistir era meu ponto fraco. Sempre tive vontade e coragem para continuar, persistir e não entendi a linha tênue que existe realmente entre a teimosia e a persistência. Uma grande amiga dizia que ela era tão teimosa que o ascendente dela era em mula e não em Capricórnio. rsrs
Hoje eu entendo que muitas coisas nos machucam, muitas pessoas e situações passam dos limites de tolerância e do respeito. Deus, o Universo e nossa própria alma mostram que é chegada a hora de desistir de uma situação que já se esgotou e que ainda estamos presos por fios de dependência emocional, por medos infundados.
Hoje, conversei com um amigo que estava numa situação muito difícil numa empresa e resolveu ponderadamente deixar cair o que tem que cair... simplesmente cair.... sócios que não servem mais... produtos que não dão mais lucro... formas administrativas inadequadas.
Veja bem... não estou incentivando ninguém a desistir de nada. Estou dizendo que muitas coisas já acabaram faz tempo e nós não queremos aceitar que é chegada a hora de mudar, transcender. Água parada apodrece, água que flui purifica, limpa.
Dizem que o casamento de pessoas que se amam não se inicia na troca das alianças mas... na troca de olhares. Também acredito que muitas situações não terminam quando o juiz assina, elas já terminaram muito antes com o desrespeito, a traição, a desconexão. Enfim, é preciso ter coragem de desistir do que nos faz mal, do que não É mais..
É preciso ter coragem para persistir no bem. Tudo o que faz bem para o corpo e para a alma. Aprendi a escolher tudo assim... estou aprendendo a confiar mais e mais em mim mesma e no Universo.”
Segundo Amyr Klink: o maior medo do navegador é o de não partir...
(Simone Arrojo é terapeuta floral)

BOM DESEJO (Cacau Loureiro)


Dor lancinante invade-me o peito,
tento não sucumbir às tristezas, aos
tiranos por estes caminhos imperfeitos.
O tempo se esvai inconteste, pois no mar
da vida, não se rema contra a maré, posto
que o mar engole a todos.
Fio tênue nos prende às coisas do mundo,
subestimando, não queremos aceitar o fato.
Sob os disfarces materiais tornamo-nos
monstros e devoramos a nós mesmos.
Somos pobres, somos tolos...
Não somos capazes de cultivar em nossos
corações sequer uma nesga de verdade, de
sinceridade. Enganamo-nos e enganamos
a todos, por isto repito: somos pobres, somos
tolos.
Experimentemos deixar solto o coração, como
um horizonte aberto aos sonhos, às asas, porque
podemos estar mais perto daqueles que são puros,
corretos.
Fite todos, perceba tudo, sinta os seres, pois
podemos estar com eles em suas múltiplas
dimensões.
Ainda não entendo... por que existem as dissenções?
Deve ser por causa dos nossos duros corações.
Procuro ainda um caminho por onde eu possa
semear a paz... a que procuro.
Endurecido deixei meu coração por dias, anos!...
Sucumbi aos tiranos, perdi meus planos, deixei-me
levar, cultivei nas veredas do meu ser mágoas,
simplesmente por não aceitar a ignorância alheia.
Paguei mágoas com mágoas, perdi-me, pois não
sei viver assim; não via que desta forma eu morria.
Não está em mim a hipocrisia, porque tentei ser
adversa quando a minha essência sempre foi singular
conciliação.
Tento falar com Deus em minhas preces, quando a
Ele elevo-me, eu cresço.
Desejo e luto para que eu não perca este traço, também
os meus afetos, porque a batalha de minha existência
tem sido dura, não digo da luta para o meu sustento
corporal, mas a luta para a edificação do meu espírito.
A guerra que travo é com a minha má tendência... e o
meu bom desejo é aquilo que dia a dia almejo:
Pacificar o meu coração pelo perdão!...

NÃO ESPERE! (Espaço Holístico Olhos de Horus)

Não espere um sorriso para ser gentil;
Não espere ser amado para amar;
Não espere ficar sozinho para reconhecer o valor de quem está ao seu lado;
Não espere ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante em sua vida;
Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar;
Não espere a queda para lembrar-se do conselho;
Não espere...
Não espere a enfermidade para perceber o quanto é frágil a vida;
Não espere pessoas perfeitas para então se apaixonar;
Não espere a mágoa para pedir perdão;
Não espere a separação para buscar reconciliação;
Não espere a dor para acreditar em oração;
Não espere elogios para acreditar em si mesmo;
Não espere...
Não espere que o outro tome a iniciativa se você foi o culpado;
Não espere o eu te amo, para dizer eu também;
Não espere o dia da sua morte para começar a amar a vida;
E então, o que você está esperando?
(Espaco Holistico Olhos de Horus)

07 dezembro, 2009

IDIOTAS OU MALVADOS? (José Nivaldo Cordeiro)



"Álvaro Vargas Llosa não faz essa distinção entre os condutores da multidão entorpecida e ela própria."

Fez muito sucesso a expressão cunhada por Mário Vargas Llosa para retratar a marcha do esquerdismo na América Latina, a do perfeito idiota latino-americano relatado em diversos dos seus livros. É uma expressão divertida, mas perigosa, porque mais esconde do que revela os reais fatos políticos da região. O duelo que é travado por aqui se estende aos limites transcendentes e uma simplificação do mesmo equivale a esconder a verdade e a fazer o jogo do Inimigo.
Certo, quando você vê um conjunto de idiotas carregando bandeiras do PT ou do partido do Chávez, ostentando botons nas lapelas e fazendo discurso em prol da suposta “justiça social” certamente você estará confrontado com um conjunto de perfeitos idiotas latino-americanos, iguais aos idiotas de outros continentes. Não há aqui na região peculiaridade alguma. São idiotas porque têm os predicados dos idiotas: são pessoas que carecem de inteligência e discernimento, são tolos e estúpidos. Piormente porque estão convencidos que são portadores da mais alta moralidade e que são os campeões na defesa dos pobres e oprimidos, quando a realidade é precisamente o contrário. E ainda acharão que aqueles que não se juntam ao séqüito idiota dos comunistas é que são os tolos, na medida em que ficam excluídos das oportunidades materiais que só os militantes do partido dispõem, como empregos públicos rendosos, contratos de serviços com o Estado, verbas para ONGs e coisas do gêneros. Não percebem, os idiotas, que as benesses de agora serão tomadas e os bens mais preciosos lhes serão arrancados na primeira oportunidade, a começar pela liberdade e a vida.
Afinal, são idiotas ou não? Os idiotas são os militantes miúdos e inconscientes dispersos na multidão de militantes encharcados pela propaganda revolucionária, que nunca dispuseram de qualquer instrumento que lhes ajudassem a ter um descortino da realidade. Dito de outra forma, vivem, os idiotas, mergulhados na realidade virtual criada pelos falsos discursos e pela propaganda enganosa, que se inicia nos meios de comunicação, é aprofundada nas escolas fundamentais e de ensino médio e tem a sua conclusão coroada nas escolas de nível superior. O idiota é laureado com pompa e circunstância no reconhecimento pelo Estado de sua completa idiotice diplomada. Depois a propaganda continua a agir nos jornais, nos livros e nos discursos políticos, que os idiotas passam a repetir feitos papagaios.
Hoje em dia até mesmo denominações religiosas de seitas pentecostais, como a do Edir Macedo, foram recrutadas para fazer a propaganda enganosa da causa revolucionária. Esse “bispo” satânico deu agora para defender o aborto, a liberação das drogas e seus apaniguados que dispõem de votos estão na tropa de choque da base de apoio do governo. O povo miúdo e ignorante não tem como escapar do alçapão que virou a seita, que arregimenta milhões. E o Macedo não é o único simoníaco na conta do governo. Se a ladainha revolucionária está no rádio, na TV, na boca dos professores e na boca dos bispos, então a mentira haverá que se tornar a verdade mais auto-evidente para a gente desprotegida pela couraça do Espírito. Mas a mentira será sempre mentira.
Essa idiotia, todavia, não pode ser atribuída aos líderes partidários, aos chefes da propaganda, aos que controlam o caixa rico do partido. Eles sabem perfeitamente o que estão fazendo. Esses são os homens maus, que mais das vezes são desconhecidos do grande público, agindo nos bastidores. Só ocasionalmente esses dirigentes nas sombras dão a cara a conhecer, como aconteceu com o então obscuro Antonio Palocci, surpreendendo a todos ao assumir o Ministério da Fazenda no primeiro governo Lula, sem ter formação econômica, sem ser uma liderança política nacional, sem ostentar experiência específica para lidar com finanças. Nada! Um raio em dia de céu azul. O mesmo podemos dizer da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que veio a substituir o todo poderoso José Dirceu. Seu melhor atributo terá sido colaborar com a guerrilha revolucionária em priscas eras.
Essa gente pratica o mal de caso pensado, com o único fito de conquistar e manter-se indefinidamente no poder. O coletivismo marxista não se sustenta nem no plano teórico e menos ainda no plano moral e eles sabem disso muito bem. Mas o discurso distributivista e supostamente libertário escritos pelos propagandistas da revolução faz dessa gente os únicos postulantes com êxito ao poder de Estado na ordem democrática. Um voto é um voto, dirão os cínicos, e uma gente idiotizada pela propaganda não haveria como escolher outros que não os mentirosos que o produziram. O apelo direto aos instintos básicos da fome e da sexualidade, ou seja, o uso deliberado da miragem da liberação da lei da escassez e das travas da moral natural, a libertinagem sem limites, mobiliza as massas infantilizadas naquilo que elas têm de mais vulnerável. Um ser humano adulto e bem formado sabe que os vícios não se confundem com virtudes e que deles só podem advir tragédia e morte, como aliás tem sido a saga em todos os lugares onde o marxismo triunfou. O discurso mentiroso mil vezes repetido toma o lugar da verdade e anestesia o senso de perigo da multidão. Depois de um certo ponto é impossível interromper o processo que transfere a esses sediciosos mentirosos todo o poder e apenas a conclusão sangrenta do mesmo poderá estanca-lo e dar um fim ao sofrimento. Aí será tarde demais e a pilha de mortos terá sido contada aos milhões. Poderíamos aqui repetir o verso de Walt Whitman, o poeta maldito: “Morte, morte, morte, morte, morte”. A morte é o mantra real desses criminosos do espírito.
Álvaro Vargas Llosa não faz essa distinção entre os condutores da multidão entorpecida e ela própria, por isso disse em entrevista que Che Guevara encarnava a própria figura do perfeito idiota latino-americano (ver http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL145499-5602,00.html ). Grande engano. Che é o protótipo do dirigente revolucionário que sabia exatamente o mal que fazia. Praticava o mal por escolha. Che é Lula, é Dirceu, é Palocci, é Chávez, é Fidel, gente que vendeu a alma ao Diabo e que fará o mesmo com aqueles que estiverem no seu caminho, o povo todo junto. O peruano involuntariamente contribuiu para esconder essa realidade trágica com seus livros e sua divertida expressão.


Site do autor: www.nivaldocordeiro.net
E-mail:
nivaldocordeiro@terra.com.br

POR QUE AINDA NOS MANTEMOS TÃO MEDÍOCRES (Maria Angela Mirault)

Nunca pareceu tão atual como agora a reflexão proposta pelo ensaísta alemão Hans Magnus Enzensberger(1), a respeito da mediocridade. O autor localiza sua abordagem na realidade alemã, mas, o talhe, que lhe dá, caberia a qualquer lugar do planeta, vestindo com rigor nossa própria e medíocre realidade. Reconheço a constatação universal, Com atenção, alinho-me à lógica do autor. Vivemos mesmo um mundo e uma realidade medíocres. Contudo, proponho um diálogo com seu pensamento, neste quase concordar, discordando. Creio que a mediocridade que assinala o espírito da época e invade nosso cotidiano, não nos é simplesmente imposta. Existe, ainda, para alguns de nós, um fator de decisão: a escolha.

Seja por indiferença e acomodação, no atacado, a mediocridade é mesmo nosso credo e nosso desejo. Contudo, ela significa, também, nosso próprio flagelo e nossa própria morte social. É ela quem traveste um certo tipo de gente e a transforma em utilitário de determinado – ou quase todos - tipo de sistema.

Valendo-se de uma citação de mais de duzentos anos atribuída a Helder (1767: 141), Enzensberger indaga, logo de início, qual seria a importância dos gênios. Muito mais importantes (para o mundo, para subsistência, para a sobrevivência e para própria vida de varejo) nos são os homens úteis, pois, destes são, apenas, exigida "uma feliz combinação de dons e habilidades, uma certa mediocridade que não se eleva até os gênios e pensadores". O autor citado por Enzensberger, já registrara, que, para ser medíocre, basta que se cuide em não se deixar afundar até a condição de pobre-diabo, ou seja, que se atente em alcançar uma grandeza média de forma a atingir o ponto de utilidade que se deseja e que a coletividade precisa. A origem de toda mediocridade, diz o autor, vem do fato de que não esperamos muito de nós mesmos, acostumando-nos ao auto-desprezo. O medíocre precisa manter-se, nem mais nem menos, insossamente, na média. Mas será que, ao optarmos pela submissão á mediocridade, já não optamos também por viver na condição de pobres-diabos?

De certo, que, a submissão à mediocridade é opcional. Fomos nós quem, por algum motivo, preferimos assumir o personagem-sapo da psicanálise, mantendo o personagem-príncipe inacessível. Criados como galinhas, preferimos ocultar a águia que, verdadeiramente habita em nós, subsumidos aos costumes do galinheiro. Sem tomarmos consciência de que, somos, por natureza e identidade, príncipes e águias, deixamo-nos enfear e domesticar, limitando-nos por viver essa utilidade medíocre que nos consome.

Estar (e não ser) medíocre é nosso escudo, nossa complacência, nossa cumplicidade com o mundo, com as coisas, com os outros. Ser e parecer medíocre é mais fácil, mais confortável e muito mais prudente. Sob o império de uma mediocracia consolidada, trabalhamos, nos divertimos, criamos nossos filhos, vamos aos shoppings e vemos tevê. Travestidos em sapos e galinhas, deslocamo-nos cotidianamente de nossas casas, dirigimos nossos carros, ocupamos coletivos, guardamos nossa vez em filas absurdas de aeroportos. Imobilizados, pela condição de utilitário, mascateamos nosso capital intelectual, nossa força de trabalho, às instituições, e, nos submetemos a chefias, medíocres. Dentro de nossos carros, é como medíocres que nos transformamos em "assassino autoproclamado, sem nos importarmos com os danos (...)", aponta-nos Enzensberger. Menos que isso, diz o alemão: deixamos de nos importar "com os fundamentos elementares da vida, como a tranqüilidade, o clima, a vegetação, o ar e a paisagem".

Para subsistir é prudente que se aceite subsumir a utilidade que o mundo quer, a docilidade indiferente que o mundo determina para que possamos sobreviver. Somos números insignificantes de uma massa - essa concepção teórica tão antiga e tão atualizada. Enzensberger constata que nós, quando medíocres, integramos parte de uma massa que, manipuladas por forças sinistras, nos deixamos transformar num bando de idiotas consumista. Diz ele, que, apática como é, a maioria silenciosa (...) simplesmente não quer acreditar que "se transformou em zumbis, marionetes ou fantasmas, e nem mesmo lhes ocorre a possibilidade de confundir sua realidade com uma "simulação"(p.145).

Ao nos alertar sobre o perigo da resistência a tal flagelo, nos alerta: "(...) o médio não é apenas um postulado de lazer, mas a medida de todas as coisas e a chave do sucesso. A existência econômica e psíquica da maioria é garantida pela mediocridade, e qualquer um que acredite poder ignorá-lo incorre num perigoso erro". Por se apresentar cada vez mais segmentada, cada vez mais especializada, cada vez mais introjetada, "lidamos com uma mediocridade altamente qualificada". Não ser medíocre, ou não parecer medíocre e resistir ao espírito de época que nos sufoca é quase assumir uma personalidade psicótica, tornar-se um diferente, um criador de casos, um relegado, um exilado do seu próprio espaço, de sua própria pátria.

Contudo, é fácil reconhecer, distinguir e assinalar um ser que abjeta se categorizar e se regozijar na mediocridade. Este espécime é claramente identificável, pois não consegue esconder-se, metamorfosear-se, ou sucumbir. Ciente de sua origem e natureza, identificado com seu lugar e papel no mundo, ele é um inconformado. Diante da farsa e do domínio do medíocre e do império da mediocridade, ele é um indignado. Estertora em seu viver, mas sobrevive. Acende fachos, aqui e ali, onde as trevas até já se instalaram, deixando rastros e sinais irremovíveis. Na sua diferença, não se submete. Ai de quem já se deparou com um desses seres mutantes. Mesmo que um medíocre o vença na queda de braços, não lhe pode negar e reconhecer a identidade de sua força. Mesmo que, momentaneamente ferido, aparente sucumbir, sobrevive.

A luta entre medíocres e mutantes será grande e árdua. Haverá momentos em que parecerá quase perdida, mas, serão eles, os medíocres, quem perderão, mesmo que, jogando sujo, aparentem vencer as pequenas e cruéis batalhas do aqui e agora. A lei de Darwin está sendo devidamente compreendida. Não será o adaptável quem sobreviverá. Serão eles, os mutantes, os que, se reconhecendo príncipes e águias, agem como tal. Eles salgarão (e já salgam) a Terra com suas esquisitices.

Que se somem, então. Que se reconheçam e lutem bravamente por uma única bandeira. Pois, cada ato de resistência que pratiquem, cada violação que cometam provará que, por mais que as evidências e aparências demonstrem, não serão os medíocres que herdarão a Terra.

(1)ENZENSBERGER, Hans Magnus. Mediocridade e loucura. São Paulo: Editora Ática, 1995)

(ARTIGO DE MARIA ANGELA COELHO MIRAULT PINTO é Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Didática do Ensino Superior pela Universidade Católica Dom Bosco e Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, pelas Faculdades Integradas de Comunicação e Turismo Hélio Alonso, no Rio de Janeiro).

O COVARDE (Sergio Menegueli)

Sozinho, um covarde não cria confusão, mas...
Em turma, provocam uma grande rebelião.

Ironicamente o covarde não distingue seus iguais,
Por isto,
Eles sempre se apóiam em alguém supostamente corajoso,
Para atingir suas metas e ideais...

O covarde é um parasita que se hospeda nas costas de um guerreiro,
Para que, diante das lutas e dificuldades encontradas pela vida, ele sempre saia ileso...

O covarde é perspicaz e inteligente, pois,
Para não se expor e não bater de frente com os inimigos,
Ele chora, esperneia, cria e inventa,
Esperando com este teatro, que alguém resolva os seus problemas...

O covarde atiça e instiga alguém para executar um serviço,
Com medo de ser reconhecido como o autor e mentor da investida,
Pega alguém ignorante até a alma e sem papas na língua,
Para verbalmente ou literalmente liquidar por ele, a sua vitima...

A covardia quando bem manipulada pelos covardes em questão,
Superam de longe a inteligência dos que serão colocados em ação,
Pois os covardes sempre se fazem e se colocam no lugar de vitimas,
Arrolando pessoas de bom coração, nas suas impiedosas e escabrosas investidas...

"Para se conviver com um covarde, é preciso ter um super-anjo de guarda ou ter parentesco com um psiquiatra ou um médico cirurgião, pois ao longo da sua derradeira amizade; se o teu anjo desmaiar de tanto te proteger, o psiquiatra conseguirá depois de muitas terapias te convencer que você não é o super-homem, e se os dois falharem, talvez o medico consiga te curar, remendar e na pior das hipóteses, fazer o seu atestado de óbito, para alguém te enterrar..."


"O covarde é um asqueroso parasita, hospedeiro por natureza, ele muda de corpo e de aparência conforme seus interesses e desejos e, para obtê-los, ele sempre viverá e subsistirá para e por intermédio de alguém, conquistando na vida sem o menor esforço, um pingo de dignidade, da dignidade obtida por quem entrou no seu jogo e no seu campo de ação..."

RETROCEDER PARA EVOLUIR (Ligia Guerra)

Muitas vezes nós ficamos procurando por respostas nas nossas vidas, mas na verdade deveríamos estar revendo as nossas perguntas. Será que estamos formulando as verdadeiras e mais importantes questões para a nossa existência? Evoluir não significa apenas caminhar, mas principalmente refletir sobre os nossos passos, retroceder, rever e por vezes repaginar o que está sendo feito! Muitos dizem “a fila tem que andar”, como se não devêssemos refletir sobre aquilo que vivemos, como se fosse errado “perder tempo”, mas não é bem assim... Muitas vezes “a fila tem que aguardar”, pois a ordem ou a desordem dos fatos e das pessoas em nosso destino não estão exatamente no lugar em que deveriam estar e é preciso reorganizar a casa, os sentimentos e as decisões.

Os nossos medos podem nos tornar mais corajosos, as nossas fraquezas mais fortes, as nossas desilusões menos apegados as nossas projeções e fantasias, os desafios mais criativos. Olhar para dentro de nós mesmos requer coragem e muita, muita humildade! Aceitar as nossas imperfeições como parte integrante da nossa essência e amarmo-nos não apesar delas, mas especialmente por elas, nos faz entender que elas têm um precioso papel: Esvaziar o nosso ego. Quando esvaziamos justamente aquele que nos impulsiona ao orgulho, nos contaminamos menos com o que vem de fora e nos conectamos mais com o que vem de dentro.

Retroceder é libertador, faz-nos olhar o ontem com os olhos do amanhã e perceber onde podemos ser melhores hoje. Retroceder não quer dizer regredir, mas recuar para percebermos onde ainda estamos frágeis e, principalmente, meditar sobre quem verdadeiramente somos. Óbvio que não devemos ficar presos ao passado, mas tampouco jogá-lo no lixo, ele faz parte da nossa história. Economistas, historiadores, filósofos, psicólogos, sociólogos, médicos, antropólogos... Todos ao seu modo retrocederam para estudar, analisar e compreender o homem e a sua interação como o mundo. Só assim puderam revolucionar as suas áreas de atuação.

Nós também temos esse dever de retornar a nós mesmos, prestar mais atenção em nosso próprio reflexo, não como narcisos de modo superficial, mas com profundidade, mergulhando fundo nas nossas verdades. Só assim poderemos reescrever novas páginas com novas cores, novos hinos, novos poemas, como novas verdades e sonhos inusitados. Retroceder para se reinventar. Retroceder para viver de verdade!

(Lígia Guerra - Psicóloga especialista em Psicologia Analítica e Psicologia do Trabalho - E-mail: ligiaguerra@ligiaguerra.com)

06 dezembro, 2009

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL, A TIRANIA INTERIOR (Rita Brudniewski)


A DEPENDÊNCIA EMOCIONAL É O MEDO DA LIBERDADE E SE CARACTERIZA POR COMPORTAMENTOS SUBMISSOS, FALTA DE CONFIANÇA, DIFICULDADE EM TOMAR DECISÕES, INABILIDADE PARA EXPRESSAR DESACORDO E POR UM TEMOR EXTREMO AO ABANDONO, À SOLIDÃO E À SEPARAÇÃO.
É UMA TIRANIA ENCARREGADA DE CONSTRUIR NOSSA PRISÃO INTERIOR MEDIANTE ALIANÇAS COM O MEDO, A PASSIVIDADE, A NEGAÇÃO DA REALIDADE E OS SENTIMENTOS DE CULPA. FAZ PARTE DO CARÁCTER E SE NUTRE DE CIRCUNSTÂNCIAS DESAFORTUNADAS NA INFÂNCIA DE CADA UM. A DEPENDÊNCIA EMOCIONAL SE MANIFESTA NO COMPORTAMENTO AFETIVO, SEXUAL, PROFISSIONAL, SOCIAL E ECONÔMICO.
O NOIVADO, A LUA DE MEL, OS "CASAIS PERFEITOS" OU AS FAMILIAS SEM PROBLEMAS SÃO IDEALIZAÇÕES QUE NÃO SE SUSTENTAM POR MUITO TEMPO. A DISCUSSÃO FRANCA PODE GERAR DOR, RAIVA E DÚVIDAS, POREM É A ÚNICA MANEIRA DE SE CHEGAR AO FUNDO DAS DIFERENÇAS. CALAR OU CONCILIAR POR COMODIDADE É UM GRANDE ERRO, POIS IMPEDE A SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS. A REALIDADE NOS DEMONSTRA QUE AS FAMILIAS MAIS ENFERMAS SÃO APARENTEMENTE IMPECÁVEIS, ONDE NINGUÉM LEVANTA A VOZ, NÃO SE DISCUTE E NÃO HÁ DIFERENÇAS IMPORTANTES. NESSAS FAMÍLIAS, ONDE TUDO APARENTA HARMONIA E DOÇURA, SE COZINHAM EM SEGREDO, GRANDES RANCORES E PROFUNDAS FRUSTRAÇÕES.
NA VIDA PROFISSIONAL, QUANDO O EMPRESÁRIO INTUI A NECESSIDADE DE EMPREENDER GRANDES MUDANÇAS PARA SUPERAR DIFICULDADES EM SEU NEGÓCIO, PORÉM ESPERA QUE FORÇAS EXTERNAS EXECUTEM AS DITAS MUDANÇAS, A FALÊNCIA RONDA SEU CAMINHO. A CRENÇA DOS DEPENDENTES INCLUI: "PARA QUE INCOMODAR-ME, QUESTIONAR A HONESTIDADE DO MEU BRAÇO DIREITO NA EMPRESA OU CRITICAR A EMPREGADA DE CONFIANÇA, OU EXIGIR UMA MUDANÇA AO MEU CÔNJUGE, OU FALAR CLARO AO MEU FILHO, OU ARMAR UMA DISCUSSÃO, SE ISTO PODE CAUSAR DESIQUILÍBRIO???”
HOMENS E MULHERES BASEIAM SUAS ELEIÇÕES DE PAR NO SOCIALMENTE ACEITÁVEL, PORÉM LEVAM GRANDES SUSTOS QUANDO DESCOBREM A MEDIOCRIDADE POR TRÁS DA FACHADA. AS PIORES ESCOLHAS OCORREM QUANDO ESTÃO BASEADAS, PRIMORDIALMENTE, NO ATRATIVO FÍSICO OU NO PODER ECONÔMICO DAS PESSOAS. EM AMBOS OS CASOS, CEDO OU TARDE, SE NÃO EXISTE MAIS DO QUE ISSO, AS RELACÕES TERMINAM CONVERTENDO-SE EM ALGO INSUPORTÁVEL.
ATRAVÉS DO MEDO DA LIBERDADE SE PERPETUA A DEPENDÊNCIA EMOCIONAL E AS PESSOAS CONFIRMAM, ASSIM, SUA CONDIÇÃO DE PRISIONEIRAS. E QUANDO ESSAS CIRCUNSTÂNCIAS GERAM ANGÚSTIA E/OU DEPRESSÃO, É PROVÁVEL QUE PARA ALIVIAR TAIS SINTOMAS SE REQUEIRA TRATAMENTO MÉDICO, PORÉM É NECESSÁRIO SABER QUE A DIMINUIÇÃO DESSES SINTOMAS É SÓ O COMEÇO DE UM PROCESSO MAIS PROFUNDO.
UM DOS PRIMEIROS PASSOS NO PROCESSO DA INDEPENDÊNCIA É COMBATER A FASCINAÇÃO PELA COMODIDADE. "EU QUERO SER LIVRE, PORÉM NÃO QUERO RENUNCIAR À MINHA COMODIDADE". E ISSO, OBVIAMENTE, É IMPOSSÍVEL, POIS A LIBERDADE SÓ SE CONQUISTA ATRAVÉS DO EMPENHO COTIDIANO.
CONQUISTA TUA LIBERDADE, AMA DE VERDADE OS DEMAIS COMO SÃO, NÃO COMO VOCÊ OS IMAGINA. VALORIZA-TE, EVITA FRUSTRANTES DEPENDÊNCIAS, NÃO TE ANULES E NÃO DEIXES QUE NINGUÉM SE ANULE AO TEU LADO. RECORDA QUE SOMENTE QUEM É LIVRE CRIA RELAÇÕES SERENAS NAS QUAIS SE VIVE O VERDADEIRO AMOR: "UNIR-SE SEM IGUALAR."

(TRADUÇÃO DO TEXTO "La tirania interior", Carlos E. Climent.
RITA MARIA BRUDNIEWSKI GRANATO PSICÓLOGA)