SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

08 dezembro, 2009

BOM DESEJO (Cacau Loureiro)


Dor lancinante invade-me o peito,
tento não sucumbir às tristezas, aos
tiranos por estes caminhos imperfeitos.
O tempo se esvai inconteste, pois no mar
da vida, não se rema contra a maré, posto
que o mar engole a todos.
Fio tênue nos prende às coisas do mundo,
subestimando, não queremos aceitar o fato.
Sob os disfarces materiais tornamo-nos
monstros e devoramos a nós mesmos.
Somos pobres, somos tolos...
Não somos capazes de cultivar em nossos
corações sequer uma nesga de verdade, de
sinceridade. Enganamo-nos e enganamos
a todos, por isto repito: somos pobres, somos
tolos.
Experimentemos deixar solto o coração, como
um horizonte aberto aos sonhos, às asas, porque
podemos estar mais perto daqueles que são puros,
corretos.
Fite todos, perceba tudo, sinta os seres, pois
podemos estar com eles em suas múltiplas
dimensões.
Ainda não entendo... por que existem as dissenções?
Deve ser por causa dos nossos duros corações.
Procuro ainda um caminho por onde eu possa
semear a paz... a que procuro.
Endurecido deixei meu coração por dias, anos!...
Sucumbi aos tiranos, perdi meus planos, deixei-me
levar, cultivei nas veredas do meu ser mágoas,
simplesmente por não aceitar a ignorância alheia.
Paguei mágoas com mágoas, perdi-me, pois não
sei viver assim; não via que desta forma eu morria.
Não está em mim a hipocrisia, porque tentei ser
adversa quando a minha essência sempre foi singular
conciliação.
Tento falar com Deus em minhas preces, quando a
Ele elevo-me, eu cresço.
Desejo e luto para que eu não perca este traço, também
os meus afetos, porque a batalha de minha existência
tem sido dura, não digo da luta para o meu sustento
corporal, mas a luta para a edificação do meu espírito.
A guerra que travo é com a minha má tendência... e o
meu bom desejo é aquilo que dia a dia almejo:
Pacificar o meu coração pelo perdão!...

Um comentário:

  1. Cacau
    que lindo!!!
    Desejo e luto para que eu não perca este traço, também
    os meus afetos, porque a batalha de minha existência
    tem sido dura, não digo da luta para o meu sustento
    corporal, mas a luta para a edificação do meu espírito.
    A guerra que travo é com a minha má tendência... e o
    meu bom desejo é aquilo que dia a dia almejo:
    Pacificar o meu coração pelo perdão!...
    belissimo final,parabens
    bjosss no coracao!

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